Categoria "LITERATURA"

Resenhando: série de livros “Sevenwaters”

Em 28.06.2016   Arquivado em LITERATURA

A resenha de hoje é sobre a série Sevenwaters (sete águas, em português). Ela foi escrita pela Juliet Marillier.

Primeiramente, preciso dizer a vocês que Marillier é, sem dúvida, uma das escritoras de quem mais gosto. Até hoje, ela não conseguiu me decepcionar.

A Juliet nasceu na Nova Zelândia, mas mora na Austrália. Além de escritora, ela é formada em Linguística e Música. Todos os livros que ela escreve se encaixam no gênero “fantasia histórica”.  Assim, em toda a sua bibliografia, existe a predominância de elementos folclóricos.  Sempre que ela vai escrever um livro, ela viaja até o país em que a história vai se passar e assimila a cultura e o modo de vida do povo daquele lugar.

 Infelizmente, Marillier é uma escritora pouco conhecida no Brasil. E existe uma razão para isso: apenas uma parcela de seus livros foi publicada em nosso país. E isso é realmente uma pena, pois livros tão bons deveriam poder ser acessados por todos.

Até hoje, no Brasil, publicou-se:

a) a Série Wildwood: publicada pela editora Prumo. É composta por dois livros chamados “A dança da floresta” e    ” O segredo de Cybele”.

b)  a Série Sevenwaters: publicada muito recentemente pela editora Butterfly. É composta por seis livros. No Brasil, até o momento, só existem quatro.

A boa notícia é que TODO o material de Marillier foi publicado em Portugal. Portanto, é possível adquirir as versões lusitanas. Pode-se importá-las de Portugal pelo site da  Wook , mas o preço fica muito salgado.

Eu tenho aqui em casa duas séries e meia da Juliet: Sevenwaters e Wildwood (ambas publicadas no Brasil) e metade de uma série ainda não publicada no Brasil: “A Saga Das Ilhas Brilhantes”. Milagrosamente, eu consegui encontrar a versão lusitana dessa série na estante virtual.

Sabe, gente, eu sempre cogitei a ideia de importar os outros livros. Mas o medo de eles ficarem parados na alfândega- e eu ter de pagar mais uma NOTA – sempre me desestimulou.  Estou torcendo para que alguma editora brasileira resolva trazer essas outras histórias para brasil muito em breve.

Sobre a série Sevenwaters: essa série se passa na Irlanda feudal e é recheada com elementos da cultura celta. Ela era, inicialmente, uma trilogia (de forma que a questão central da história se resolve no terceiro livro). Mas como os livros fizeram muito sucesso e os fãs pediram demais, Juliet Marillier escreveu mais três livros para a série, trazendo novas questões a respeito desse universo.

Sevenwaters é nome de um velho feudo. Este é guardado por uma floresta mística- em que se encontram diversas criaturas encantadas- e é transpassado por sete rios, daí o seu nome “As Sete águas”.  Os livros contam a história da família que vive nesse feudo. A cada livro, nós somos apresentados para uma nova geração feminina desta família. Logo, a protagonista de cada livro é sempre uma mulher que narra a história em primeira pessoa.

A questão central – que liga, inclusive, um livro ao outro –  é recuperar  das Ilhas Sagradas irlandesas, que foram conquistadas pelos bretões. Para recuperá-las, uma profecia foi criada. Essa profecia está diretamente ligada à família de Sevenwaters. (OBS: Como o gênero é FANTASIA histórica, as informações contidas no livro não precisam ser verdadeiras. São, aliás,  em muitos casos, fictícias.)

Vou comentar com vocês a trama específica de cada livro. Assim, vocês poderão compreender melhor o assunto abordado pela série.

  • Livro 01 – A Filha Da Floresta:

 Passada no crepúsculo celta da velha Irlanda, quando o mito era lei e a magia uma força da Natureza, esta é a história de Sorcha, a sétima filha de um sétimo filho, o soturno Lorde Colum, e dos seus seis amados irmãos, vítimas de uma terrível maldição que os transformou de bravos guerreiros em belos cisnes selvagens…

O domínio de Sevenwaters é um lugar remoto, estranho, guardado e preservado por homens silenciosos e criaturas encantadas, além dos sábios druidas, que deslizam pelos bosques vestidos com seus longos mantos…
Os invasores da floresta, os salteadores de além-mar, os bretões e os vikings, estão todos decididos a destruir este lindo paraíso. Porém, o mais urgente para os guardiões de Sevenwaters é destruir o mal sombrio que se introduziu em seu domínio: Lady Oonagh, uma feiticeira, bela como o dia, mas com um coração negro como a noite.
Landy Oonagh conquista Lorde Colum, mas não consegue encantar a prudente Sorcha e seus bravos irmãos. Frustrada por não conseguir destruir a família, ela aprisiona os jovens guerreiros com um feitiço que somente a força silenciosa de Sorcha pode quebrar. Se falhar, todos continuarão encantados e morrerão!
Mas os seres da floresta veem Sorcha como sua filha e a colocam sob a guarda de um destemido guerreiro, porém o preço dessa proteção é abandonar a segurança de tudo o que conhecia para seguir até terras estrangeiras e hostis… Em pouco tempo, a jovem se vê dividida entre o seu dever, que significa a quebra da maldição que aprisiona seus irmãos, e um amor cada vez mais forte, e proibido, pelo guerreiro que lhe prometeu proteção.” (Sinopse do livro)

