Resenha: A Garota do Penhasco (Lucinda Riley)

Em 01.05.2017   Arquivado em LITERATURA

 

Sinopse: 

“A Garota do Penhasco’ é um romance que enreda o leitor através de vários fios. A história de Grania Ryan e sua querida Aurora Devonshire, a garota do penhasco, nos fala sobre mudança de vida.
A história das famílias Ryan e Lisle é um lindo conto sobre um século de mal-entendidos e rancor entre inimigos que se acreditam enganados por falcatruas financeiras.
O caso de amor entre Grania Ryan e Lawrence Lisle comove por sua delicadeza e força vertiginosa que culmina em imensa tristeza (FRASE COM ERRO! – OLHE O FINAL DA RESENHA)
Mas, sobretudo, ‘A Garota do Penhasco’ é um livro que mostra como é possível encontrar uma finalidade, um propósito, quando todas as esperanças parecem perdidas.”

Sobre o enredo:

No livro,  a irlandesa Grania Ryan – uma famosa artista plástica que vive em NY – acaba de sofrer um aborto espontâneo. Triste com a perda do filho e com a situação de seu relacionamento com Matt (o seu namorado), ela resolve voltar para a casa dos pais, em Dunworley, Irlanda.

Certo dia, passeando pela baía de Dunworley, Grania avista uma menina sonâmbula prestes a cair do penhasco – a pequena Aurora Devonshire.

De rebeldes e longos cabelos ruivos, Aurora também não teve uma vida plenamente feliz. Aos 4 anos, viu a mãe, Lily Lisle, se suicidar – quando esta se jogou do alto do penhasco. Desde então, a menina vai  frequentemente a esse mesmo penhasco, durante à noite, em episódios de sonambulismo.

Logo, as vidas de Grania e Aurora acabam por se interligar. De uma maneira fácil e muito espontânea. O que ambas não sabem é que, talvez, essa ligação não seja ao acaso. Ela é antiga e quase proposital. As famílias das duas possuem, juntas, uma história que já remonta a séculos. Essa história é cheia de enganos, embustes e desencontros. Mas, o mais importante, é uma história permeada de amor. Amor de uma mãe por uma filha. Amor de uma esposa pelo seu marido. Amor de uma família pelos seus entes queridos.

Em suma, A Garota do Penhasco vai tratar sobre este mesmo assunto (sobre o qual muitos poetas, contistas, escritores e musicistas já se debruçaram): o amor. Mas vai fazê-lo de uma forma ora diáfana (bem como acontece nos contos de fadas), ora real.

A autora deixa bem claro, em alguns momentos da narrativa, a sua crença religiosa (que me pareceu ser o espiritismo). Mas isso, na minha opinião, não atrapalha em nada a leitura – nem mesmo para aqueles que seguem outra religião. De certa forma, achei que o livro teve mais sentido e ficou ainda mais interessante a partir dessa perspectiva.

No livro, somos apresentados aos antepassados da família Ryan e Lisle. A narrativa desloca-se para a Irlanda e  a Inglaterra  da Primeira Guerra Mundial – onde conhecemos a empregada Mary (bisavó de Grania) e a pequena Anna (que, em muito, lembra Aurora).  Nesse sentido, podemos dizer que o livro é um romance histórico. E não é para menos: Lucinda Riley é apaixonada por história e essa paixão lhe deu a inspiração necessária para escrever a maioria dos seus romances.

O que eu achei do livro: 

A Garota do penhasco foi um livro que me surpreendeu muito positivamente. Eu esperava muito menos. E ganhei muito mais.

A verdade é que achei esta leitura tremendamente envolvente.  Eu me conectei aos personagens. Achei – os verossímeis e com profundidade. A mensagem que o livro traz é também muito bonita: esperança e amor. O amor não resolve todos os problemas, mas ele os torna mais suportáveis.

Ás vezes, tudo o que precisamos na vida é nos encontrar. Buscar a nossa própria identidade. Decifrar a nossa própria confusão interna. E é exatamente isso que Grania faz, quando decide sair de NY e buscar aconchego na casa dos pais, na Irlanda.

O livro também questiona bastante essa coisa chamada “acaso”, “destino” e “carma”. E, repito, o livro se torna muito mais claro quando o analisamos por meio de uma perspectiva religiosa (o espiritismo).

