Quinzena das Reminiscências – 9° texto

Em 09.02.2017   Arquivado em PESSOAL

Esse post faz parte do mini projeto A Bruna que foi um dia e os seus amores.

O texto de hoje foi escrito quando eu tinha 15 anos. Ele fala sobre mim. Ou melhor, não sobre mim  – mas sobre a Bruna adolescente. Aquela Bruna que detestava rotina e regras sociais.

Eu mudei. Não em relação ao fato de odiar rotina – continuo odiando – mas em relação ao fato de não gostar de regras sociais. Hoje, eu admito que nem todas elas são descartáveis. Na verdade, algumas são extremamente úteis. Hoje, a minha rebeldia é mais contida – e isso é um fato.

Mas, pois bem. Deixem – me apresentar a vocês eu mesma. Eu mesma com 15 anos. Eu, adolescente rebelde, com 15 anos. Eu na vibe “Another Brick in the Wall” com 15 anos. Eu na … ah, esquece.  Vocês entenderam, né? haha

Então vamos lá!

 

All star de cano alto.

Se lhe mandavam ser santa, ela teimava que preferia ser puta.

Falavam-lhe: comporte-se. Moças não agem assim. Erro! Ela chacoalhava os ombros e fazia. Adolescente incorrigível – pura e simplesmente.

Revoltada, porque usava cano alto – ao menos, era isso o que diziam os seus colegas de escola. E ela? Sem os sorrisos de praxe, ela se transformava na barreira de apoio dos fracos e oprimidos.  Barreira intransponível, ela batia de frente com o  bullying alheio.

Odiava as tácitas convenções sociais. Era cabelo vermelho e rock n’ roll a noite inteira. Porque usava preto, achavam que ela estava de porre o dia todo.

Tão doce e tão meiga. Ela era?! Era. Mas apenas alguns eram merecedores do seu semblante sorridente.

Ela gostava de colocar ideias em práticas. Detestava a palavra “alienação” e todas as suas implicações derivadas. Dizia que a humanidade (no geral) era podre – e não merecia ser salva.

Ela contava com alguns poucos amigos. Gente de ideia. Gente de cabeça. Gente de papo e moral.

O seu vocabulário era floreado de gírias – e nem por isso inferior. Formalidades forçadas não eram a sua praia. Ela simpatizava com a simplicidade. Pessoas simples. Pessoas sinceras. Práticas. E loucas – ao menos, por um mundo melhor.

Diálogo era a sua palavra – personalidade.  Ela detestava rotina e queria falar de sociologia, música, cinema e literatura o tempo todo. Era uma pensadora. Ela só queria encontrar o seu lugar nesse mundão imenso.

De tanto ouvir canto de passarinho afora,  ela fugiu. Correu. Dobrou a esquina. Pegou o ônibus de um lugar para qualquer lugar.  Across The Universe. Sem destino e sem regras. Feliz e louca por uma tragada de liberdade. E lá se vai (e já se foi) a nossa personagem – tipo.

Sabe, ás vezes, é isso o que somos: personagens -tipo, com histórias diferentes – mas desejos iguais.