A heroína que narra a história deste livro é Sorcha. Ela é filha de Lord Colum, o senhor das terras de Sevenwaters,  e possui seis irmãos. É muito apegada ao seu irmão Finbar. A conexão entre eles é tão forte que ambos possuem a capacidade de conversar mentalmente um com o outro.

Na época em que se passa o primeiro livro, vários preparativos estão sendo feitos para as batalhas que se aproximam: o povo celta deseja recuperar as Ilhas sagradas, que foram conquistadas pelos bretões. Apesar disso, Sorcha e seus irmãos vivem bem e são felizes. Amam sua casa que é guardada por uma enorme floresta encantada.

O catolicismo ainda não tinha chegado na velha Irlanda, de forma que o povo continuava com suas antigas tradições celtas, acreditando no poder dos seres da Floresta.

Os infortúnios, de Sorcha e seus irmãos, começam quando  Lorde Colum se casa novamente. A bela mulher, escolhida para ser esposa de Colum, é Lady Oonagh. Ela rapidamente, consegue encantar a todos, inclusive aos irmãos de Sorcha.  Esta, porém, desconfia de Oonagh e não aceita as mudanças introduzidas por ela na rotina da casa.

Lady Oonagh é, na verdade, é uma poderosa feiticeira que deseja, entre outras coisas, dominar o marido para que possa exercer grande influência em Sevenwaters e também no curso das batalhas que se aproximam.

Lady Oonagh, percebendo a influência de Sorcha em seus irmãos e  temendo que esta transfira suas desconfianças a Lorde Colum, tenta enfeitiçar todos os seus enteados.

O feitiço, que faz com que faz com que todos os rapazes se transformem em cisnes, não atinge Sorcha.

Na esperança de conseguir quebrar o feitiço – para transformar seus irmãos em seres humanos novamente- Sorcha procura a Dama da Floresta, Deirdre. Esta promete ajudar Sorcha, que, entretanto, deverá passar por provas e sacrifícios. Ela deverá costurar, a partir do tecido feito de uma planta que queima ao toque, uma camisa para cada um dos seus seis irmãos. Além disso, não poderá falar nenhuma palavra nem fazer nenhum som até seus irmãos se transformarem em humanos.

Sorcha é encaminhada, pelos seres da Floresta, a um guerreiro bretão e levada à Bretanha- que é inimiga da Irlanda, na causa das Ilhas Sagradas.  No decorrer do livro, a confiança entre Sorcha e esse guerreiro vai aumentando. O imponente guerreiro, mesmo sem saber a história de Sorcha, se compromete a ajudá-la em sua tarefa.

E é claro que esse plano dos seres da Floresta, de unir Sorcha ao guerreiro bretão, está diretamente ligado à causa das Ilhas Sagradas.

Esse livro é, simplesmente, maravilhoso. A trajetória de Sorcha é sofrida, muito sofrida. Mas, Sorcha é uma fortaleza. Ela possui grande determinação. É, sem dúvida, uma heroína feminista – aliás, como todas as heroínas de Juliet.

É realmente impossível não se encantar com ela, ficar feliz junto com ela quando ela está feliz e também sofrer junto com ela, quando crueldades lhe são impostas.

Red, o guerreiro bretão, é também um personagem encantador. Acho que também é impossível não torcer para que ele e Sorcha fiquem juntos.

A história desse livro foi baseada em um conto de fadas, escrito pelos irmãos Grimm, chamado “Seis cisnes”.

  • Livro 02- O Filho Das Sombras:

“Filho das Sombras” narra a história da jovem Liadan, que, tal como a sua mãe, Sorcha, herdou a habilidade de falar com os espíritos da floresta, os quais lhe segredam que ela deve permanecer, para sempre, em Sevenwaters, se quiser que as ilhas Sagradas sejam retomadas dos bretões. A Irlanda está numa avassaladora guerra, onde um misterioso homem é temido e reconhecido como um mercenário feroz. E, assim como sua mãe no passado, ela acaba por ser capturada e sente-se cada vez mais atraída pelo ser das sombras, apesar de saber da maldição da profecia que Seres da Floresta lhe preveniram.” (Sinopse do livro)

Vou contar só um pouquinho acerca desse livro, porque não quero dar Spoiler do livro anterior.

A protagonista desse livro é a filha de Sorcha, Liadan. Esta tem uma irmã mais velha, Niahm, e também um irmão gêmeo, Sean.

Os seres encantados, que vivem na floresta, dizem para Liadan que ela, se quiser que as Ilhas Sagradas sejam reconquistadas, jamais deverá ir embora de Sevenwaters.

