Resenha: A Guardiã Dos Segredos Do Amor (Kate Morton)

Em 25.10.2017   Arquivado em LITERATURA

Sinopse:

Ninguém escreve melhor sobre segredos de família do que a australiana Kate Morton. Com três bem-sucedidos romances na bagagem – A casa das lembranças perdidas, O jardim secreto de Elisa e As horas distantes -, todos publicados no Brasil pela Rocco, a autora superou a marca de sete milhões de exemplares vendidos, em 32 idiomas. Seu novo livro, A guardiã dos segredos do amor, tem início quando a jovem Laurel Nicolson testemunha um crime que desafia tudo o que ela sabe sobre sua mãe, Dorothy. Quinze anos depois, Laurel decide passar a limpo o episódio, mergulhando numa história fascinante de mistérios e segredos do passado, assassinato e amor. Perfeito para fãs de clássicos romances femininos e de época.

 

E vamos a mais um romance arrebatador e perfeitamente concatenado da maravilhosa Kate Morton. Já deu para perceber que eu sou só elogios sobre essa mulher né?! E sou mesmo.

É impossível não se surpreender com as obras de Morton. I-M-P-O-S-S-Í-V-E-L. Ao fim de A Guardiã Dos segredos do Amor, eu estava assim: de queixo caído.

O livro começa com uma Laurel adolescente que, numa quente tarde de verão, enquanto a família está fazendo um piquenique para comemorar aniversário do irmão caçula, se esconde na casa da árvore com o intuito de ler… e sonhar. Apesar de ser segredo – e este, até então, só ter sido revelado a um rapaz de quem Laurel gosta – ela sonha em fazer as malas e tentar a sorte na cidade grande. Laurel quer ser atriz. Ela quer uma vida livre. Emocionante. E feliz.

No meio da tarde, entretanto, a garota desperta de seus devaneios e vê a mãe subir a fazenda e entrar em casa.  O irmão mais novo está no colo. Ela sabia que a mãe viria. Ora, a faca  para cortar o bolo de aniversário havia ficado esquecida em cima da mesa. A própria Laurel, mais cedo, cogitou em levar a faca e ser, então, a salvadora da festa. A irmã mais velha que, de forma responsável, lembrou-se do item mais necessário.

No entanto, Dorothy,  a sua mãe, adiantou-se. Assim que esta cruza a soleira da porta, Laurel também vê, ao longe, um homem subir a fazenda. Laurel pensa em avisar a mãe, mas não o faz.  Ora,  homem está bem vestido. Não é nenhum ladrão. Provavelmente, é apenas um viajante em busca de informações. Ao menos,  é isso o que Laurel imagina momentaneamente.

O homem, então, chega à casa. Laurel escuta uma leve discussão. E, logo em seguida, observa a mãe descer a faca – a faca do bolo – no peito do estranho visitante. Laurel desmaia. E, quando acorda, ainda na casa da árvore, pensa que tudo foi um sonho. Até ver o carro da polícia estacionado na frente de sua casa.

Laurel tem certeza de que Dorothy agiu em legítima defesa.  Por isso, ao chegar na sala de visitas, onde estão os policiais, ela testemunha ter presenciado tudo. E mais: diz que sua mãe apenas estava protegendo a si mesma e ao bebê . O homem era um louco. É claro que foi legítima defesa.   Afinal, como Dorothy poderia matar alguém tão a sangue – frio?!

Décadas mais tarde, Laurel é uma atriz famosa. E sua mãe, Dorothy, está  muito velha e com os dias contados.

Dizem que quando a morte de uma pessoa que amamos está próxima, ela traz consigo as melhores e, também, as piores lembranças. Laurel sabe que isso é verdade, pois, desde então, os acontecimentos daquela fatídica tarde de verão não param de soar na sua cabeça. Será que ela fez certo ao testemunhar sobre a inocência da mãe? Foi legítima defesa, não foi? Laurel já não tem tanta certeza. Quem era aquele homem? O que foi dito naquela discussão? Laurel  precisa descobrir. Laurel precisa vasculhar o passado e conhecer a  história da mãe. E, dessa forma, fazer as suas últimas perguntas. As perguntas certas – antes que seja tarde demais.

O que eu achei do livro:

O livro é maravilhoso! Somos, mais uma vez, levados a uma fantástica viagem no tempo.

O cenário é a Londres da Segunda Guerra Mundial, onde iremos reconstruir a história de Dorothy e das pessoas que estiveram presentes no seu passado.

Conhecemos Jimmy, o ex – namorado de Dorothy – um homem leal, simples e romântico que ganha a vida com a fotografia. Por meio das suas lentes, ele captura todos os horrores da guerra. E captura também os laços de amor, empatia  e amizade que nascem no caos.

Conhecemos a bonita e reservada Vivian – vizinha e colega de Dorothy. Uma mulher que é muito mais do que aparenta ser.

A vida e os infortúnios da guerra unem esses três personagens. Por meio deles, de seus segredos e de suas histórias, iremos compreender quem foi Dorothy e o que  a levou a agir como agiu naquela fatídica tarde de verão.

