Resenha: O Pessegueiro (Sarah Addison Allen)

Em 22.05.2017   Arquivado em LITERATURA

Sinopse:

“Bem-vindo a Walls of Waters, um lugar onde o aroma das flores envolve o ar e os pássaros parecem ter algo a dizer.
Essa é a cidade onde vive Willa Jackson, uma jovem descendente de uma família falida que luta para esquecer a imagem da garota inconsequente que já foi um dia. Quando sua ex-companheira de colégio e socialite perfeita Paxton Osgood a convida para a festa de 75 anos do Clube Social Feminino, ela fica receosa em comparecer por sentir que não faz parte daquele mundo… No entanto, a ocasião acabará se revelando uma excelente oportunidade para Willa desenterrar fatos surpreendentes que reverberam até hoje em sua própria história. Qual é o segredo que une famílias Jackson e Osgood? Será que a verdadeira amizade consegue transpor as barreiras do tempo? Deixe-se inebriar por esse romance que une realismo e magia de forma envolvente, e descubra quão delicado e importante é o papel dos amigos em nossa vida. “

Depois de ler e gostar muito do livro A Garota Que Perseguiu A Lua (tem resenha sobre ele aqui) , eu resolvi me aventurar em outra obra da escritora Sarah Addison Allen: O Pessegueiro.

Neste livro, a história gira em torno de quatro personagens principais.

1) Willa Jackson, a mulher que perdeu o gosto pela vida.

Querendo deixar  para trás a sombra da garota rebelde e inconsequente que foi na adolescência, Willa opta por uma vida segura e sem muitas variações.  Palavras como “surpresa”, “adrenalina” ou “aventura” não existem em seu vocabulário. Em verdade, essas palavras foram  – há muito tempo – suplantadas por outras, como “monotonia” “segurança” e “conformidade”. Independente e bem resolvida, Willa gosta de viver sozinha e de acordo com as suas próprias regras.

2) Paxton Osgood, a socialite que queria ser encarada com seriedade.

Paxton é descendente da família mais proeminente de Walls of Water. Ela é uma mulher atarefada e, de certa forma, também independente – embora muito mais imatura do que Willa.

Presidente do Clube Social feminino (um típico clube sulista para as mulheres ricas), Paxton vive uma vida de futilidades. E ela sabe muito bem disso. Não é à toa que, às vezes, sinta um desejo imenso de bater a porta na cara dos pais e viver a sua própria vida pela primeira vez.

3) Sebastian Rogers, o homem que se reinventou.

Sebastian é um  elegante e sofisticado dentista. Quando  adolescente, era pobre e vivia à mercê da bebedeira e violência do pai.

Depois de alguns anos morando fora, Sebastian decide voltar à sua cidade natal, a pequena Walls Of Water. É hora de mostrar a todos quem ele se tornou.

4) Colin Osgood, o rapaz que queria seguir seu sonho.

Irmão de Paxton, Colin é tudo o que a irmã não é: seguro de si mesmo e maduro. Quando adolescente, decidiu que não queria viver da mesma forma que os pais. Não queria continuar com o negócio da família. Ele, simplesmente, não se encaixava ali na pequena, tradicional e sulista Walls Of Water. Tentou a vida fora e construiu uma empresa de paisagismo (sempre foi apaixonado pela natureza).

Com o intuito de planejar a jardinagem de um antigo casarão que está sendo reformado pela sua família, O Blue Ridge Madam (nome do casarão), ele retorna à Walls Of Water .

É claro que os caminhos desses quatro ex- colegas de colégio – Willa, Collin, Paxton e Sebastian – vão se cruzar.

Quanto à Willa e Paxton, esse reencontro é quase proposital. Embora as duas nunca tenham sido amigas, as suas avós o foram e muito. Na verdade, existe uma velha história que liga a família Osgood à família Jackson. Essa história tem a ver com a própria criação da cidade Walls Of Water e do Clube Social Feminino. É uma história que envolve amizade, casas antigas – a famosa Blube Ridge Madam que, por sua vez, está sendo reconstruída – mortes suspeitas, fantasmas e um velho e centenário Pessegueiro .

O que eu achei do livro:

Em primeiro lugar, é necessário compreender o cenário em que a história se passa: a tradicional Walls Of Water.

Quando percebemos que estamos falando de uma típica cidade pequena do Sul dos EUA, tudo começa a fazer mais sentido: as fofocas contadas ao pé do ouvido pelas fúteis damas e socialites; as ricas e proeminentes famílias; os preconceitos e as superstições. Walls of Water tem tudo isso. E é justamente esse cenário que deixa a história mais interessante e compreensiva.

O livro “O Pessegueiro” tem uma trama simples. Ele trata de dramas familiares e de amadurecimento pessoal. É claro que existe um toque de magia e superstição. Mas isso não é o ponto principal. Na verdade, o próprio fantasma que assombra as famílias Osgood e Jackson é um item secundário, que apenas enfeita a história. O verdadeiro enredo está nos problemas e nos sonhos de cada personagem. É a natureza humana que está em foco.

(passagem do livro que eu, como feminista e mulher, achei muito interessante)

Na minha opinião, o livro fala – no seu ponto mais íntimo – sobre abrir e fechar portas. Precisamos ser receptivos à mudança. A vida não é sempre da mesma forma. A vida é sinuosa. Ela traz  aprendizados e amadurecimentos. Ela nos tira e nos traz pessoas. Essa é a vida – em toda a sua complexidade e beleza.

Analisando a obra O Pessegueiro por esta perspectiva, a minha nota é 4/6. É um livro bom e gostoso de ler, pois o estilo de narrativa de Sarah é doce e fluído. Ele só não é um livro excelente porque peca em alguns aspectos.  Acho que algumas partes da história poderiam ser melhor explicadas (como, por ex., o passado de Willa e Colin). Além disso, o livro termina de forma brusca – a escritora poderia ter se demorado em mais algumas páginas e, desse modo, ter escrito um final mais satisfatório.

Apesar dessas falhas, O Pessegueiro foi uma leitura que muito me agradou. Conforme já dito, é uma típica história sulista e  livro muito bom. Vale à pena ler.

 

 

Nome do livro: O Pessegueiro

Autora: Sarah Addison Allen

Editora: Planeta

Páginas: 247 pág.

  • Váh

    Em 22.05.2017

    Eu gosto das suas resenhas e das fotos que acompanham o post.
    Parece ser um livro bacana, eu tenho dificuldade nisso de abrir e fechar portas e ser receptivas à mudanças 🙁

    http://heyimwiththeband.blogspot.com.br

  • Bruna Pezzan

    Em 22.05.2017

    Ah, fico feliz em saber disso. Tô tentando progredir nessa parte fotográfica, sabe?

    É um livro super bacana. Gostei bastante. E é muito tranquilo de ler.

    Ah, eu também tenho e muita! Um dos motivos para ter feito essa tattoo de chave foi isso: quero estar preparada para abrir portas, receber bem as oportunidades e, também, entender que as coisas um dia terminam. Fechar portas também é necessário. Queria eternizar isso na pele.

    Enfim, precisamos trabalhar nisso. Difícil é e acho que sempre vai ser. Mas conseguiremos! Vamos ser otimistas hahah <3 <3