Resenha: Enfeitiçadas (Jessica Spotswood)

Em 24.08.2017   Arquivado em LITERATURA

 

Sinopse:

Antes do alvorecer do século XX, um trio de irmãs chegará à idade adulta, todas bruxas. Uma delas terá o dom da magia mental e será a bruxa mais poderosa a nascer em muitos séculos: ela terá poder suficiente para mudar o rumo da história, para suscitar o ressurgimento do poder das bruxas ou um segundo Terror.

Quando Cate descobre esta profecia no diário de sua mãe, morta há poucos anos, entende que precisa repensar seus planos. Qual sera a melhor opção: servir a Irmandade, longe dos olhos vigilantes dos Irmãos caçadores de bruxas, aceitar uma proposta de casamento que lhe garanta proteção e segurança ou abandonar tudo e viver um grande amor proibido?

Prepare-se para se encantar com os jovens pretendentes de Cate, abominar o ódio e a repulsa que os Irmãos dedicam a meninas e mulheres, e aguardar ansiosamente pela sequência de As Crônicas das Irmãs Bruxas.

 

Enfeitiçadas é o primeiro volume de uma trilogia que conta a história de três irmãs bruxas: Cate, Maura e Tess.  As três, ainda muito jovens, perderam a mãe para um parto mal sucedido.

Todas, como era de se esperar, sofreram muito com a perda. Mas para Cate, a irmã mais velha, a morte da mãe foi ainda pior. Minutos antes de morrer, a mãe confiou a Cate uma importante e difícil tarefa: proteger a si e as irmãs mais novas.

Em uma sociedade que despreza as mulheres e abomina as bruxas, a segurança só é conseguida com muito custo.  Como se não bastasse portar a condição de mulher, Cate, Maura e Tess são também bruxas. Logo, para elas, se proteger significa o mesmo que esconder dos olhos de todos – e,  especialmente, dos olhos dos Irmãos – a magia que podem realizar.

Cabe pontuar que Os Irmãos é uma sociedade religiosa. Para eles, as mulheres já nascem más e pecadoras. Elas só conseguem se redimir por meio da submissão e da obediência. Enquanto solteiras, devem dirigir a sua lealdade ao seu pai e, se casadas, ao seu marido. O casamento é uma instituição tutelada e prestigiada, devendo as mulheres anunciar a sua intenção (de casar – se com alguém ou, ainda, de entrar para o convento) às vésperas de seu aniversário  de 16 anos. Caso não anunciem, os próprios Irmãos o fazem por elas: escolhem um pretendente e, assim, agendam a data da cerimônia religiosa.

Cate tem 15 anos e faltam poucos meses para o seu aniversário de 16. Logo, encontrar um pretendente é obrigatório. Ou será que entrar para o convento seria uma opção? Ela apenas sabe que precisa se decidir e em breve. E sua decisão deve estar em consonância com o pedido feito pela Mãe no leito de morte. Ela precisa estar próxima de suas irmãs. É necessário protegê-las da Irmandade- e isso, agora, é ainda mais imperativo, haja vista que Cate, ao explorar os velhos pertences da mãe, descobriu um diário e, dentro dele, uma profecia:

Antes do alvorecer do século XX, um trio de irmãs chegará à idade adulta, todas bruxas. Uma delas terá o dom da magia mental e será a bruxa mais poderosa a nascer em muitos séculos: ela terá poder suficiente para mudar o rumo da história, para suscitar o ressurgimento do poder das bruxas ou um segundo Terror.

Será que elas – Cate, Maura e Tess – são as garotas da profecia?

O que eu achei do livro:

Comprei Enfeitiçadas por dois motivos. Primeiro, porque eu adoro histórias sobre bruxas. E esta, em particular, me fazia lembrar de Charmed – uma série dos anos 90 de que eu gosto muito cujo tema é, justamente, três irmãs bruxas. Segundo, porque a capa me chamou bastante atenção.

