Quinzena das Reminiscências – A Bruna que foi um dia e seus amores (2° Texto)

Em 30.01.2017   Arquivado em PESSOAL

Esse post faz parte do mini projeto “A Bruna que foi um dia e os seus amores“.

O texto de hoje se chama “Sem título Titubeado”. Eu o escrevi quando tinha 15 anos e ele foi publicado, inclusive, no livro da Academia de Letras de minha cidade.

Os meus 15 anos foram um período de descobertas e de amadurecimentos. Era a fase de transição entre a minha infância e a minha adolescência/juventude.

Nesse conto, eu quis falar justamente dessa transição. Por isso mesmo, fiz referências a alguns livros que marcaram essa época – como Alice no país das maravilhas e Sherlock Holmes.

É um conto bastante introspectivo. Á primeira vista, ele pode não fazer muito sentido – embora o sentido exista e esteja lá, meio escondido. De qualquer forma, eu espero que vocês gostem.

Sem Título Titubeado

Acordei. O bom humor veio me receber, trazendo – me rosquinhas emplastadas com geleia e um suco amarelo e cheio de pedaços de laranja. Apurei os ouvidos: o som dos pássaros, uma elegância que só vendo! Não sei ao certo em que rua parei, só sei que a viagem me levou a sonhos de contramão e a imagens de chuva límpida de erva e orvalho. Lembrei – me da Baker Street, onde o silêncio dava lugar a aventuras e a descobertas incríveis! Passei pelos tempos pueris, tempos de Alice No País Das Maravilhas; sei bem ser irônica: “Alice In Wonderland For Children”? Li uma, duas, três vezes o mesmo livro … a minha falta de entendimento deixava-o maçante. Mais tarde, leria – o novamente e nunca encontraria outra personagem tão semelhante à minha própria busca de identidade.

O mundo já sólito e solúvel tem um formato inferior e insosso se comparado com o mundo raso e fugaz, onde o regozijo se dá em forma de dia – a – dia, e não só serve se subsistência, como também é exportado gratuitamente a quem é indigente de paz de espírito.

Acusam-me de indiferença, mas, às vezes, só às vezes, encontro-me em um cubículo insignificante para uns, mas grandioso para aqueles que sabem que a vida resume-se, simplesmente, a estar com pessoas que, num momento podem proporcionar-lhe tudo aquilo que seu intelecto e fome desejam ardentemente. Ideias paradoxas… que…

Acordei. Rosquinhas emplastadas de geleia. Respirei. Vi-me num momento de rápida escolha: ser ou não ser, eis a questão?! Indecisões consumiram-se e o céu acinzentou-se. Hogwarts passou a ser o lar do meu irmão, infância bandida. E bem ali, no meio de inúmeras calorias de geleia: mudei; consertar-me-ia.

– Volte às origens! Volte às origens!

Gritos ensandecidos gritaram para mim. Pleonasmo.

E eu, o que eu fiz?

Digo-lhe: Palavras têm poder.

  • Angélica Moreira

    Em 30.01.2017

    Nossa, Bru! Amei o texto, gosto muito do jeito que escrevia/escreve. Estou gostando demais desse projeto. <3

  • Bruna Pezzan

    Em 30.01.2017

    Ah, fiquei super feliz agora! ❤
    Que bom que você está gostando.

    Muito obrigada pelo apoio e carinho *-*

  • Elizene Bomfim de Araujo

    Em 30.01.2017

    Bruna querida, quem diria heim.
    Amei seu texto e parabenizo pela
    forma com que se expressa, uma Bruna
    madura escrevendo com leveza. Amei!
    Grande beijo.
    Lize Araujo

  • Bruna Pezzan

    Em 30.01.2017

    Olá, Elizene.
    Quanto tempo!
    Ah, muito obrigada pelo elogio 🙂 Fico muito feliz que você tenha gostado.
    Obrigada mesmo ❤

    Beijos