Corre, nas terras da Irlanda, boatos de um mercenário, intitulado “Homem Pintado”, e de suas atrocidades. Liadan, por acaso, acaba sendo raptada por esse mercenário e seu grupo. Entretanto, conforme vai conhecendo melhor Bran, o homem pintado, ela percebe que nem tudo é o que parece. Logo, acaba se afeiçoando a ele.

Liadan, nesse livro, deverá tomar uma importante decisão que irá interferir não apenas em seu destino, mas também no destino de Bran e das Ilhas Sagradas.

 

  • Livro 03- A Filha Da Profecia:

“O terceiro e último volume da Trilogia Sevenwaters narra a história de Fainne, criada pelo pai, Ciarán, em uma terra distante. Ao se tornar adolescente, ela é visitada pela avó, a malévola feiticeira Lady Oonagh, que a obriga a embarcar em uma terrível missão: infiltrar-se na família, em Sevenwaters, e impedir que seu tio Sean e seus aliados reconquistem as Ilhas sagradas – invadidas há gerações pelos escandinavos. Educada pelo pai usando seus dons de magia para o bem, ela, no entanto, agora se vê forçada a usar de artimanhas e maldade para atingir os objetivos de vingança de sua avó.” (Sinopse do livro)

Para não estragar as surpresas dos outros dois livros, vou falar muito pouco mesmo sobre esse livro.

Ele vai contar a história de Fainne, neta de Lady Oonagh (por parte de pai) e neta de Sorcha (por parte de mãe).  Lady Oonagh retorna neste livro com um desejo de vingança. Ela quer impedir a família de Sevenwaters de reconquistar as Ilhas Brilhantes. Para isso, força sua neta, Fainne, a infiltrar-se dentro de Sevenwaters.

Fainne, tal como a avó e o pai, é uma grande feiticeira.  Ela, diferente das outras protagonistas, não é muito cativante. Porém, no decorrer do livro, nos afeiçoamos a ela que acaba se mostrando – tal como Liadan e Sorcha-forte e destemida.

Esse livro irá trazer o desfecho da trilogia Sevenwaters, determinando o destino das Ilhas Sagradas.

Assim como foi com os outros livros, este aqui é denso, longo e gostoso de ler.

Devo dizer que, fora um detalhe aqui e outro ali, eu gostei bastante do final. Fiquei triste em algumas partes, mas, no geral, gostei muito.

Inicialmente, a história de Sevenwaters acabaria neste livro.  Porém, como disse para vocês, Juliet voltou a este universo posteriormente.

  • Livro 04 – O Herdeiro De Sevenwaters:

“O domínio de Sevenwaters é um lugar remoto, estranho, guardado e preservado por homens silenciosos e criaturas encantadas, além dos sábios druidas, que deslizam pelos bosques vestidos em seus longos mantos…Os chefes do clã de Sevenwaters têm sido, geração após geração, os guardiões de um dos últimos refúgios dos Tuatha De Danann, os Seres da Floresta. É nesse cenário, rodeado pela floresta de Sevenwaters, que humanos e criaturas do Outro Mundo convivem ao mesmo tempo em harmonia e desconfiança. Quando Lady Aisling dá à luz um novo herdeiro de Sevenwaters, cabe à sua filha Clodagh a responsabilidade pela casa e pelo irmão. Porém, ele é raptado, e em seu lugar é deixado um ser que pouco lembra um bebê humano. Para recuperá-lo, Clodagh tem que se aventurar no Outro Mundo, acompanhada por um misterioso guerreiro, e enfrentar o poderoso príncipe que agora reina. E a recompensa pode ser maior do que ela imagina. “

 

Em “Herdeiro de Sevenwaters”, a protagonista é Clodagh, uma das filhas de Lord Sean, o atual senhor de Sevenwaters.  Clodagh é a mais atarefada entre todas as irmãs. Ela é o braço direito de sua mãe, Ashling, pois a ajuda em praticamente tudo: desde a organização da casa até no cuidado com as irmãs mais novas.

Clodagh, apesar de já ser uma moça, não tem a pretensão de se casar. Ela ama sua vida em Sevenwaters. Gosta de cuidar da casa, de trabalhar em seu jardim de plantas, caminhar pela floresta, enfim… ela adora aproveitar os simples prazeres que o seu lar lhe proporciona. Já Deirdre , sua irmã gêmea- com quem, inclusive, consegue falar mentalmente-  é totalmente o oposto. Ela está prestes a se casar e  o que mais deseja é fazer seu futuro marido feliz.

A casa em Sevenwaters passa por um momento de grande preparativos, não só pelo casamento de Deirdre que se aproxima, mas também porque Ashling – esposa de Sean- está grávida. Apesar de ter seis filhas, ela nunca conseguiu dar ao marido um filho homem (devemos lembrar da importância de se ter filhos homens, “herdeiros”, naquela época).

