Resenha: A Casa Do Lago (Kate Morton)

Em 04.08.2017   Arquivado em LITERATURA

 

Sinopse:

A casa da família Edevane está pronta para a aguardada festa do solstício de 1933. Alice, uma jovem e promissora escritora, tem ainda mais motivos para comemorar: ela não só criou um desfecho surpreendente para seu primeiro livro, como está secretamente apaixonada. Porém, à meia-noite, enquanto os fogos de artifício iluminam o céu, os Edevanes sofrem uma perda devastadora que os leva a deixar a mansão para sempre.

Setenta anos depois, após um caso problemático, a detetive Sadie Sparrow é obrigada a tirar uma licença e se retira para o chalé do avô na Cornualha. Certo dia, ela se depara com uma casa abandonada rodeada por um bosque e descobre a história de um bebê que desapareceu sem deixar rastros. A investigação fará com que seu caminho se encontre com o de uma famosa escritora policial. Já uma senhora, Alice Edevane trama a vida de forma tão perfeita quanto seus livros, até que a detetive surge para fazer perguntas sobre o seu passado, procurando desencavar uma complexa rede de segredos de que Alice sempre tentou fugir.

Quem já leu os livros anteriores de Morton, sabe que ela é mestre em construir tramas paralelas que, em algum momento da linha temporal, se encontram. Normalmente, a primeira trama acontece no presente, enquanto que a segunda acontece no passado. Isso é marca do estilo da autora. Está presente, via de regra, em todos os seus livros.

A Casa Do Lago – obra mais recente de Morton – não foge dessa constante.

Na história, primeiramente, nós somos apresentados à Sadie Sparrow, uma detetive que, após lidar com um caso particularmente difícil na polícia, é forçada a tirar licença . Com o intuito de aproveitar as suas “férias”, ela se desloca para um pequeno chalé Cornualha, onde o seu avô reside.

Alguns dias após sua chegada ao chalé, Sadie resolve fazer uma corrida pelo arreadores. No percurso, ela acidentalmente esbarra em uma belíssima e desabitada mansão que fica bem no meio da mata. Intrigada com o abandono da propriedade, ela se põe a pesquisar da história da família que costumava viver ali – os Edevane – e acaba por descobrir um terrível acontecimento no ano de 1933: o desaparecimento de um bebê, o caçula da família – o pequeno Theo Edevane. O caso, que abalou a todos, nunca foi resolvido.

A família Edevane, alguns meses após o desaparecimento, decide partir da Cornualha e se mudar para Londres,

Alice Edevane é uma renomada e metódica escritora policial. Embora os seus livros sejam conhecidos e adorados pela qualidade das tramas misteriosas que apresentam, poucas pessoas sabem que a autora, ela mesma, já esteve bem no centro de um devastador e muito real caso de mistério. Aos 16 anos, Alice perdeu o seu irmãozinho. Este desapareceu sem deixar rastros em uma quente e festiva noite de verão.

Setenta anos depois do fatídico acontecimento de 1933, os caminhos de Sadie Sparrow e Alice Edevane irão se cruzar em prol de um objetivo em comum: ambas se determinam a descobrir o que aconteceu durante aquela noite. Afinal, qual foi o destino do pequeno Theo Edevane?

O que eu achei do livro: 

Não estou exagerando quando digo que Kate Morton é assombrosa. Ela, de fato, está entre as minhas escritoras favoritas. Todas as suas obras são bem construídas, com desenvolvimentos impecáveis e finais surpreendentes.

Mestre em traçar tramas paralelas, a autora sempre lança mão do discurso indireto livre (em que  a voz do personagem se mistura com a voz do narrador).  A “tragédia” também marca presença constantemente em seus romances.

Kate Morton discursa sobre a força de nossas ações e o quanto elas podem interferir no futuro. Os segredos de família – verdadeiros protagonistas de sua obra – dão movimento à história. Engana-se quem pensa que existe um vilão determinado e específico.  O papel de antagonista é reservado às convenções sociais. Estas é que cerceiam a liberdade dos personagens, moldando o destino destes e impedindo os finais felizes.

Quanto aos personagens, é desnecessário dizer, mas, mesmo assim, eu digo: eles são muito bem construídos. Possuem credibilidade.  Em geral, são figuras femininas – mulheres incríveis e fortes.