Infelizmente, devo dizer que este livro me decepcionou bastante. Temos uma protagonista que, simplesmente, não sabe o que quer. Na maior parte do livro, ela está tentando se decidir se deve casar (e com quem deve se casar) ou se deve se juntar ao convento. Os personagens não tem profundidade. São monótonos.

Como de costume, em livros assim, existe um trio romântico.  Há Cate e mais dois pretendentes. De quem ela gosta mais?

A própria sociedade em que Cate vive, no século XIX, é pouca explorada. E isso é um erro. Não consegui entender se estávamos falando da sociedade vitoriana que todos conhecemos – ou se era uma sociedade oitocentista de um mundo à parte. Uma coisa é certa: se estamos falando da NOSSA sociedade vitoriana, existe uma infinidade de dissonâncias históricas.

O final do livro, pelo menos, dá um tom mais vibrante à monotonia que cerceia a história.

Enfim, acho uma pena. O livro poderia ser melhor, até porque ele denuncia algo que realmente aconteceu: a caça às bruxas ou, trocando em miúdos, a caça à independência das mulheres.

Estava tão certa de que o livro poderia ser incrível que até comprei um volume extra e dei-o de presente a uma amiga. Uma pena.

A nota do livro é, portanto, razoável/mediano. Dá para ler, mas podia ser muito melhor.

Irei ler os outros volumes. Mas sem pressa. E, com certeza,  pelo Kindle. Não acho que valha tão a pena comprar em plano físico. Quem sabe a história não melhora nos próximos volumes? Vamos torcer.

 

Nome do livro: Enfeitiçadas

Autora: Jessica Spotswood

Editora: Arqueiro

Páginas: 272 pág.

Resenha: A Vida Secreta Das Abelhas (Sue Monk Kidd)

Em 20.08.2017   Arquivado em LITERATURA

Sinopse:

Tendo como pano de fundo os anos 1960, A vida secreta das abelhas é uma história marcante sobre o poder feminino e o poder do amor. A adolescência de Lily Owens tem sido complicada. Ela não se lembra da morte da mãe, há mais de dez anos, e sua relação com o pai é mais que difícil. Em 1964, quando completa catorze anos, ela decide fugir junto com sua babá Rosaleen. Lily sai a caminho de Tiburon, a cidade que parece esconder alguma resposta sobre a vida de sua mãe. Chegando lá, ela e Rosaleen são acolhidas por três irmãs. Aos poucos, Lily descobre um mundo mágico de abelhas, mel e da Madona Negra. Com a ajuda das irmãs Boatwright —August, May e June —, Lily tenta desvendar sua história. Será que ela conseguirá enfrentar os demônios e seu passado e se tornar uma jovem independente?

Antes de mais nada, cabe pontuar que “A vida Secreta das Abelhas” se passa na quente e racista Carolina Do Sul dos anos 1960. Nessa época, os EUA está em grande efervescência. O direito ao voto é concedido aos negros. E, portanto, a luta pela igualdade e pela isonomia continua.

É nesse cenário social que vive Lily Owens, uma garota branca de 14 anos de idade. Órfã de mãe, a menina mora em Sylvan com o pai, T.Ray.

 Lily é doce, gentil e tem boas notas escolares. Ela seria o orgulho de qualquer pai. Qualquer um, menos T. Ray.   Na verdade, não parece importar a  T.Ray que a menina tenha qualquer qualidade. Para ele, Lily não passa de uma garota mimada que adora enfiar ideias malucas na cabeça.

O fato é que, desde a trágica morte da esposa, T Ray não consegue demonstrar carinho e cuidado por qualquer pessoa. E, por isso mesmo, Lily é confinada a um lar inóspito e sem  amor. O único consolo para a menina é a sua melhor amiga, a negra babá Rosaleen.