Porém, estão todos apreensivos, porque  a situação de Ashling é delicada. Ninguém ousa dizer a ela, mas todos sabem: ela já está em idade muito avançada para ter um bebê. Por isso, as chances de o parto ser complicado são altíssimas. Ashling pode nem mesmo sobreviver. Lord Sean, por outro lado, tem ainda outros problemas para lidar: os clãs vizinhos estão em grande rivalidade e isso pode ameaçar as fronteiras de seu território.  Logo, ele precisa tentar apaziguar os clãs.

O parto de Ashling, como se esperava, é difícil. Porém, a criança, um menino, nasce com vida.  E é Clodagh quem  deve cuidar do irmão durante a convalescença da mãe.

As intempéries, entretanto, surgem quando o bebê é raptado e em seu lugar é deixado algo que não se parece, de forma alguma, com uma criança humana. Clodagh se sente extremamente triste e culpada e não consegue aceitar os olhares de desapontamento da família. Além disso, ela é a única da família que consegue perceber que aquele ser deixado no berço do irmão, feito de galhos e folhas – que pouco se parece um ser humano- está vivo; não é um objeto inanimado. Por isso, ela se decide a encontrar seu irmão,  e refazer a troca de bebês, nem que para isso seja necessário procurar pelo véu que separa os mundos e entrar no Outro Mundo (aquele em que vivem os Seres da Floresta).

Em sua jornada, Clodagh contará com a ajuda de um guerreiro, chamado Cathal. Este, de uma forma ou outra, está diretamente ligado à troca de bebês. Existem segredos em seu passado que nem mesmo ele tem conhecimento. Logo, a jornada de Clodagh para procurar seu irmão é também uma jornada de autoconhecimento para Cathal.

Quanto à minha opinião em relação a este livro, devo dizer que ele é um livro bom – tem aventura e romance, como todas as histórias de Juliet. Além disso, é gostoso voltar ao mundo de Sevenwaters e reencontrar personagens tão queridos. Entretanto, esse livro, para mim, não se equipara, nem de longe, aos três primeiros livros (que fechariam, anteriormente, a série de Sevenwaters). Simplesmente, a conexão que tive com as personagens dos livros anteriores (Sorcha, Liadan e Fainne) não se estendeu a Clodagh. Mas, de qualquer forma, o livro ainda é bom. A série inteira, com toda a certeza, vale a pena ser lida.

Eu gosto tanto desses livros que fazer essa resenha até me deu saudade. É bem provável que eu releia a série inteira nas férias só para poder encontrar aquele aconchego que eu sempre sinto quando leio sobre o mundo de Sevenwaters <3

Sobre o filme “Alice através do Espelho” , a loucura e o feminismo.

Em 27.05.2016   Arquivado em CINEMA, LITERATURA

Eu sou uma entusiasta em tudo aquilo que se refira à  “Alice no país das Maravilhas”. Desde criança, eu amo esse livro nonsense. Embora, é claro, aos 10 anos de idade eu pouco ou nada entendia sobre ele e  as suas entrelinhas.

Porém, após reler o livro muitas vezes, já na adolescência, eu passei a entender um pouco daquele incrível – e louco- mundo de Lewis Carroll. E o livro sempre me passou uma mensagem: desafie as regras sociais. Desafie os rótulos! Seja você mesma, ainda que isso seja considerado rebeldia ou loucura. Afinal,  como já dizia o gato de Cheshire: somos todos loucos por aqui. E essa é uma mensagem que devemos ouvir, especialmente na adolescência – fase em que está a personagem “Alice”,  de Carroll.

E eu pergunto  a você: o que é a loucura? Como separar os loucos dos não loucos? A verdade é que, já há muito tempo, várias obras foram feitas sobre a loucura: Foucault e a “História da loucura na idade clássica”; Machado de Assis e “O alienista” ;  Ken Kesey e “Um estranho no ninho”.

A grande conclusão que eu tiro de todas essas obras – em uma leitura não muito profunda, verdade seja dita–  é esta: por muito tempo (talvez, até mesmo, ainda hoje), a loucura foi uma ideia para se amarrar e amordaçar aqueles que se desviavam dos caminhos já construídos para o trilhamento da sociedade. A loucura foi um discurso que permitiu a exclusão dos rebeldes, ou seja, a exclusão daqueles que destoam dos padrões sociais.

Porém, eu acredito que, em muitos contextos (não em todos, mas em alguns contextos específicos), é importante você se desvincular dos padrões sociais. E isso não quer dizer que você seja louco. Muito pelo contrário, isso quer dizer que você é um ser humano pensante.

Mas, enfim, vamos conciliar toda essa digressão com o filme “Alice através do espelho”: eu, como entusiasta a tudo que se refere à obra de Carroll,  gosto muito de estar por dentro de todas as adaptações sobre essa história riquíssima. E foi por isso que resolvi ir ao cinema ontem, assistir à continuação do filme lançado em 2010 por Tim Burton. A continuação  leva o mesmo nome do segundo livro publicado por Carroll sobre a personagem “Alice”, que é “Alice através do espelho”

Para quem não sabe, Carroll escreveu dois livros sobre Alice: Alice no país das maravilhas e Alice através do espelho .

