Resenha: A Rebelde do Deserto (Alwyn Hamilton)

Em 01.06.2017   Arquivado em LITERATURA

Sinopse:
O deserto de Miraji é governado por mortais, mas criaturas míticas rondam as áreas mais selvagens e remotas, e há boatos de que, em algum lugar, os djinnis ainda praticam magia. De toda maneira, para os humanos o deserto é um lugar impiedoso, principalmente se você é pobre, órfão ou mulher. Amani Al’Hiza é as três coisas. Apesar de ser uma atiradora talentosa, dona de uma mira perfeita, ela não consegue escapar da Vila da Poeira, uma cidadezinha isolada que lhe oferece como futuro um casamento forçado e a vida submissa que virá depois dele. Para Amani, ir embora dali é mais do que um desejo, é uma necessidade. Mas ela nunca imaginou que fugiria galopando num cavalo mágico com o exército do sultão na sua cola, nem que um forasteiro misterioso seria responsável por revelar a ela o deserto que ela achava que conhecia e uma força que ela nem imaginava possuir.

A Rebelde do Deserto é um livro distópico e de literatura fantástica. É o primeiro volume da trilogia escrita por Alwyn Hamilton.  Apesar de o nome da escritora ser muito diferente, Alwyn é britânica.

Na história, nós temos como personagem principal uma garota durona chamada Amani. Órfã, pobre e mulher, Amani é sempre tratada como subalterna. Vivendo em uma sociedade de homens, todos pensam que ela, só por ser mulher, é  frágil e incapaz de realizar grandes feitos.  Porém, Amani é o oposto de tudo isso. Inteligente e com uma mira perfeita para armas de fogo, ela é mais capaz do que muitos homens.

Quando  Amani descobre que seu tio pretende lhe ter como uma de suas esposas, ela decide fugir. E, para fazer isso, ela necessita de dinheiro.  É nesse momento em que surge a oportunidade perfeita: está havendo um concurso de tiro na cidade. E só homens podem participar. Amani, então,  se veste como um garoto e participa do concurso. Neste, ela conhece Jim – o “forasteiro” da nossa história.

Jim também é um exímio atirador. Ele possui um passado misterioso e está sendo procurado pela guarda real do sultão.

Quando Amani ajuda Jim a se esconder da guarda, ela também se torna um alvo. Logo,  fugir do pequeno vilarejo fica ainda mais imperativo. Ela e Jim terão de viajar clandestinamente pelo deserto de Miraji, evitando não apenas os soldados do sultão, mas também os seres mágicos que se escondem dentro da areia e se alimentam de carne humana – os carniçais.

O deserto de Miraji é um lugar inóspito. Ele tem como principal fonte de renda a produção de armas. Estas são fornecidas aos Gallans – um povo vizinho a quem o exército do sultão se aliou. Os Gallans intentam, principalmente,  dominar outras nações que possuem costumes e crenças religiosas diferentes das suas.

Nesse sentido, vem surgindo em Miraji uma força rebelde que pretende destituir o sultão do trono e, ao mesmo tempo, cortar os laços com os  Gallans. Os rebeldes querem construir “um novo deserto, uma nova alvorada”.

Miraji precisa ser um lugar mais acolhedor. Um lugar que saiba lidar com as diferenças. Um lugar que zele e dê segurança a todo o seu povo, independente de gênero e posição social.

Em sua jornada, Amani irá descobrir muito mais sobre si mesma do que imaginava ser possível. E, com esse conhecimento, ela vai começar a perceber que tem o potencial necessário não só para mudar o seu destino, mas também para mudar o destino de todo o seu país.

O que eu achei do livro:

Comparado aos outros livros de literatura fantástica que vem sendo publicados pelas editoras, pode-se dizer que “A Rebelde Do Deserto” é uma história criativa e original. Ela possui uma mitologia consistente e crível.

Este primeiro volume da trilogia intenta, justamente, nos apresentar o mundo que cerca o “deserto de Miraji” e seus seres mágicos. Logo, ele é mais introdutório.

No geral, “A Rebelde Do Deserto” trata sobre um governo ditador em um pano de fundo distópico. Na história, existe um grupo rebelde tentando retirar o sultão do trono e implementar um novo sistema. Um sistema mais inclusivo. Nesse sentido, a mensagem que o livro nos passa é interessante. Ele fala de assuntos densos de uma maneira fantasiosa e não cansativa. Gostei também do apelo feminista. Este transparece na medida em que Amani, a personagem principal, é descrita como intrépida e corajosa. Uma mulher que não se deixa ser controlada e subjugada por homens.  Também existem outras fortes personagens femininas, ainda que secundárias, no livro.

Creio que Hamilton se inspirou bastante no atual contexto político e social do oriente médio para escrever sua trilogia.  Intolerância religiosa, subjugação de mulheres, caos político … tudo isso salta aos olhos a cada página virada.

Sobre o estilo de escrita de Hamilton, cabe fazer duas afirmações: ás vezes, a escritora faz analogias criativas e inteligentes. Ela usa bem as figuras de linguagem e estas floreiam a sua narrativa. Porém, em outros momentos, sua escrita assume um ar infantil e cheio de clichês. Os acontecimentos se desenrolam rápido demais, sem tanta emoção.  E isso me desagradou bastante.  De qualquer forma, como a história me interessava, eu passei por esses problemas e continuei a ler.

É certo que Hamilton é uma escritora iniciante e acho que ela pode muito bem melhorar o seu estilo no decorrer dos outros volumes. Eu, sem dúvida, pretendo lê-los.

 

A nota que dou para esse livro, portanto, é 4. É um livro bom, apesar das falhas. Valeu a leitura.

 

Nome do livro: A Rebelde Do Deserto

Autora: Alwyn Hamilton

Editora: Seguinte

Páginas: 283 pág.