Categoria "LITERATURA"

Resenha: Notas Suicidas De Belas Garotas (Lynn Weingarten)

Em 10.01.2018   Arquivado em LITERATURA

Sinopse:

June sempre foi solitária. Até conhecer Delia Cole no sexto ano do colégio. Elas se tornaram inseparáveis, compartilhando a perda da inocência e o florescer da malícia na adolescência. Para June, não havia  ninguém como sua melhor amiga. Delia era a garota mais bela do mundo quando sorria, e incendiava aqueles que a rodeavam. Embora, às vezes, se tornasse fria e sombria. As duas acreditavam que nada poderia separá-las… até aquela estranha noite que as afastou por um ano – e depois para sempre. Quando o vice-diretor da escola North Orchard anuncia que Delia está morta, uma onda de angústia toma conta de June. Dois dias antes, a amiga havia ligado para ela, mas June ignorou as chamadas. Todos dizem que Delia ateara fogo no próprio corpo. Sua melhor amiga havia se matado. June não consegue aceitar. Delia não seria capaz disso. Ou seria? Então, quando bilhetes póstumos da amiga começam a chegar, June se convence de que ela fora assassinada. Alguém estava mentindo nessa história, e a lista de suspeitos é perturbadora. O que June fará quando toda a verdade vier à tona?

Notas Suicidas de Belas Garotas apresenta duas personagens principais: June e Delia. Ambas são problemáticas e possuem traumas familiares. Talvez tenha sido esse, inclusive, o ponto em comum que ensejou a amizade entre elas no início da adolescência.

Apesar de serem inseparáveis, melhores amigas para sempre, esse “sempre” teve um fim.

Quando, em uma noite, surge um  problema envolvendo o namorado de June e sua melhor amiga, Delia,  as duas se afastam. Cortam completamente as relações. E, assim, um ano  passa sem que elas troquem nem mesmo uma palavra.

Logo após o feriado de fim de ano,  June recebe a notícia de que Delia cometeu suicídio. A sua ex- melhor amiga, supostamente, entrou em um barracão e ateou fogo ao próprio corpo.

Todos estão falando no assunto. Delia era meio problemática: uma suicida em potencial. Apesar disso, June se recusa a acreditar que a amiga tenha mesmo se matado. Delia podia ser problemática, mas ela tinha sede pela vida. Era animada e inconsequente, mas não uma suicida. Além disso, ela morria de medo de fogo. Por que raios, então,  escolheria morrer queimada?! Não faz sentido. Delia não pode ter se matado. Se June ao menos tivesse atendido a ligação da amiga dois dias antes do suicídio… ela poderia saber o que realmente aconteceu. Ela poderia ter oferecido esteio.

Incapaz de acreditar no suposto suicídio de Delia, June começa a investigar e ponderar hipóteses. Poderia a amiga ter  sido vítima de um crime?  O que realmente aconteceu com Delia?!

O que eu achei do livro:

Preciso ser sincera, eu realmente detestei “Notas Suicidas De Belas Garotas”. É exatamente o tipo de livro que eu não quero ter na minha estante.

Não foram só os problemas de ritmo que me irritaram durante a trama. Porque, sim, esse livro tem sérios problemas rítmicos.  A leitura começa fraca, continua fraca e, no meio do livro, acontece um “plot twist” – uma revelação bombástica – que muda completamente o desenvolvimento da história.  Depois da revelação, você até pode pensar: “essa história vai ficar boa”, mas, não, ela não fica. Na minha opinião, a autora não soube conduzir muito bem a narrativa – o que gerou tédio. Virava as páginas de puro desgosto, porque queria terminar aquela leitura logo.

Também não foram só os personagens detestáveis que me fizeram não gostar desse livro.  Não consegui me sentir envolvida com a personalidade de June ou de Delia. Não rolou identificação. Não teve simpatia. Mas até aí, tudo bem. Eu não tenho que gostar de nenhum personagem. Um autor não cria seus personagens buscando agradar ao leitor.  O que me incomodou foi o fato de que a autora não conseguiu aprofundar muito a personalidade “detestável” de suas personagens. Ela não soube desenvolvê-las.

Em um momento, June é uma garota decidida, que aparenta ser forte, e está determinada a descobrir o que aconteceu com sua amiga. De repente, ela se torna submissa, boba e romântica ao extremo. A autora não soube explicar muito bem a forma como se deu essa mudança.