Em suma, achei esta uma leitura maravilhosa. No início, podem surgir algumas estranhezas com a narrativa. Eu confesso que fiquei muito incomodada, à princípio, com a quantidade de vezes que a palavra “querido(a)” foi utilizada. Era “querida” pra lá,  e “querido” para cá.  Chegou a me incomodar, sinceramente. Não sei se este foi um problema de tradução ou se a autora realmente usou esta palavra de forma exaustiva. Porém, conforme a história ia se desenvolvendo, eu parei de me preocupar com este detalhe.

Não posso dizer que Lucinda Riley foi completamente original ao escrever esta história. Existe originalidade, mas eu percebi alguns clichês.

A Editora Novo Conceito também foi muito desatenciosa com a sinopse impressa na parte de trás do livro. Houve um erro nesta frase  “O caso de amor entre Grania Ryan e Lawrence Lisle comove por sua delicadeza (…)”. Não existe nenhum caso de amor entre Grania e Lawrence, até mesmo porque este já havia morrido há mais de 50 anos quando a personagem nasceu.  Compreendo, portanto, que a Editora cometeu uma gafe nesse sentido.

Apesar destas falhas, a história me foi muito satisfatória. Eu me senti envolvida e tive aquele gostinho de “quero mais” assim que terminei a leitura.

Por isso mesmo, a nota que dou ao livro é 5/6 – excelente.

Para aqueles que gostam desse tipo de literatura, com certeza vale à pena ler.

Nome: A Garota do Penhasco;

Autora: Lucinda Riley;

Editora: Novo Conceito;

Páginas:  528 pág.

 

 

  • Váh

    Em 01.05.2017

    Nossa eu fiquei bem curiosa pra ler esse livro, amei essa frase “ás vezes, tudo o que precisamos na vida é nos encontrar. Buscar a nossa própria identidade. Decifrar a nossa própria confusão interna” acho que tô passando por um momento assim sabe? Seria bom ler essa história haha!
    Eu gosto de pensar e refletir sobre isso de acaso, destino e carma…
    Gostei muito da sua resenha Bruna! 🙂

    http://heyimwiththeband.blogspot.com.br/

  • Bruna Pezzan

    Em 01.05.2017

    É um livro muito legal, Val. Eu gostei e me surpreendi bastante.

    Ah, então estamos vivendo um momento muito parecido. HAHA
    Eu também tô nessa de querer “decifrar a minha própria confusão interna”. E também ando refletindo muito sobre esse negócio de destino, acaso e tudo mais. Ás vezes, a vida nos apresenta algumas coincidências que são TÃO coincidências que não dá pra engolir. Tem que ter uma razão hahahaha
    O jeito é parar para refletir e viver mesmo assim. Não tem jeito.

    Que bom que você gostou! Fico feliz. E leia sim, acho que você vai gostar.

    Beijão <3

  • Miguel Angelo

    Em 01.05.2017

    Estimada Bruna,
    Amei a resenha! Parte disso pelo esmero e graça com que você apresentou a estória. A isso soma-se a identificação que começa com a ideia de que não existem acasos e prossegue com a busca pessoal que envolve o aclaramento de percepções, sobretudo quanto ao amor. O entrelaçamento de histórias pessoais com uma visão compreensiva da ancestralidade acresce uma outra dimensão ao amor. Por fim, Bruna, achei lindamente expressa na resenha, a intervenção do amor na transformação das tragédias humanas em beleza.

  • Bruna Pezzan

    Em 01.05.2017

    Fico felicíssima que tenha gostado da resenha, Miguel.
    Vindo de você, um professor exemplar, isso é um elogio e tanto.
    O livro não é comparável aos clássicos da literatura, mas é interessante. Apreciei muito a leitura!

    Obrigada por passar aqui, no meu cantinho. 🙂

  • ttraa

    Em 01.05.2017

    aonde passa a historia ? e como é o ambiente?

  • Bruna Pezzan

    Em 01.05.2017

    A história se passa, na maior parte do tempo, na Irlanda (Dunworley). Mas, vez ou outra, somos levados à NY e à Inglaterra (Londres).

    É um ambiente ora frio e gótico, ora aconchegante e apaziguador. Depende de a qual momento na história nós estamos nos referindo.