Quinzena das Reminiscências – 6° texto

Em 03.02.2017   Arquivado em PESSOAL

O texto de hoje é meio bobinho, mas representa um momento muito marcante na  minha vida.  Eu estava com 15 anos e tinha acabado de “terminar” um pequeno relacionamento. Estamos falando aqui do terceiro rapaz.  Nascido sob o signo de câncer, ele era músico. Nós dois, na época, pretendíamos montar uma banda. Eu no vocal e ele no violão (não havíamos descoberto ainda os outros integrantes). Gostávamos muito de Kid Abelha e Engenheiros do Hawaii.

Depois de algumas conversas, nós decidimos que seríamos apenas amigos porque ele queria continuar solteiro –  e eu queria algo mais sério.

Lembro que fiquei bastante revoltada com essa decisão. Não entendia essa fixação por “continuar solteiro”. Daí resolvi escrever esse mini texto que fala basicamente de três coisas: do fim de um relacionamento; do pós – modernismo e suas relações líquidas; e da música Infinita Highway da banda Engenheiros do Hawaii.

Eu acho que a mensagem é basicamente esta: eu não tenho medo de estreitar relações. Mas de nada adianta ter bravura em um mundo covarde. Um mundo que prega a banalização de relações sociais – sejam elas de qualquer tipo. Era um momento em que eu queria tentar ser diferente e me render.

Hoje, eu entendo perfeitamente a decisão dessa cara. Querer ser solteiro é normal e até saudável.  Precisamos conviver primeiro conosco para só depois nos comprometermos com o outro.

A Bruna de antes acreditava em “viveram felizes para sempre” e em “amores eternos”. A Bruna de hoje até acredita no “eu te amo para sempre”. Mas ela acredita também que, ás vezes, o amor não é suficiente. Ás vezes, a vontade de desbravar o mundo se sobrepõe a tudo.

De qualquer forma, o que importa mesmo é ser feliz. Seja como for e com quem for.

Fim da “introdução”. Vamos ao texto:

Também posso não fazer sentido.

 

 

Sem muito o que pensar,  eu codifico opiniões e me contradigo como forma de ir levando o  meu caminho.
Se você quer viver à lá boêmia, eu também decido assim.  Encontro – me na cantoria formulada e inteligente –  assim como você se achou um dia.

Sem fórmulas e nem mesmo com a pretensão de saber onde isso vai parar ou como vai ser o término da novela.

Não tenho medo, mas cansei de ser muito corajosa e encarar algo que ninguém olha de frente.

Talvez a vida seja sistema ou talvez seja melodia.
Não sei e não quero saber.

”Estamos sós e nenhum de nós sabe exatamente onde vai parar. ”
A vida é confusão, a vida é a América central. É viver de novas perspectivas.  É inútil ter certeza, pois as placas ” não corra , não morra ” aparecem aqui no horizonte também. O sistema é feito de clones.

Estamos vivos e é tudo. É a minha infinita highway.

Sou contradição.E não sou  obrigada a fazer sentido o tempo todo.

Então, apenas desligue o telefone se eu ficar muito abstrata.