O mesmo pode ser dito de Delia. Ela é uma personagem interessante. Dominadora. Detestável. Politicamente incorreta. Mas uma personagem interessante que, obviamente, merecia ser bem desenvolvida. Isso não aconteceu. Não sabemos o porquê de seu comportamento. Acho legal quando o autor deixa a interpretação de alguns detalhes a encargo do leitor. Mas é necessário que exista um estímulo, uma pista. Weingarten me pareceu negligente quanto a isso.

Aliás, deve- se dizer que Weingarten foi negligente em muitas coisas. No livro, existe certo grupo de “foras da lei” que é determinante para a história. Eles não trabalham, mas são riquíssimos. Conseguem hackear contas bancárias com muita facilidade. Forjar assinaturas, documentos, bem como outras coisas, sem muito esforço. Gostaria de entrar em mais detalhes quanto a isso, mas não posso, sob o risco de dar spoiler. O fato é que achei esse “grupo” e suas “habilidades” muito surreal. Não fez sentido, simplesmente. Então, ponto negativo para o livro.

Apesar de tudo isso, o que mais me irritou mesmo em toda a história foi a falta de empatia quanto ao suicídio. O título é muito sugestivo. Porém, curiosamente, quase nenhuma página do livro se debruça sobre o assunto.  Não se fala em depressão, não se fala em sinais do suicida, não se fala em formas de evitar um suicídio e, tampouco, é falado da dor da família e dos amigos quando uma morte acontece nesses termos. Em suma, não há empatia; não há cuidado.  O suicídio é tratado de forma leviana. E, sim, isso me incomodou muito, muito mesmo.

O único ponto positivo desse livro é a alternância de foco narrativo. Em um momento, conhecemos a versão que June tem da história. E a sua versão é, na maioria das vezes, romantizada e sem muita verossimilhança com o que realmente aconteceu.  Em outro momento, ficamos a par da visão de Delia. A sua versão da história é mais árida, incorreta, chegando a causar asco – o que condiz bastante com a personagem. Achei esse tipo de alternância interessante. Mas não interessante o suficiente para mudar a minha avaliação.

O final do livro é “aberto”. Cabe a nós, leitores, determinarmos qual desfecho se molda melhor à história – o que pode parecer “cult”, mas só serviu para aumentar ainda mais a minha percepção de negligência.

Na minha opinião, este livro não foi apenas uma completa perda de tempo (e dinheiro), mas um real desserviço à minha pessoa. É um trama que promete muito e não realiza quase nada. Portanto, avalio “Notas Suicidas De Belas Garotas” como ruim (nota 2/6). Fui até o final da leitura, mas por pouco eu não desisti.

De qualquer forma, acredito que só temos uma opinião real e válida sobre alguma coisa quando conhecemos a fundo. É por isso que sempre digo: leia e tire sua própria conclusão, se quiser. Não funcionou mesmo para mim, mas pode funcionar para você.

Nome do Livro: Notas Suicidas De Belas Garotas

Autora: Lynn Weingarten

Editora: Plataforma 21

Páginas: 325 páginas

 

 

Resenha: As Irmãs Gilly (Tiffany Baker)

Em 08.01.2018   Arquivado em LITERATURA

 

Sinopse:

Na distante vila de Cape Cod, as irmãs Gilly não poderiam ser mais diferentes uma da outra. Jo, solitária e reservada, se mantém fiel aos mistérios que circundam a fazenda de sal de sua família. Claire, por sua vez, é popular, linda e anseia fugir daquela vida a qualquer custo. Mas a propriedade esconde um legado obscuro que torna impossível fugir dela para sempre.

 

As Gilly vivem na pacata vila de Cape Cod, na cidade de Prospect, onde possuem uma fazenda produtora de sal. Elas acreditam que o sal tem propriedades mágicas, pois ele, além de dar sabor à comida,  traz  temperança para as relações humanas.

Claire e Jo Gilly são irmãs. Com a mãe, ambas aprenderam a tradição da salina e, igualmente, a veneração pelo sal.

Vistas como bruxas pela grande maioria da população de Cape Cod, as Gilly são desprezadas na igual medida em que são temidas. O sal provoca medo, pois é ele que – ano após ano – determina a sorte da comunidade local. O povo da vila acredita que  pode prosperar no sal e, também, declinar por meio dele.

