Resenha: Anexos (Rainbow Rowell)

Em 02.12.2017   Arquivado em LITERATURA

 

Sinopse: 

Beth Fremont e Jennifer Scribner-Snyder sabem que alguém está monitorando seus e-mails de trabalho. (Todo mundo na redação sabe. É política da empresa.) Mas elas não conseguem levar isso tão a sério, e continuam trocando e-mails intermináveis e infinitamente hilariantes, discutindo cada aspecto de suas vidas.
Enquanto isso, Lincoln O’Neill não consegue acreditar que este é agora o seu trabalho – ler os e-mails de outras pessoas. Quando ele se candidatou para ser “agente de segurança da internet”, se imaginou construindo firewalls e desmascarando hackers – e não escrevendo um relatório toda vez que uma mensagem esportiva vinha acompanhada de uma piada suja. Quando Lincoln se depara com as mensagens de Beth e Jennifer, ele sabe que deveria denunciá-las. Mas ele não consegue deixar de se divertir e se cativar por suas histórias. No momento em que Lincoln percebe que está se apaixonado por Beth, é tarde demais para se apresentar. Afinal, o que ele diria…?

 

Beth é uma mulher apaixonada pela sua profissão. Ela trabalha como jornalista, escrevendo críticas sobre cinema. O trabalho perfeito, haja vista que assistir a filmes é uma das coisas que ela mais ama na vida.

A sua melhor amiga é Jennifer, uma das jornalistas com quem ela divide a sala de redação.

Apesar de as duas saberem que o seus e-mails estão sendo monitorados (o ano é 1999 e a internet ainda é uma novidade), sendo estritamente proibido mandar mensagens de cunho pessoal, elas acreditam que nunca serão pegas.  E, sendo assim, se comunicam constantemente pelo correio eletrônico quando estão trabalhando.

Mal elas sabem que todas as mensagens que trocam vão parar no computador de Lincoln, o “agente de segurança da internet” contratado pelo jornal. Lincoln é um nerd meio perdido na vida. Quando ele aceitou o  emprego de “agente de segurança”, ele se imaginou fazendo qualquer coisa, menos invadindo a privacidade dos outros.

Ele compreende que precisa denunciar Beth e Jennifer. Afinal de contas, esse é o seu trabalho! Mas o problema é que toda vez que ele lê um e-mail das duas, não consegue evitar sorrir. Beth e Jennifer são muito divertidas -especialmente Beth. Ele adora o jeito que Beth escreve: ela é confiante, mordaz e  engraçada. Só pelo jeito de escrever, ele sabe que ela deve ser uma mulher atraente. Pessoas confiantes e simpáticas sempre transparecem beleza, no fim das contas.

No entanto, quando ele percebe que sua fixação por Beth está ficando cada vez mais séria, ele se afasta. Tenta deixar os e-mails de lado. Ele pode fazer qualquer coisa, exceto se apaixonar por Beth. Não, ele não pode mesmo se apaixonar por Beth. Porque ela tem namorado. E porque ele invadiu a sua privacidade vezes sem conta. Ele sabe tudo sobre Beth. Porque Beth contou tudo a ele. Ou melhor, não a ele – mas a sua melhor amiga Jennifer. E ele leu palavra por palavra, tim-tim por tim-tim. Não importa que esse fosse o seu trabalho. Nenhuma mulher iria compreender isso. Afinal de contas, é possível se apaixonar antes do “à primeira vista”?!

O que eu achei do livro: 

Devo confessar que, depois de Eleanor & Park, Anexos se tornou o meu livro preferido da Rainbow. Amo o jeito que a autora constrói os seus personagens e desenvolve a narrativa. Rainbow, definitivamente, tem um jeito meio peculiar de contar histórias. E eu adoro isso nela. A narrativa é sempre doce – mas não doce demais – sarcástica e muito, muito real.

Beth é uma personagem incrível. Eu me identifiquei muito com ela, sabe? O seu comportamento, os seus gostos e dúvidas. Ela é uma mulher independente, mas que ainda acredita no amor. Ela ainda adora o romance, mesmo que o seu atual relacionamento não seja nada romântico.

Lincoln é um rapaz tímido, que também tem o peso de um longo relacionamento nas costas. Um relacionamento que ele, até então, nunca conseguiu deixar realmente para trás.  Ele sente que a sua vida não progride, pois voltou a morar com a mãe e está preso em um emprego que detesta. Ele não sabe quais são os seus pontos fortes e nem o que quer fazer da vida.

Nesse sentido, Anexos é um livro que fala sobre superação, amadurecimento e amor. É um livro romântico e cheio de sutilezas – não há dúvida quanto a isso. Mas não é um romance bobo ou clichê. Os livros da Rainbow costumam fugir dessas tipificações. É um romance sensível, maduro e bonito. Eu fiquei encantada. De verdade.