O filme  “Alice através do espelho”, dirigido por James Bobin,  não foi – nem de longe- fiel ao segundo livro escrito por Carroll. Mas nem por isso, ele deixou de ser uma adaptação maravilhosa.

Na história do filme, Alice é a capitã de um navio. Depois de alguns anos viajando ao mundo, ela retorna a sua casa, onde encontra sua mãe em uma situação bastante difícil: ela está quebrada financeiramente e  casa da família está hipotecada. O credor é Hamish (para quem não se lembra do primeiro filme, Hamish é o pretendente a quem Alice recusou). A única forma de a mãe de Alice ficar com a casa é justamente dar, como pagamento à dívida,  uma das coisas de que Alice mais gosta no mundo: seu navio.

Para Alice, perder seu navio significa perder toda a forma de vida que ela construiu para si mesma. Perder o navio é perder, completamente, sua independência. É perder a si própria.

A sociedade de Londres, especialmente Hamish, desaprova a forma de viver  de Alice.Consideram-na rebelde, desobediente e maluca. Afinal, Alice é uma mulher. O lugar de uma mulher não é viajando ao mundo; o papel de uma mulher não é ser capitã de um navio.  O lugar de uma mulher é em casa, cuidando da família e dos filhos. O papel social da mulher é ser a esposa submissa ao marido.  E o tempo, dizem todos, está contra Alice, que já tem quase 30 anos e ainda não se casou. É necessário que ela desista do navio e passe a ter uma vida decente na sociedade londrina (não podemos nos esquecer que a história do filme se passa lá para 1830).

Alice se vê em um grande dilema: ora, ela, uma mulher que sempre acreditou que poderia fazer aos menos 6 coisas impossíveis antes do café da manhã, deve realmente desistir da sua forma de viver  e se submeter aos costumes sociais machistas da época?  Mas, e sua mãe? Será viável destruir também, em prol de si mesma, toda a maneira de viver de sua mãe, que ficará  sem casa para morar?

E é neste momento, em que Alice precisa fazer uma difícil escolha, que o mundo do “País das maravilhas” se descortina, novamente, para ela. Desta vez, ela atravessa um espelho para chegar até lá. No país das maravilhas, ela descobre que o seu amigo, Chapeleiro Maluco, está muito doente. Ele teima  em dizer que sua família – dada como morta há anos- está viva.  Alice não acredita nessa possibilidade de início, porém, percebendo que seu amigo está morrendo, ela se determina  a ajudá-lo.  Em razão disso, Alice inicia uma luta contra o tempo. Ela deve roubar a cronosfera de Cronos (que é o próprio tempo) e voltar no tempo para tentar salvar a família do Chapeleiro.

No meio do filme, ainda que muito rapidamente, Alice até mesmo vai parar em um “hospício”. Como disse para vocês, por desafiar as regras sociais, ele sempre foi considerada, por quase todos, como meio maluca.

O filme, em si, é muito agradável de se ver. É criativo, engraçado, tem aventura, amizade, atores talentosos e efeitos especiais incríveis. Á primeira vista, ele pode parecer um filme leve e divertido apenas. Mas, eu acho que ele nos passa uma mensagem importante:

Nada é impossível. Você, mulher, pode ser quem você quiser. Basta que você tenha força e coragem para desafiar aqueles que não acreditam nas suas potencialidades. Basta que você acredite em você mesma.

Se você vai contra a correnteza, acredite, você não é, necessariamente, louca. Você é alguém que deseja ter a liberdade de escrever a sua própria história, da forma que quiser. 

Bem, naquela época a mulher que desafiava os costumes sociais machistas era louca.Sabe, acho que, ainda hoje, essa realidade não mudou muito. Ainda existe um grande preconceito social contra as feministas. Já ouvi chamarem-nas de muitas coisas: oportunistas, chatas, feias, encalhadas, revoltadas, histéricas, paranoicas, desvirtuadas, devassas, sexistas e – é claro- doidas. Mas eu não acho que exista algo errado com a ideia de se buscar a efetiva igualdade entre homens e mulheres. E é isso que, no íntimo, significa o feminismo.

Muitos pensam que o feminismo hoje é desnecessário. Afinal,o Direito e o Estado asseguram a equiparação entre os sexos.  Hoje, grande parte das mulheres trabalha e tem independência social e financeira. Existem mulheres que estudam, tem curso superior, são mestres e doutoras. Hoje, a mulher tem opção de não casar, se não quiser. Hoje, a mulher passou a acreditar em si mesma, em seu potencial. Hoje, não existe mais espaço para o discurso “lugar de mulher, é na cozinha”.

Mas será que isso vale para todas as mulheres? Se você parar para pensar, não só no Brasil, mas no mundo todo, ainda existem mulheres que vivem de forma adversa, em razão da sua condição de mulher. Existem mulheres que ainda tem que conviver com o discurso “lugar de mulher é na cozinha”. Existem mulheres que são violentadas, vítimas de violência doméstica e, também, sexual.