Apesar de Claire e Jo serem irmãs, elas são muito diferentes entre si – e isso ultrapassa a aparência física. Enquanto Jô aceita o legado do sal e dá continuidade a ele, Claire se rebela. Ela não quer ser uma párea da sociedade. Ela quer ser bonita e popular. Ela quer amor, romance e conforto. Ela quer deixar o sal para trás.

E, assim, intentando fugir do sal, das velhas tradições familiares e de uma desilusão amorosa, Claire se casa com Whit Turner – um homem que, tendo crescido sob a sombra do nome proeminente de sua família, se amesquinhou nas ambições de poder e dinheiro.

Logo, enquanto Claire vive de forma confortável na mansão Turner, Jô tenta sobreviver em meio às asperezas do sal. Sem dinheiro e lutando contra uma hipoteca, Jô precisa, mais do que nunca, de vender o seu produto.  Apesar disso, o sal das Gilly é cada vez mais rejeitado pela cidade, não apenas porque o mundo moderno está à espreita, impedindo a permanências das superstições, mas também porque Claire – agora uma influente matrona social – se indispôs completamente à salina de sua antiga família.

No entanto, quando um comerciante e sua jovem filha chegam à cidade, trazendo  traumas e sonhos consigo, a batalha travada entre os Gilly e os Turner parece prestes a mudar. “Subitamente, antigas alianças se modificam, velhos amores renascem e novas frentes de batalha se erguem.” A força do perdão e dos laços familiares nunca antes foi tão importante.

O que eu achei do livro:

Á primeira vista, o que mais me  chamou a atenção neste livro foi a capa. Ela combina bastante com a história, que  é repleta de lirismo e magia.

O livro aborda um assunto que eu – ávida leitora das tramas de Kate Morton –  gosto muito: os segredos de família e a força do legado familiar.

A história é interessante e tem personagens profundos e muito reais – com virtudes questionáveis e defeitos aparentes. Utilizando um foco narrativo que muda de um personagem para o outro a cada capítulo, a autora nos brinda com um enredo encantador, místico e primorosamente bem escrito.

Apesar desses pontos positivos, é necessário dizer que algumas coisas me incomodaram bastante. O livro tem contundentes problemas de ritmo. Por ser bastante descritivo e sentimental, se torna moroso e entendiante em vários momentos.

O que mais chama atenção nesta história, na minha opinião, não são as Gilly, ou os Turner, ou Dee (a filha do comerciante). Os personagens não brilham tanto quanto o sal – o verdadeiro protagonista. É ele quem dá vida à  pequena cidade de Prospect e seus habitantes, enchendo a atmosfera com cor, superstição e mistério.

Por esses detalhes, é que avalio esta obra como “boa” (nota 4/6). É um livro interessante de ler se você, assim como eu, gosta de sóbrios livros de época, recheados de segredos e conflitos familiares,  e não se importa tanto assim com ritmos massantes e textos muito descritivos.

Nome do livro: As irmãs Gilly;

Autora: Tiffany Baker;

Editora: Novo Conceito;

Páginas: 414 páginas.

Resenha: E não sobrou nenhum (Agatha Christie)

Em 13.12.2017   Arquivado em LITERATURA

Sinopse: 

 Dez pessoas são convidadas pelo misterioso U.N. Owen para passar alguns dias numa ilha perto de uma aldeia pouco movimentada. Os convidados aceitam o convite e de igual maneira embarcam num barco local para a ilha. Na primeira noite, quando todos já se conheciam razoavelmente bem e conviviam animadamente na sala, ouve-se uma voz vinda das paredes da sala, acusando cada um dos dez presentes de ter cometido um crime, crime esse que apesar de ser despropositado ou inevitavél, levou à morte de outras pessoas. O pânico instala-se e mortes inexplicáveis se sucedem, tendo por única pista uma trova infantil.

O cenário é uma ilha deserta na costa inglesa sobre a qual correm vários boatos. Ela foi comprada recentemente por um milionário. A notícia está em todos os jornais. Mas quem é o comprador? Será alguém famoso?

Dez pessoas convidadas por carta – tendo por remetente algum distante conhecido – para passar uma temporada de férias nessa mesma ilha. Dez pessoas de diferentes setores da sociedade, sem nenhuma ligação aparente, e com um passado culpado que lhes pesa nas costas.