Senti que Anexos tem uma leve semelhança com um filme que adoro, contracenado por uma das minhas atrizes favoritas (Meg Ryan): Sleepless in Seattle. Acho que a autora se inspirou nele. Não é à toa que ela o cita em alguns trechos da narrativa. E eu gostei muito disso. Em ambos os casos – filme e livro – uma pergunta ecoa. É possível se apaixonar antes do “à primeira vista”? Sam e Annie (personagens de Sleepless in Seattle) poderiam responder isto. Assim como Beth e Lincoln podem.

Nome do livro: Anexos;

Autora: Rainbow Rowell;

Editora: Novo Conceito;

Páginas: 368 páginas.

 

 

 

 

Down The Rabbit Hole …

Em 26.11.2017   Arquivado em PESSOAL

“Alice estava começando a se cansar de ficar ali sentada ao lado da irmã no barranco e não ter nada que fazer: uma ou duas vezes espiara o livro que sua irmã estava lendo, mas não tinha figuras nem diálogos, “e para que serve um livro”, pensou Alice, “sem figuras nem diálogos?” Assim, meditava com seus botões (tanto quanto podia, porque o calor aquele dia era tal que ela se sentia sonolenta e entorpecida) se o prazer de fazer uma guirlanda de margaridas valeria o esforço de levantar-se e colher as margaridas, quando de repente um coelho branco com olhos rosados passou correndo perto dela.”

 

Resenha: Para todos os garotos que já amei (Jenny Han)

Em 13.11.2017   Arquivado em LITERATURA

Sinopse: 

Lara Jean guarda suas cartas de amor em uma caixa azul-petróleo que ganhou da mãe. Não são cartas que ela recebeu de alguém, mas que ela mesma escreveu. Uma para cada garoto que amou. São cartas sinceras, sem joguinhos nem fingimentos, repletas de coisas que Lara Jean não diria a ninguém, confissões de seus sentimentos mais profundos.
Até que um dia essas cartas secretas são misteriosamente enviadas aos destinatários, e de uma hora para outra a vida amorosa de Lara Jean sai do papel e se transforma em algo que ela não pode mais controlar.

Para Todos Os Garotos Que Já Amei conta a história de Lara Jean e de suas cartas de amor/despedida. Cinco ao todo. Cartas que ela não tinha a pretensão de enviar, mas  apenas de escrever.  Quando Lara Jean escreve, ela coloca tudo o que sente no papel.  Escrever é uma forma de se exorcizar. Uma forma de dizer adeus.

Lara Jean é  meio coreana, romântica e bastante tímida. Ela adora fazer colagens, guardar fitinhas e assar doces.

Quando Lara perdeu a mãe aos 10 anos, a irmã Margot cuidou de tudo e assumiu a responsabilidade para com as duas irmãs mais novas –  a própria Lara Jean e, também, a pequena Kitty.

Margot só tinha 12 anos na época. Ainda era, de certa forma, uma criança. Mas sabia que precisava cuidar das irmãs. Afinal de contas, o pai – um ginecologista atarefado –  teria pouco tempo para educar três menininhas sozinho.

No momento em que Lara Jean completa 16 anos, ela sabe tudo está prestes a mudar. A irmã mais velha, Margot, está indo para faculdade – que não é apenas longe de casa, mas em outro país, na Escócia. Logo, Lara  Jean ficará mais solitária e perdida do que nunca.

Ela deverá assumir todas as tarefas de Margot e cuidar de Kitty.  E, para isso, será obrigada a enfrentar alguns medos (como o de dirigir) e superar a timidez.  Como se tudo isso já não fosse o bastante, as cartas secretas de Lara Jean – as cinco cartas de “desamor” – são enviadas misteriosamente para seus destinatários. Alguns estudam no mesmo colégio que ela; outros não. E ela não sabe como vai encará-los no dia seguinte.

É, portanto, tempo de amadurecer.

O que eu achei do livro:

Para Todos Os Garotos Que Já Amei fala sobre crescer, mudar e amadurecer. E tudo isso em uma roupagem adolescente.

Enquanto não enfrentarmos nossos medos, jamais poderemos viver de forma real ou intensa. Eis o grande dilema da personagem principal – uma garota que pensava ter amado muitas vezes, mas que ainda não tinha descoberto o que era gostar de alguém de verdade.

Lara Jean não é uma personagem com quem me identifico muito. Mas isso não me fez gostar menos dela. Consegui compreender, dado o seu contexto de vida  – uma garota que sofreu com perda da mãe e, consequentemente, foi  superprotegida pela família – o comportamento tímido e inocente.

Adorei a narrativa de Jenny Han. Fluida, intimista e doce. Deixou a leitura muito mais prazerosa.

Gostei bastante do livro. Só não o achei excelente pela falta de surpresas. Por ser um livro bastante adolescente – e eu já não estar mais na adolescência – não senti aquela conexão com os acontecimentos, sabe? Apenas não foi surpreendente.

Por essa razão, a nota que dou para este livro é 4/6 – bom.  Pretendo ler os outros volumes da série, porque a escrita de J. Han vale muito a pena. De verdade.

Nome do livro: Para Todos Os Garotos Que Já Amei;

Autora: Jenny Han;

Editora: Intrinseca;

Páginas: 320 páginas.

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