Em “A Casa do Lago“, eu percebi todas as características descritas acima – características essas que também estão presentes nos outros livros, aqueles menos recentes.

Entretanto, confesso que, para mim, essa obra não teve o mesmo esplendor e brilhantismo de suas predecessoras. Não estou dizendo que ela é ruim. Pelo contrário, ela continua sendo excelente. Apenas perde um pouco de seu encanto se comparada a obras como As Horas Distantes, O Jardim Secreto de Eliza ou A Casa das lembranças Perdidas (esta ainda não possui resenha por aqui).

Pareceu a mim que o grande mistério de “A Casa do Lago” foi mais fácil de ser descoberto. Dessa vez, a autora não conseguiu, com tanta eficácia,  esconder a verdade dos olhos mais atentos. As entrelinhas puderam ser lidas com maior tranquilidade.

De qualquer forma, foi uma leitura maravilhosa! Ela me prendeu do início ao fim. Logo, a nota não pode ser outra além de 5/6 – Excelente.

Cabe ressaltar também que, enquanto os romances anteriores de Morton foram publicados pela Rocco Brasil, este romance (A Casa do Lago) foi publicado pela Editora Arqueiro. Gostei bastante dessa novidade, haja vista que a Arqueiro teve um capricho imenso na diagramação do livro. As páginas são amareladas e a capa é lindíssima.

No mais, vale repetir: o livro é muito bom. Vale a pena ler. É claro que vale! Afinal, é da grande Kate Morton que estamos falando.

Nome do livro: A Casa Do Lago;

Autora: Kate Morton;

Editora: Arqueiro;

Páginas: 464.

Look do dia: we can do it!

Em 31.07.2017   Arquivado em MODA

E o look de hoje tem aquela vibe retro que eu, particularmente, adoro. Vocês sabem!

Nesse dia, eu estava passeando com alguns amigos em Monte Verde, MG.

O meu tênis branco sujo (que eu ainda não consegui deixar branco de novo,  diga -se de passagem) e as manchas de terra na minha calça se devem à trilha que nós decidimos fazer por lá. A PÉ.

Confesso que quase morri nessa trilha, porque foram mais de duas horas andando. O caminho era poeirento e terroso.  E nós não estávamos preparados para isso! haha

Achávamos que ia ser uma voltinha de, no máximo, 30 min. Nos surpreendemos. E, juro, gastei toda minha quota de palavrões depois da primeira hora andando hahaha. Até fiquei com pena dos meus amigos porque eles tiveram que aguentar essa reclamona aqui! Mas, tudo bem … faz parte. Pelo menos, é mais uma história maluca e divertida para contar. E eu tenho muitas!

Um dos pontos altos da viagem: para todo lugar que eu andava, eu encontrava um punhado de margaridas brancas. As minhas flores preferidas no mundo. Lógico que não resisti e tive que trazê-las para frente da câmera.

No mais, eu espero que você gostem das fotos e do look, mesmo  sujinho hahaha

 

 

Essa é uma pousada que fica no centro (minúsculo) de Monte Verde.  Adoro esse estilo de construção e, por isso, resolvi fotografar também.

 

Preciso agradecer aos meus amigos, porque – sinceramente – foi uma viagem incrível. Mesmo com os imprevistos, eu amei! Tenho os melhores amigos do mundo, de verdade. Juntos, nós somos mais!

E é isso aí! <3

Resenha: Os Videntes (Libba Bray)

Em 25.07.2017   Arquivado em LITERATURA

Sinopse:

Evie O’Neil foi exilada de sua entediante e pacata cidade natal e enviada para as agitadas ruas da cidade de Nova York – e ela está maravilhada! Nova York é a cidade do contrabando, das compras e dos monumentais cinemas! Logo Evie está convivendo com as glamorosas garotas Ziegfeld e com afamados batedores de carteira. O único problema é que Evie tem que morar com seu tio Will, curador do Museu Norte-americano de Folclore, Superstição e Ocultismo, também conhecido como Museu dos Insetos Rastejantes. Quando uma série de assassinatos ligados ao ocultismo começam a acontecer, Evie e seu tio se veem em meio a uma investigação policial. E, além de tudo, Evie tem um segredo: um misterioso poder que pode ajudar a capturar o assassino – isso se ele não a pegar primeiro…

 

Evie é uma garota do interior animada e cheia de sonhos. Dona de uma personalidade forte, ela tem atitude e sabe o que quer.