Em algumas partes do mundo, existem mulheres vendidas como escravas sexuais. Há o tráfico de mulheres.

O machismo, portanto, existe sim É ele que dá causa à violência física, ideológica e cultural contra as mulheres.

Por violência física, temos a doméstica e sexual; as mulheres que apanham e as mulheres que são estupradas e até vendidas e escravizadas, em alguns casos.  Por violência cultural e ideológica, nós temos as piadas de mal gosto; temos a publicidade machista, que sensualiza a mulher e a coloca na mesma condição de um objeto sexual; temos a cultura do estupro.

 E eu acho que uma das formas de se combater, ao menos  a violência cultural e ideológica, é usar a arte (cinema, literatura, pintura, etc.)

 As mulheres, desde pequenas, devem estar conscientes de que elas podem ser o que quiserem. Elas precisam acreditar em si mesmas. E é por isso que eu adoro filmes como “Alice através do espelho”. Ele é feminista e  GIRLPOWER. A personagem é uma HEROÍNA que luta por si mesma e pelo seu lugar no mundo.

Mas sabe o que é mais triste? As mulheres de que eu falei ali em cima- aquelas que ainda vivem de forma adversa, em pleno século XXI, em razão da sua condição de mulher- são justamente aquelas que não irão ver filmes como “Alice através do espelho”. São justamente aquelas que não terão acesso a um post, como esse.

Embora a violência sexual e doméstica atinja a mulheres de todas as classes sociais e econômicas, eu acho que  a maioria das mulheres que podem se ORGULHAR DE SEREM DONAS DE SI MESMAS são aquelas privilegiadas. Privilegiadas por poderem fazer uma faculdade, por poderem ter acesso a informação, por poderem ter nascido em uma família que sempre apoiou a emancipação feminina.

Por isso, são necessárias políticas públicas que possam efetivar as leis que garantem a igualdade entre homens e mulheres.  É necessário que as nossas leis tenham efetividade social. É necessário que elas atinjam senão todas, quase todas as mulheres.

E o mais difícil: são necessárias medidas que protejam a mulher, que a equiparem ao homem, em nível GLOBAL. Em um mundo com culturas e costumes tão discrepantes, será isso realmente possível? Bem, temos que tentar ao máximo.

Vamos lutar por isso? Vamos lutar pela igualdade? Vamos lutar pela diminuição da violência doméstica e sexual? Vamos lutar pelo feminismo?  Vamos lutar pelo direito de a mulher acreditar em si mesma e poder ser quem ela quiser? Vamos lutar pelo fim do machismo ideológico e cultural?

Fica aqui, então, uma análise, bastante amadora e até mesmo inusitada,  sobre o filme “Alice através do espelho”, sobre a loucura e sobre o feminismo.

Resenhando: série de livros “A mediadora”

Em 18.05.2016   Arquivado em LITERATURA

A série  “A mediadora”, da escritora Meg Cabot, é composta por 7 livros.

Eu li essa série pela primeira vez quando tinha 14 anos e, na época, amei. No mês passado, resolvi lê-la novamente. Quando relemos uma série de livros após um grande período de tempo, duas hipóteses são possíveis: você passa a amar a série ainda mais ou descobre que não se identifica mais com ela.

Felizmente, posso dizer que comigo aconteceu a primeira hipótese: o meu amor só aumentou.

Antes de falar sobre o enredo, quero comentar um detalhe: os livros da série possuem três versões diferentes de capa.

A primeira versão possui um fundo preto fosco e é ilustrada com desenhos. É a versão que eu mais gosto.

Atualmente, só se encontra a série nas capas antigas em sebos (estante virtual) ou em sites de usados, como o  enjoei.

A segunda versão de capas começou a aparecer lá para 2007-2008.Acredito que a Editora da Galera Record, responsável pela publicação da série aqui no Brasil, resolveu mudar as capas justamente porque, na época, os livros infanto-juvenis sobrenaturais (que passaram a fazer um tremendo sucesso) eram publicados em capas adultas, com fotografias, em um estilo gótico-sexy (como os livros de Twilight, por ex.).

 

 

Houve também uma terceira versão chamada “vira vira”.  Esta edição é econômica e contém dois volumes da série em apenas um livro.

 

As capas dos meus livros, infelizmente,  são meio mescladas, como vocês puderam observar nas fotos acima. Eu queria que todos os volumes  fossem da primeira versão, a mais antiga. Mas, na época em que comprei, não teve jeito!

Comentários gerais sobre os livros:

 

A série  A mediadora é centrada em Suzannah,  uma garota de 16 anos que poderia ser como qualquer outra, se não fosse por um pequeno detalhe: a capacidade de se comunicar com os mortos.

Os mediadores possuem um “dom”: são capazes de ver e conversar com fantasmas. Para eles, estes seres não são imateriais, mas sim sólidos e palpáveis … como se fossem de carne e osso.