Certo dia, a babá e Lily vão à cidade. Rosaleen intenta pegar o seu título de eleitor, haja vista que o direito ao voto foi outorgado aos negros alguns dias antes. E é nesse momento em que a nossa história começa.

Quando, no caminho, Rosaleen é atacada, espancada e, injustamente, levada à prisão por um grupo de brancos,  Lily decide que é hora de fazer alguma coisa. Temendo que algo pior aconteça a sua amiga e, também, movida por uma raiva contra T. Ray, Lily ajuda Rosaleen a escapar da prisão e, junto com ela, foge de casa. Tendo como guia uma foto  que pertencia a sua mãe cuja legenda diz “Tiburon, Carolina do Sul“, Lily determina seu destino. Ela e Rosaleen devem ir para Tiburon, uma cidade que fica há poucas horas Sylvan. Além de Tiburon oferecer o esconderijo necessário, Lily tem a impressão de que encontrará lá todas as respostas de que precisa para desvendar o mistério que foi sua mãe.

Em Tiburon, Lily segue o rastro da foto que pertencia à mãe. A partir da  legenda, descobre as irmãs Boatwright: três negras que, senhoras de seu próprio destino, possuem uma criação de abelhas e, com elas, produzem e vendem o melhor mel da região.  O mel da Madona Negra.

Lily acredita que as três irmãs conheceram sua mãe. Mas, receosa, se abstém de contar a sua verdadeira história. Ora, como ela irá explicar que fugiu de casa e trouxe junto consigo uma fugitiva da polícia? Ainda que Rosaleen tivesse sido presa injustamente,  ela era uma fugitiva e, logo, seria procurada. Não, Lily não poderia contar a verdade. É melhor deixar que as irmãs se afeiçoem por ela e por Rosaleen – para só depois contar quem ela é e perguntar sobre  quem foi sua mãe.

Lily, portanto, inventa uma razão para estar ali, na casa das irmãs. E, muito embora as irmãs pareçam não acreditar muito na versão contada pela menina, elas a acolhem. Rosaleen e Lily podem ficar na casa enquanto precisarem e ajudar nos afazeres domésticos.

Lily aprende, então, a arte da criação de abelhas.  E acaba gostando muito das três irmãs. Excêntricas, práticas e independentes, elas conquistam a Lily completamente.

Dividida entre contar a verdade e ganhar mais tempo, Lily não sabe o que fazer. Mas uma coisa é certa: a palavra “lar” nunca teve antes um significado tão especial.

O que eu achei do livro:

Há alguns anos atrás, eu só conhecia o filme que foi inspirado nessa obra literária. Fiquei muito surpresa quando descobri, através do instagram de uma amiga, a existência do livro. Quis logo comprar, porque adoro o filme e achei que iria gostar do livro também. E, bom, não deu outra: que leitura boa! A história é linda, linda – sinceramente.

Preciso destacar alguns detalhes sobre a forma de narrativa de Sue Monk Kidd: ela é doce, inteligente e flui muito bem. Combinou perfeitamente com a história – que também é doce, inteligente e gostosa de ler.

É preciso salientar que as personagens são bem construídas. A escritora delineia mulheres fortes e independentes. Todas as irmãs Boatwright têm personalidades com algum traço muito marcante. August é uma líder nata, May é de uma sensibilidade e humanidade extrema  e June é ranzinza, mas tem bom coração.

Rosaleen, a babá de Lily,  é uma mulher sofrida – e sem bons modos – mas que está sempre preparada para lutar pelos seus direitos. Lily é uma menina gentil e inteligente em processo de amadurecimento.

A Vida Secreta Das Abelhas trata de assuntos densos e o faz de uma forma adorável e nada cansativa. Ele fala sobre adolescência, sobre crescer, sobre o primeiro amor, sobre a igualdade, sobre os direitos  humanos, sobre a amizade, sobre o empoderamento feminino e, também, sobre a  família.

