Reminiscências – texto

Em 06.02.2017   Arquivado em PESSOAL

O texto de hoje se chama “Procurando por uma roupa”. Ele foi escrito quando eu tinha 15 anos. Nele, usei metáfora: ás vezes, procurar por um namorado e procurar por um vestido podem ser atos muito semelhantes.

A inspiração para esse texto veio do meu segundo amor. Ele era de aquário. E o nosso “relacionamento” foi um conjunto interminável de idas e vindas. E isso sempre me fez questionar um negócio chamado “força do destino”. Será que existe? Ou será que não?

Procurando por uma roupa…

Exigi! Roguei que desaparecêsseis. Solicitei o esquecimento.

Implorei a vós que nunca mais voltásseis! E …
 Vão.

Teimosia tanta essa a sua e a minha. A cabeça rodava e as borboletas saíam do estômago.

As súplicas não surtiram muitos efeitos. Apenas um: o nocivo.  As datas diferem, mas o meu vício por você nunca muda. 

 Eu preciso ver a realidade tal como ela é, pois mesmo que a mente perceba a difusão de fatos tão claramente, o coração envenena, escurece e engana. Ele faz com que sombras distorcidas se tornem o protótipo da vontade satisfeita. A tonalidade sempre desafina, mas eu prefiro tampar os ouvidos.

– Hum, esse azul é safira. Você não procurava por azul celeste?
– Bom, essa cor pode funcionar para o meu céu também.
– Entendo. Você deseja pintar uma tempestade?

Escuto os resmungos e cochichos ao meu redor. Eles dizem: Perceba aquele que está olhando.

Olho. Converso. Reflito. E uso metáfora!

Adoro roupas que vestem  e que, com suas cores, nos alegram; então vou à uma loja. Vejo que existem inúmeras roupas, com tamanhos, cores e pormenores diversos.

De que me adianta pegar um vestido lindo se ele não é do meu tamanho? Se ficar pequeno, aperta. Se grande demais, muito largo.

E se eu encontrar um que não tem nada a ver comigo?

Há alguns muito bonitos, mas quando peço para ver um, a atendente sorri amarelo e diz que ele não pode ser vendido – ainda que o meu dinheiro seja suficiente. Alguém já o comprou.

Para outros, o meu dinheiro, infelizmente, não é o bastante.

Por vezes, quero desistir. Eu penso que posso usar um vestido que já tenho. Aquele que vive guardado no fundo do meu guarda-roupa. Posso usá-lo –  mesmo que ele seja velho. Mesmo que ele já tenha me deixado na mão em outras ocasiões. Mesmo que ele, vez ou outra, desapareça do cabideiro sem qualquer motivo aparente.

Será que ele ainda me veste bem?

E isso me traz de volta à questão principal: preciso continuar indo às lojas. Preciso continuar procurando uma roupa que me caia bem … uma novinha em folha.

Suspiro! Desanimo. Mas me levanto e peço que você me entenda: só vou comprar algo que vá combinar comigo e me deixar valorizada por um bom tempo.