A função de um mediador é ajudar os mortos a fazer a travessia da vida para o pós – morte. Segundo a mitologia do livro, um ser humano só fica preso na terra, na forma de fantasma, se deixou algo inacabado por aqui. Suzannah, como mediadora, deve resolver esses assuntos mal resolvidos. Só assim as almas conseguirão descansar em paz e encontrar o seu caminho.

Em alguns casos, esses “assuntos” podem ser vingança. E é aí que a nossa mediadora tem se durona e chutar “alguns traseiros fantasmagóricos” por aí.

A história do primeiro livro, A Terra das Sombras, começa com Suzannah se mudando de Nova York para a Califórnia, em razão do novo casamento da mãe.  Em Carmel, Califórnia, moram Andy (o padrasto) e os três filhos dele.

Dessa forma,  a vida de Suze está passando por muitas mudanças. Ela está morando do outro lado do país e convivendo com três novos meio – irmãos.

Embora Suze tente manter distância de prédios velhos (alô, são os locais mais propícios à fantasmas), o seu novo lar é um casarão de 150 anos e a sua nova escola é mais antiga a ainda, com cerca de quase 300 anos.  Quando Suze descobre a idade da sua casa, ela fica pirada porque tem certeza de que vai encontrar companheiros nada hospitaleiros por lá. E não dá outra: assim que pisa em seu quarto, lá está o fantasma de um cara morto …

O fantasma – Suze descobre mais tarde – se chama Jesse e morreu ali mesmo, naquele quarto, há 150 anos atrás,  quando o casarão da família ainda era um hotel para viajantes.

É claro que Suze, no início, tenta fazer de tudo para poder se livrar da presença do fantasma. Tenta mediá-lo de todas as formas possíveis. Mas nada funciona. Jesse se recusa a contar o motivo que o prende à terra e, também, se nega a ir embora da casa. Afinal, antes mesmo de Suze existir, aquele quarto já era dele. Foi ali que ele morreu e viveu por 150 anos como fantasma.  Aquele quarto é o seu lar.

Obviamente Suze odeia a insistência do cara. Não tem como  ela, uma garota de 16 anos, dividir o quarto com um homem. E o pior, um homem morto. Quer dizer, e para trocar de roupa, como faz?

Para piorar tudo,  Suze se sente atraída por Jess.  Porque ele não é apenas um fantasma: ele é um fantasma muito bonito.

“Ele piscou aqueles enormes olhos negros. Suas pestanas eram mais longas que as minhas. Não é sempre que eu dou de cara com um fantasma que também é uma graça, mas aquele cara… caramba, ele devia ter sido uma coisa quando vivo, pois ali estava ele morto e eu já queria adivinhar como eram as coisas por baixo da camisa branca que usava, bem aberta, mostrando um bocado do peito e até um pouco do abdômen. Será que fantasma também faz abdominal? Era o tipo de coisa que eu nunca tivera oportunidade- ou vontade- de explorar até então. Não que eu fosse me deixar perturbar por esse tipo de coisa àquela altura dos acontecimentos. Afinal de contas, sou uma profissional.” 

Aos poucos, no decorrer dos livros, vamos acompanhando a evolução dos sentimentos de Suze em relação a Jesse.

No primeiro dia de aula, no  novo colégio, Suze conhece Cece (uma albina muito inteligente) e Adam. Os dois se tornam seus melhores amigos. E Suze fica muito feliz com o fato de ter algum amigo, para variar. O dom da mediação foi algo que sempre a distanciou das pessoas. Amigos não gostam de mentiras e desculpas e Suze tem que inventar muitas para explicar suas ausências. Em todos os anos que morou em NY, Suze teve uma única amiga, a Gina. Fora ela, mais ninguém.

Outro personagem importante para a série é o Padre D., diretor do novo colégio de Suze  (o colégio Junipero Sierra é católico). Ele também é um mediador e está sempre ajudando Suzannah quando o assunto é sobre fantasma.

 

Comentários sobre cada livro especificamente (NÃO possui Spoiler):

1) Terra Das Sombras: Suzannah lida com o fantasma de uma adolescente que cometeu suicídio.  A menina se arrepende do que fez e quer viver novamente. Quando Suze mostra que seu desejo é impossível, Heather, a fantasma, procura uma forma de se vingar. A primeira vítima é o ex – namorado. Afinal, se ele nunca tivesse terminado o relacionamento, ela provavelmente ainda estaria viva.

Com o intuito de parar Heather em seu ânimo vingativo, Suze vai usar todas as medidas necessárias, até mesmo aquelas mais drásticas que envolvem uma certa TERRA DAS SOMBRAS.

2) O Arcano Nove: uma fantasma acorda Suze no meio da noite e pede para ela mandar uma mensagem a um homem chamado Red. Sem muitas informações acerca da identidade de Red, Suze inicia uma busca maluca e acaba se metendo em confusões que envolvem, inclusive, as quadrilhas criminosas de Carmel.