Quando essas dez pessoas chegam a ilha e, mais especificamente, ao casarão no qual ficarão hospedadas durante a temporada, procuram, levianamente, pelo seu anfitrião. Ele não está.

Durante o jantar da primeira noite, os hóspedes são brindados por uma estranha mensagem no megafone. Uma mensagem que os declara culpados, cada um deles, por algum homicídio ocorrido no passado.

Quando a primeira morte dos envolvidos acontece – e a segunda também, logo em seguida – os hóspedes percebem que alguma coisa está errada. Essas mortes não podem ser naturais. E estando a ilha sem comunicação com o continente, e sendo eles os únicos habitantes dela, só há uma possibilidade: o assassino está entre eles. Todos são suspeitos – algozes e vítimas, ao mesmo tempo.

A situação se torna ainda mais misteriosa quando os hóspedes percebem uma importante pista. Os homicídios, em seu modus operandi,  aparentam ter ligação com os versos de uma famosa cantiga popular, que está impressa e emoldurada em todos os quartos do casarão:

Ten little nigger boys went out to dine; 
One choked his little self, and then there were nine. 

Nine little nigger boys sat up very late; 
One overslept himself, and then there were eight. 

Eight little nigger boys traveling in Devon; 
One said he’d stay there, and then there were seven. 

Seven little nigger boys chopping up sticks; 
One chopped himself in half, and then there were six. 

Six little nigger boys playing with a hive; 
A bumble-bee stung one, and then there were five.

Five little nigger boys going in for law; 
One got in chancery, and then there were four. 

Four little nigger boys going out to sea; 
A red herring swallowed one, and then there were three. 

Three little nigger boys walking in the zoo; 
A big bear hugged one, and then there were two. 

Two little nigger boys sitting in the sun; 
One got frizzled up, and then there was one. 

One little nigger boys living all alone; 
He got married, and then there were none.

É neste clima de desconforto e tensão psicológica que se desenrola este brilhante romance policial.

O que eu achei do livro:

É preciso dizer que esta história tem uma premissa verdadeiramente interessante. Só isso já seria suficiente para fazer o leitor comprar o livro. Agatha, no entanto,  vai além,   lançando mão de elementos que não tornam esse livro apenas bom, mas um  verdadeiro clássico atemporal da literatura.

Acredito que o grande triunfo está, justamente, no clima de tensão psicológica que é criado no decorrer do livro. Os personagens estão em uma ilha isolada, da qual não podem sair. O assassino está entre eles, de forma que é quase impossível fazer aliados. Todos são suspeitos. E ninguém inspira confiança.

Há uma sensação de medo e desespero pairando no ar. Cada personagem sabe, intimamente, que vai morrer. A morte é certa. Eles apenas não sabem quando serão excluídos dessa macabra dança de cadeiras.

Gostei muito da forma que Agatha explorou o íntimo de seus personagens. Em alguns trechos do livro, há fragmentos das reflexões de cada um deles.  Somos levados a conhecer, de forma enigmática e indireta, quais os seus arrependimentos, incertezas e desejos.

É por meio desses fragmentos que nós iremos colher as pistas referentes ao nosso assassino. Descobrir a identidade deste se revela uma tarefa complicada. Todos são suspeitos. Todos tem motivos para matar. E todos são capazes de fazê-lo.

Confesso que acertei o mistério apenas em parte. Quando o assassino foi descoberto, eu fiquei um tanto surpresa, mesmo sendo uma leitora atenta e que, normalmente, consegue montar quebras cabeças policiais com facilidade.

Eu sempre quis ler este livro da autora, até mesmo porque já assisti a adaptações maravilhosas dessa história em alguns dos meus programas policiais favoritos. Dou destaque, inclusive e especialmente, à série Miss Fisher’s Murder Mysteries que conseguiu adaptar, de forma esplendorosa, este conto de autora.

E não sobrou nenhum – também é chamado de “O caso dos Dez Negrinhos” –  é um livro que recomendo a todos que gostam de enigmas policiais. Vale a pena.

Nome do livro: E Não Sobrou nenhum;

Autora: Agatha Christie;

Editora: Globo Livros;

Páginas: 399 páginas.

 

 

 

Página 1 de 1512345... 15Próximo