Resenha: Enquanto Bela dormia (Elizabeth Blackwell)

Em 16.09.2016   Arquivado em LITERATURA

Sinopse:

Quando a rainha Lenore não consegue engravidar, recorre aos supostos poderes mágicos da tia do rei, Millicent. Com sua ajuda, nasce Rosa, uma menina linda e saudável. No entanto, a alegria logo dá lugar às sombras: o rei expulsa de suas terras a tia arrogante, que então jura se vingar. Seu ódio se torna a maldição que ameaça a vida de Rosa. Assim, a menina cresce presa entre os muros do castelo, cercada dos cuidados dos pais e de Flora, a tia bondosa e dedicada do rei que encarna a fada boa do conto original.
Mas quando todas as tentativas de proteger Rosa falham, é Elise, a dama de companhia e confidente da princesa, sua única chance de se manter viva. E é pelos olhos dessa narradora improvável que conhecemos todos os personagens, nos surpreendemos com o destino de cada um e descobrimos que, quando se guia pelo amor – a magia mais poderosa do mundo –, qualquer pessoa é capaz de criar o próprio final feliz.

 

O livro “Enquanto Bela dormia” é uma releitura – como o nome já sugere- do  conto de fadas “A Bela Adormecida”. Porém, não se enganem! Uma das grandes façanhas de Blackwell foi conseguir transformar esta história, já tão popularizada e adaptada, em algo contemporâneo e original. Isto porque o livro busca a essência do conto de fadas, mas, ao mesmo tempo, dá para ele uma dose de realidade,  tornando-o mais consistente  aos nossos olhos.

As mudanças já começam na forma de narrativa da história, que é contada em primeira pessoa. Nossa narradora e, também protagonista, é Elise, a criada.  Esta inovação torna a história muito mais interessante e atípica, haja vista que dificilmente veríamos um pretenso conto de fadas ser contado – e ter como protagonista- uma criada. Os papéis principais são sempre reservados à realeza, e não o contrário.

 

“Não sou o tipo de pessoa sobre quem se contam histórias. Os que têm origem humilde sofrem suas mágoas e comemoram seus triunfos sem serem notados pelos bardos e não deixam vestígios nas fábulas de sua época.” (Pág. 12)

 

Elise vem de origem humildade. Criada em uma fazenda pobre e maltratada pelo seu padrasto, o tradicional destino da personagem seria se casar aos 16 anos com um homem que tivesse um pedaço de terra mais ou menos fértil e parir uma penca de filhos subnutridos.

Com isso em mente, a mãe de Elise buscou aspirações mais altas para a filha. Tendo ela mesma trabalhado como costureira no castelo de St. Elsip, sabia que sua filha poderia ser muito mais do que a mulher de um camponês. Por isso, ela ensinou à filha tudo o que podia: gramática, literatura, costura e etiqueta.

Aos 14 anos, a vida de Elise muda completamente. A varíola chega à aldeia, levando consigo gado e famílias inteiras. Elise foi a primeira a adoecer, seguida por seus irmãos e sua mãe. Depois de dias ardendo em febre, esta cede e Elise recupera a consciência… só para descobrir que, com exceção do padrasto e de um de seus irmãos, a doença tomou a todos.

Em luto pela mãe e enraivecida pela indiferença do padrasto, Elise deixa  a aldeia e parte rumo à cidade de St. Elsip. Com a ajuda de uma tia, consegue um lugar no palácio e, logo,  galga posições mais altas, tornando-se a criada pessoal da própria Rainha Lenore, de quem gosta muito.

Mais próxima da rainha, Elise passa a conhecer sobre as conspirações do castelo e seus habitantes. Sempre foi sabido por todos que a Rainha Lenore tentou, em vão, dar ao rei um herdeiro. Já desesperançosa, Lenore parte para sua última alternativa: utiliza dos supostos poderes mágicos da tia do Rei,  a manipuladora Millicent. Ninguém sabe como, mas Millicent realmente consegue operar um milagre: nasce uma menina, a quem dão o nome de Rosa.

Embora Millicent tenha conseguido presentear o reino com uma herdeira, ela não o fez pela pura bondade de seu coração. Tudo o que vem fácil, vai fácil.  A tia do rei tem planos. E ela conta com a vantagem de ter um Ás na manga sob a forma da menina Rosa.

O rei, entretanto, percebe as segundas intenções da tia e, tal como acontece no clássico conto de fadas, a expulsa de suas terras. Millicent jura se vingar. E o faz: no batizado de Rosa, ela promete morte à garota num futuro não tão distante.

Flora, a irmã  bondosa de Millicent, jura ao rei tentar manter Rosa, a todo custo, viva. E, assim, a garota cresce sob os cuidados dos pais, de Flora e de Elise, que se torna sua amiga e confidente.

Porém, por mais bonito que tenha sido o crescimento de Rosa, as palavras de Millicent jamais deixaram de ecoar no Castelo. Pouco a pouco, a maldição começa a se concretizar, deixando a Elise um importante trocar de papéis: de humilde camponesa, criada pessoal da rainha e confidente da princesa, ela passa a ser a heroína desta história.

O que eu achei do livro:

Elizabeth Blackwell conseguiu combinar a essência do conto “A Bela Adormecida” com uma história original e, em muitos aspectos, inusitada. Veremos o conto de “Bela” de um ponto de vista absolutamente diferente.  Foi uma jogada de mestre colocar Elise – uma garota humilde, ingênua, mas forte e corajosa – como a narradora. A partir dos olhos sensatos dela, vamos conhecendo St. Elsip e as facetas de seus habitantes.

O livro tende a deixar a “magia” de lado e supri-la com elementos mais realistas. A ciência dá conta de explicar os acontecimentos. Não se deixa quase nada por conta do misticismo. Por isso, por mais que o livro se baseie em um conto de fadas, ele não é um. E acho que é justamente isso que tornou tudo tão original e surpreendente.

Elise é a grande chave para a funcionalidade história. Com ela, temos romance, drama e aventura.

É, sem dúvida, um livro #GirlPower. Nos dois polos, temos fortes personagens femininas, sem as quais o livro não andaria.

A leitura é gostosa e fluída. Não se arrasta em nenhum momento.

Enfim, se você gosta de releituras de contos de fadas ou até mesmo de romances históricos, este livro é para você. Leia-o, vale a pena. 📖 💋

Nota: 4/6 – Bom

Nome do livro: Enquanto Bela dormia

Autora: Elizabeth Blackwell

Editora: Arqueiro

Número de páginas: 364

  • Luciano

    Em 16.09.2016

    Lindo o blog. Vou passar todos os dias e dar uma olhadinha! Beijo.

  • Bruna Pezzan

    Em 16.09.2016

    obrigada! 💛