 

3) Reunião: Tudo começa quando Suze vê quatro jovens muito bonitos  na praia, em um dia de verão. À primeira vista, tudo parece normal. Mas em uma segunda olhada, ela percebe algo de muito errado com eles: vestidos com roupas de gala, os jovens emanam um brilho assustador.  Fantasmas, na praia, em plena luz do dia.

Por meio do jornal da cidade, Suze descobre que os jovens são os quatro alunos – modelo do colégio RLS. Os mesmos que sofreram um acidente de carro na noite anterior, quando voltavam de um baile do colegial..

O outro automóvel envolvido no acidente pertencia a Michael, um colega de classe de Suze.

Os fantasmas estão convencidos de que Michael é responsável pelo acidente. E desejam vigança.

Por isso, cabe à Suze, Jesse e ao Padre D. enfrentar a fúria assassina de cada um deles.

4) A hora mais sombria: É período de férias em Carmel e, para a família Ackerman, férias é sinônimo de emprego de verão. Por isso, Suze está trabalhando como babá em um hotel cinco estrelas.

Durante um dia de serviço, Suze descobre que Jack Slater, o menino de quem ela é babá, também é um mediador – embora ele mesmo ainda não saiba disso. Logo, Suze é encarregada, pelo padre D., de servir como mentora para menino. Como se não bastasse já ter que lidar com um Slater, Suze tem que lidar com dois. É que Paul, o irmão mais velho de Jack, não cansa de chamar Suze para sair.  O problema é que, embora Paul seja um gato e tudo mais, o coração da nossa mediadora parece bater mais forte por outro homem.

Sem entrar em muitos detalhes para não dar spolier, apenas posso dizer que Suze – neste livro – vai enfrentar a hora mais sombria de sua vida. E isso é um fato.

Para mim, este é o melhor livro da série.

5) Assombrado:  Meg Cabot se aprofunda na mitologia dos mediadores.  Neste livro, descobrimos mais sobre as origens e as habilidades deles.  Suze percebe que é muito mais poderosa do que imaginava.

6) Crepúsculo: Neste volume, temos o tão esperado final da história (ou seria um novo começo?!). E confesso que o desfecho foi …  INSUPERÁVEL. Eu não imaginava um final assim, não mesmo. Meg Cabot conseguiu ser surpreendente de uma forma incrivelmente positiva. Eu amei, amei e amei esse livro.

Nota e comentário final sobre a série:

A série A mediadora é infanto – juvenil e se volta para o entretenimento. Ela nos diverte e nos faz mergulhar no mundo da fantasia.  A Meg Cabot, na minha opinião,  sabe escrever livros adolescentes como ninguém. Ela compreende perfeitamente o mundo jovem. A sua linguagem é fácil, leve e inovadora. Se você quer rir e se apaixonar, leia uma história da Meg. Porém, se você estiver procurando por algo que trate de assuntos densos, eu o aconselho a  ler outra coisa.

A Mediadora é uma das minhas séries favoritas. E isso não é por acaso. Em primeiro lugar, acho a história criativa. Por mais que fantasmas sejam um tema batido, nessa série eles conseguem ser reinventados de uma forma cômica e interessante. Também acho legal legal essa dinâmica “mediadora se apaixona por fantasma”. Típico amor impossível, é verdade. Mas, ainda assim, um pouco inusitado.

Em segundo lugar, eu adoro a personalidade da Suzannah. Sim, ela é durona. Sim, ela é mal – humorada. E, sim, ela não tem papas na língua. Mas e daí? É exatamente isso que a torna diferente de tantas outras personagens “bocós” que vemos por aí nos outros livros Young – Adult.

E em terceiro lugar,  porque gostei muito do final do livro. Eu me surpreendi.Totalmente.

Além de Suze, temos outros personagens interessantes na série. Gosto bastante do Jess, embora ache as crises machistas dele chatas. Mas relevo porque, né, o cara nasceu no século passado. Dá para entender.

Adoro os meio – irmãos da Suze e o Padre Dominic. Eles contribuem muito para a diversão do livro. Não dá para deixá-los de fora. Por outro lado, no que se refere ao personagem Paul (que se torna relevante na história a partir do quarto livro), eu  tenho uma relação de amor e ódio. Mais ódio do que amor, na verdade. É assim: em alguns momentos, até gosto dele. Em outros: poxa, que personagem insuportável! Varia.

Em suma, A Mediadora é uma série que marcou minha adolescência. O meu eu adolescente sempre vai se identificar muito com a Suze. Eu tenho um carinho imenso por todos os seis livros. Levando tudo isso em consideração e considerando também que a finalidade desta história é unicamente divertir e entreter (e não abarcar assuntos densos), a minha nota é: 5/6 – Excelente.

Espero que tenham gostado dessa resenha imensa (tá tão grande que dá preguiça de ler tudo, eu sei). De qualquer forma, conta tudo aí nos comentários. 💋

 

 

Página 13 de 13«1 ...910111213