Quando Evie arranja alguns problemas infames na sua cidade natal, a sua mãe resolve manda-la para Nova York, pretendo que a garota more com o estudioso  e sério tio Will e, assim, crie algum juízo. Embora os pais pensem estar castigando a filha, eles, na verdade, estão fazendo exatamente o que ela quer.

A Nova York dos loucos anos 20 é uma cidade agitada e miscigenada: abriga gente de todos os lugares do mundo, possui cabarés esfumaçados e os shows do famoso Ziegfeld. Evie está amando e nem mesmo a seriedade de seu tio Will parece ser páreo para a sua animação.

É nesse diversificado cenário em que a nossa história se passa. Nem tudo são flores em Nova York. Assassinatos brutais também acontecem por lá.

Quando uma série de mortes misteriosas  começa a ocorrer sucessivamente, o tio Will é convocado pela polícia para prestar informações. Como curador do museu de folclore e ocultismo, ele parece ser a única pessoa que consegue compreender a lógica dos assassinatos, haja vista que estes envolvem símbolos ocultistas  e religiosos.

Evie fica horrorizada e, também, instigada com os acontecimentos criminosos. Depois de um pequeno incidente em uma cena de crime, ela percebe que pode ajudar a descobrir a identidade do assassino.

Evie, ainda na adolescência, percebeu que tinha um estranho poder. Se tocar em objetos pessoais, ela consegue descobrir informações acerca do dono do objeto. Consegue ver o passado destes. Ela é uma vidente. E é capaz, com toda a certeza, de capturar o  autor das mortes abomináveis que assolaram Nova York. Ela pode ser a heroína da nossa história.

O que eu achei do livro:

Em primeiro lugar, cabe dizer que ADOREI o fato de este livro ser ambientado nos loucos anos 20. É perceptível que a autora, Libba Bray, fez uma extensa pesquisa sobre essa época para escrever sua história. E ela merece elogios por isso! Em muitos momentos, eu me senti como se estivesse, de fato, na NY de 1920. E isso é, simplesmente, incrível.

Em segundo lugar, cabe falar da personalidade da protagonista, Evie O’ Neil: ela é uma personagem profunda e crível. Você não vai gostar dela todo o tempo. Ela pode ser divertida, mas também inconsequente. E é isso que a faz tão verossímil. De uma forma ou de outra, eu a vi como uma mulher forte e intrépida, ainda que imatura. Acabei por me afeiçoar a ela.

Os outros personagens também são bastante interessantes. Will, Jerícó, Sam, Memphis, Theta e o nosso próprio antagonista (o vilão e assassino) …. todos eles são personagens  verossímeis e bem construídos. E, na minha opinião, é isto o que diferencia uma leitura proveitosa de uma leitura ruim.

No decorrer do livro, nós ficaremos a par de outros videntes além de Evie. Cada um deles possui um dom e uma história de vida diferente.

A história de Os Videntes, na verdade, comporta uma trilogia.  Em razão disto, existe uma trama secundária que envolve esse primeiro livro e o conecta aos demais. É uma pena que no Brasil, por enquanto, apenas o primeiro volume tenha sido traduzido e publicado. Infelizmente,  não existe prazo para a publicação dos demais. E, sim, isso me deixa muito triste, pois não vejo a hora de lê-los.

A única coisa que não me surpreendeu tanto foi, justamente, a identidade e os motivos do assassino. Não achei tão épico e, nem mesmo, tão crível. Porém, acho que isso será melhor desenvolvido no outros dois livros.  Espero.

Apesar disso, eu sinceramente adorei esta leitura. Eu me apeguei à história e aos personagens.

Assim sendo, eu posso dizer com toda a propriedade do mundo: necessito dos outros volumes. Preciso conhecer mais sobre Evie e os outros personagens maravilhosos que povoam essa história.

Nota: 5/6

Nome do livro: Os Videntes;

Autora: Libba Bray;

Editora: ID Editora;

Páginas: 600.

 

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