Ás vezes, nossa família pode não ser o que desejamos que ela seja. A verdade é que as pessoas dificilmente serão o que esperamos. Idealizamos muito e vivemos a realidade de menos.  Porém, vez ou outra, isso não quer dizer que, essas mesmas pessoas, não nos amem. Podem até amar e, ao mesmo tempo, não saber como viver ou demonstrar isso. Ninguém é perfeito.  Cada um traz consigo uma bagagem pessoal, um contexto e um passado. Esse passado pode ser doloroso. E a dor molda as pessoas. E as impede de demonstrar amor e carinho. Isso é um fato. Precismos aprender a perdoar os outros por isso. Precisamos nos fortalecer e sair em busca da nossa própria felicidade. Como fez Lily – e cada um dos outros personagens desse livro.

O mundo é, sim, injusto. Mas essa é, afinal, a história mais antiga de todas. Nunca podemos nos cansar de lutar pelos nossos direitos. Não podemos desistir de procurar o nosso lugar ao sol.  Pois, no fim das contas (e aqui faço referência a mais um livro maravilhoso), o sol é para todos.

A nota que dou para este livro é, portanto, 5/6 (Excelente).  Termino essa resenha fazendo uma breve explicação sobre o título do livro: no decorrer da história, August – como criadora de abelhas- ensina tudo a Lily sobre o mundo secreto desses insetos. E cada ensinamento é, na verdade, uma metáfora para o momento que a menina está vivendo.  A própria escritora transcreve, no início de todos os capítulos, um trecho de um manual sobre a criação das abelhas – trecho que serve de prólogo para o que acontecerá, a seguir, na história.

Nota: Excelente.

Nome do livro: A Vida Secreta Das Abelhas;

Autora: Sue Monk Kidd;

Editora: Paralela;

Páginas: 256.

Resenha: A Casa Do Lago (Kate Morton)

Em 04.08.2017   Arquivado em LITERATURA

 

Sinopse:

A casa da família Edevane está pronta para a aguardada festa do solstício de 1933. Alice, uma jovem e promissora escritora, tem ainda mais motivos para comemorar: ela não só criou um desfecho surpreendente para seu primeiro livro, como está secretamente apaixonada. Porém, à meia-noite, enquanto os fogos de artifício iluminam o céu, os Edevanes sofrem uma perda devastadora que os leva a deixar a mansão para sempre.

Setenta anos depois, após um caso problemático, a detetive Sadie Sparrow é obrigada a tirar uma licença e se retira para o chalé do avô na Cornualha. Certo dia, ela se depara com uma casa abandonada rodeada por um bosque e descobre a história de um bebê que desapareceu sem deixar rastros. A investigação fará com que seu caminho se encontre com o de uma famosa escritora policial. Já uma senhora, Alice Edevane trama a vida de forma tão perfeita quanto seus livros, até que a detetive surge para fazer perguntas sobre o seu passado, procurando desencavar uma complexa rede de segredos de que Alice sempre tentou fugir.

Quem já leu os livros anteriores de Morton, sabe que ela é mestre em construir tramas paralelas que, em algum momento da linha temporal, se encontram. Normalmente, a primeira trama acontece no presente, enquanto que a segunda acontece no passado. Isso é marca do estilo da autora. Está presente, via de regra, em todos os seus livros.

A Casa Do Lago – obra mais recente de Morton – não foge dessa constante.

Na história, primeiramente, nós somos apresentados à Sadie Sparrow, uma detetive que, após lidar com um caso particularmente difícil na polícia, é forçada a tirar licença . Com o intuito de aproveitar as suas “férias”, ela se desloca para um pequeno chalé Cornualha, onde o seu avô reside.