Eu gostei muito de A Guardiã dos Segredos Amor. Os congruentes detalhes históricos, a profundidade dos personagens e o final inusitado trazem excelência para esta obra.

Confesso que o início do livro me pareceu moroso e eu tardei a engatar na história. Porém, pouco a pouco, fui entrando no ritmo. Até que mergulhei por inteiro.

Mais uma vez, somos levados a questionar a força do destino ou, como prefiram chamar, do acaso. Os segredos, como sempre, têm uma  posição privilegiada e movem a história, página por página.

É um livro denso, detalhista e desenvolvido com a típica narrativa de Kate Morton. Vale a pena.  Mil vezes a pena. ESTRONDOSO.

Nome: A Guardiã Dos Segredos do Amor;

Autora: Kate Morton;

Editora: Rocco;

Páginas: 544 pág.

 

Resenha: Cidade Dos Etéreos (Ransom Riggs)

Em 22.10.2017   Arquivado em LITERATURA

Sinopse:

Cidade dos etéreos dá sequência ao celebrado O orfanato da srta. Peregrine para crianças peculiares, em que o jovem Jacob Portman, para descobrir a verdade sobre a morte do avô, segue pistas que o levam a um antigo lar para crianças em uma ilha galesa. O orfanato abriga crianças com dons sobrenaturais, protegidas graças à poderosa magia da diretora, a srta. Peregrine.

Neste segundo livro, o grupo de peculiares precisa deter um exército de monstros terríveis, e a srta. Peregrine, única pessoa que pode ajudá-los, está presa no corpo de uma ave. Jacob e seus novos amigos partem rumo a Londres, cidade onde os peculiares se concentram. Eles têm a esperança de, lá, encontrar uma cura para a amada srta. Peregrine, mas, na cidade devastada pela guerra, surpresas ameaçadoras estão à espreita em cada esquina. E, além de levar as crianças a um lugar seguro, Jacob terá que tomar uma decisão importante quanto a seu amor por Emma, uma das peculiares.

Telecinesia e viagens no tempo, ciganos e atrações de circo, malignos seres invisíveis e um desfile de animais inusitados, além de uma inédita coleção de fotografias de época — tudo isso se combina para fazer de Cidade dos etéreos uma história de fantasia comovente, uma experiência de leitura única e impactante.

O livro Cidade Dos Etéreos se inicia no exato momento em que o livro anterior terminou. As crianças estão em um mini barco, tentando escapar de seus perseguidores, os acólitos.

Quando a fenda temporal da Srta. Peregrine foi destruída (e ela aprisionada na forma de ave),  não restaram muitas opções às crianças – a não ser fugir.

Amedrontados pelo destino de sua amada diretora – que, a cada hora que passa como ave, corre maior risco de nunca mais retornar a sua forma humana –  as crianças decidem buscar ajuda. Apesar dos ataques de acólitos e etéreos ter aumentado, ainda devem existir fendas temporais intactas. Ainda devem existir Ymbrines não capturadas e, portanto, capazes de transformar a Srta. Peregrine na mulher arrebatadora que ela sempre foi. Não, não apenas devem existir … elas precisam existir.

Não podendo permanecer muito tempo no presente  (pois, se permanecessem, envelheceriam muito rápido), as crianças viajam por diferentes fendas temporais e, logo, por diferentes momentos do passado.

É por meio dessas viagens no tempo que aprofundaremos nosso conhecimento sobre o mundo dos peculiares e, mais especificamente, sobre o mundo criado por Ransom Riggs. Cidade dos Etéreos é um livro que, em suma, fala sobre descobertas, sendo estas regadas a um ritmo eletrizante e  bastante animador.

O que eu achei do livro: 

A maior diferença entre o primeiro livro da trilogia, resenhado aqui, e este livro é o ritmo. Conforme explicitado acima, Cidade Dos Etéreos é uma leitura que flui muito bem e de forma rápida. Não vemos o passar de páginas.  No livro anterior, o ritmo era mais moroso e descritivo. Neste livro, pelo contrário, a narrativa se dá de forma mais veloz e tem mais acontecimentos. Gostei bastante disso.

Adorei conhecer outros detalhes sobre o mundo peculiar. Adorei viajar pelas diversas fendas temporais. E gostei muito, inclusive, de ler outras facetas sobre a Londres da Segunda Guerra Mundial.

Enfim, preferi este segundo livro ao primeiro. Foi uma ótima leitura. Eu me diverti em vários momentos, haja vista que Riggs tem um humor negro adorável e que combina (e muito) com o clima do mundo peculiar.

Desnecessário, talvez, dizer … mas, ainda assim, direi: que edição incrível! Capa dura, fonte e diagramação caprichada e fotos maravilhosamente assustadoras (que, é claro, combinam perfeitamente com a narrativa).

Valeu a pena a leitura. Excelente. E vamos, então, ao terceiro livro!

Nome: Cidade Dos Etéreos;

Autor: Ransom Riggs;

Editora: Intrínseca;

Páginas: 384 pág.

Página 2 de 33123456... 33Próximo