Alguns dias após sua chegada ao chalé, Sadie resolve fazer uma corrida pelo arreadores. No percurso, ela acidentalmente esbarra em uma belíssima e desabitada mansão que fica bem no meio da mata. Intrigada com o abandono da propriedade, ela se põe a pesquisar da história da família que costumava viver ali – os Edevane – e acaba por descobrir um terrível acontecimento no ano de 1933: o desaparecimento de um bebê, o caçula da família – o pequeno Theo Edevane. O caso, que abalou a todos, nunca foi resolvido.

A família Edevane, alguns meses após o desaparecimento, decide partir da Cornualha e se mudar para Londres,

Alice Edevane é uma renomada e metódica escritora policial. Embora os seus livros sejam conhecidos e adorados pela qualidade das tramas misteriosas que apresentam, poucas pessoas sabem que a autora, ela mesma, já esteve bem no centro de um devastador e muito real caso de mistério. Aos 16 anos, Alice perdeu o seu irmãozinho. Este desapareceu sem deixar rastros em uma quente e festiva noite de verão.

Setenta anos depois do fatídico acontecimento de 1933, os caminhos de Sadie Sparrow e Alice Edevane irão se cruzar em prol de um objetivo em comum: ambas se determinam a descobrir o que aconteceu durante aquela noite. Afinal, qual foi o destino do pequeno Theo Edevane?

O que eu achei do livro: 

Não estou exagerando quando digo que Kate Morton é assombrosa. Ela, de fato, está entre as minhas escritoras favoritas. Todas as suas obras são bem construídas, com desenvolvimentos impecáveis e finais surpreendentes.

Mestre em traçar tramas paralelas, a autora sempre lança mão do discurso indireto livre (em que  a voz do personagem se mistura com a voz do narrador).  A “tragédia” também marca presença constantemente em seus romances.

Kate Morton discursa sobre a força de nossas ações e o quanto elas podem interferir no futuro. Os segredos de família – verdadeiros protagonistas de sua obra – dão movimento à história. Engana-se quem pensa que existe um vilão determinado e específico.  O papel de antagonista é reservado às convenções sociais. Estas é que cerceiam a liberdade dos personagens, moldando o destino destes e impedindo os finais felizes.

Quanto aos personagens, é desnecessário dizer, mas, mesmo assim, eu digo: eles são muito bem construídos. Possuem credibilidade.  Em geral, são figuras femininas – mulheres incríveis e fortes.

Em “A Casa do Lago“, eu percebi todas as características descritas acima – características essas que também estão presentes nos outros livros, aqueles menos recentes.

Entretanto, confesso que, para mim, essa obra não teve o mesmo esplendor e brilhantismo de suas predecessoras. Não estou dizendo que ela é ruim. Pelo contrário, ela continua sendo excelente. Apenas perde um pouco de seu encanto se comparada a obras como As Horas Distantes, O Jardim Secreto de Eliza ou A Casa das lembranças Perdidas (esta ainda não possui resenha por aqui).

Pareceu a mim que o grande mistério de “A Casa do Lago” foi mais fácil de ser descoberto. Dessa vez, a autora não conseguiu, com tanta eficácia,  esconder a verdade dos olhos mais atentos. As entrelinhas puderam ser lidas com maior tranquilidade.

De qualquer forma, foi uma leitura maravilhosa! Ela me prendeu do início ao fim. Logo, a nota não pode ser outra além de 5/6 – Excelente.

Cabe ressaltar também que, enquanto os romances anteriores de Morton foram publicados pela Rocco Brasil, este romance (A Casa do Lago) foi publicado pela Editora Arqueiro. Gostei bastante dessa novidade, haja vista que a Arqueiro teve um capricho imenso na diagramação do livro. As páginas são amareladas e a capa é lindíssima.

No mais, vale repetir: o livro é muito bom. Vale a pena ler. É claro que vale! Afinal, é da grande Kate Morton que estamos falando.

Nome do livro: A Casa Do Lago;

Autora: Kate Morton;

Editora: Arqueiro;

Páginas: 464.

Página 2 de 33123456... 33Próximo