Quem você seria no mundo dos livros, filmes e séries?

Em 23.12.2016   Arquivado em CINEMA, LISTINHAS, LITERATURA

Esses dias, navegando pela blogosfera, eu me deparei com essa pergunta. Sendo uma entusiasta em tudo o que se refira à literatura e cinema, eu admito que a vontade de responder foi imediata!

É verdade que, em muitos momentos da vida, a gente encontra personagens que traduzem tudo aquilo que somos ou que gostaríamos de ser. Existem personagens que personificam nossos ideais … isso é um fato.

Com isso em mente, eu trouxe esse questionamento para o blog. Responde-lo é uma forma de colocar em discussão alguns pontos de vista e dar mais espaço para vocês, leitores, me conhecerem melhor.

Não pensem que foi fácil! Não, o processo de seleção de personagens foi uma tarefa que exigiu bastante reflexão e sangue – frio.  À primeira vista, havia uma infinidade de nomes para incluir nessa lista. Porém, como não queria deixa-la muito extensa, precisei tomar algumas decisões difíceis. hahaha

As conclusões foram estas:

 

Se eu vivesse em uma série de TV, eu seria ….

1) Buffy Summers.

(a atriz Sarah M. Gellar como Buffy Summers na série BTVS)

Caro leitor e amigo, se você não esperava por essa, só lhe conto uma coisa: você não sabe nada a meu respeito. Buffy, vindo de mim, é clássico.

Buffy The Vampire Slayer é a minha série número 1, a preferida entre todas.  E Buffy, a personagem principal, representa tudo aquilo em que eu acredito. Ela é uma mulher feminina, forte, durona e leal.

Buffy me ensinou o valor da verdadeira amizade. Ela me ensinou, também, que você pode amar uma pessoa sem  depender dela.  Você pode ser suficiente para si mesma e, mesmo assim, amar o outro –  seja este um amigo ou namorado (a).

Ela me ensinou que vão existir momentos na vida em que você vai estar sozinho. Em algum momento, até os seus amigos mais próximos vão julga-lo e abandona-lo. Não porque eles não o amam ou porque não se importam com você, mas apenas porque não o compreendem, pelo menos não naquele momento.

Nesse caso, mesmo sozinho, você não pode desistir. Siga sua intuição e seja quem você precisa ser. De duas, uma: ou você vai quebrar a cara (ora, seus amigos tinham razão) ou você vai ser vitorioso (ora, você tinha razão).

O perdão é necessário. Você deve perdoar seus amigos quando eles forem injustos, se a amizade deles valer a pena. E, o mais importante, você deve perdoar a si mesmo.

Buffy é a prova de que uma mulher pode ser forte, independente e destemida e, ao mesmo tempo, ser FEMININA.  Ela pode gostar de maquiagem, de roupas, de filmes clichês e revistas sobre famosos. Ela pode gostar de todas as coisas tidas como “coisas de mulherzinha”, se isso a fizer feliz. Na série Buffy, não existem padrões. Seja quem você quiser ser e seja forte.

E  não pense que estou falando apenas de força física. Buffy, como uma caçadora de vampiros e de outros seres mitológicos, é, sim, fisicamente mais forte do que muitos outros homens (e mulheres). Mas, na verdade, os seus “poderes” são apenas uma metáfora para a sua verdadeira força: estar pronta para o que der e vier.  Não desistir, mesmo que isso seja o fim.

Buffy é minha heroína. Todas as vezes que tenho medo, eu penso nela. E ela me enche de coragem.

Todas as feministas do mundo deveriam ver essa série. Primeiro, porque ela é recheada de mulheres fortes. Não apenas Buffy, mas muitas outras. Segundo, porque ela é uma série que quebra barreiras e preconceitos, inclusive dentro do próprio movimento feminista que (não se enganem!) também esconde uma série de padronizações. Para muitas feministas, a mulher não pode ser magra, não pode estar dentro do que a frívola sociedade considera como “beleza”, não pode se depilar e não pode gostar de coisas de mulherzinha. Para algumas feministas – não todas, não estou generalizando – se a mulher quer ter os mesmos direitos que os homens, ela deve ser igual aos homens. Isso é muito complicado, porque também cria uma série de padrões que devem ser atingidos: ora, se você alisa o cabelo (por exemplo), você não é feminista. Buffy quebra com todos os padrões. Para ela, se você acredita em si mesma, você é feminista. Você é um ser humano que, mesmo com erros e acertos, é completo.

Por favor, não generalizem o que disse ali em cima. Não são todas as feministas que pensam assim. Apenas algumas. Existem correntes e correntes.  Eu me considero feminista e, não, não penso daquela forma.

Por fim, só me resta declarar o meu amor incondicional por Buffy. Eu amo essa série e essa personagem. Aprendi coisas que levarei comigo para o resto de minha vida. Eu não seria quem sou hoje se não fosse por Buffy. Tenho certeza disso.

2) Lorelai Gilmore.

(a atriz Lauren Graham como Lorelai Gilmore na série Gilmore Girls)

Protagonista de Gilmore Girls, Lorelai, definitivamente, me representa.

Lorelai também é uma mulher fora dos padrões.  Apaixonada pelo velho e bom rock n’ roll, ela é uma entusiasta em séries e filmes. Não sabe cozinhar quase nada, detesta limpar a casa e é maluca por café.

Ela nasceu em uma família rica e conservadora, mas a sua forma de agir e pensar sempre foi muito diferente da de seus pais, Richard e Emily Gilmore. Aos 16 anos, Lorelai engravida. Percebendo que os pais pretendem assumir todas as suas responsabilidades e, mais uma vez, privá-la de quem ela é, Lorelai resolve fugir de casa. Ela dá adeus a todo o conforto e mordomia em troca da liberdade de ser quem é e de acreditar no que acredita.  Se reinventa e cria sua filha, Rory, sozinha – fazendo um excelente trabalho, por sinal.

Nem tudo foram flores no caminho de Lorelai. Mas isso não a impediu de lutar pela vida que ela queria. Uma vida simples, mas sincera e espontânea, longe das frivolidades da alta classe social em que nasceu.

É claro que Emily e Richard voltam a participar da vida dela. Mas precisam aceitar quem a filha é e se tornou, ao invés de exigir que ela seja o que eles querem.

Algo que sempre me orgulhou na Lor: os relacionamentos amorosos foram importantes na vida dela, mas nunca foram a parte principal. Ela sempre colocou a filha e a si mesma acima de tudo. Ainda que para ela, uma mãe solteira, fosse mais cômodo ter um marido que  sustentasse a casa e auxiliasse no cuidado com os filhos, ela nunca se permitiu obter isso à custa dos seus ideais ou dos ideais da filha.

Em suma, Lorelai também é uma personagem Girl Power com quem me identifico muito. E Gilmore Girls é uma série que marcou toda uma geração. É algo para ser visto e amado religiosamente.

Para saber mais sobre a série, clique aqui.

Para saber o que eu achei do revival de Gilmore Girls, clique aqui (atenção, contém spoiler.)

3) Regina, The Evil Queen.

(a atriz Lana Parrilla como Regina na série Once Upon a Time) 

Regina é a madrasta de Branca de Neve, em Once Upon a Time.

Em primeiro lugar, preciso dizer o quanto amei o que essa série fez com os contos de fada. Ela conseguiu manter a essência destes e, ao mesmo tempo, mudar o que precisava ser mudado.

Aqui, nós não temos princesas inseguras e dependentes. Temos mulheres de garra. Os vilões não fazem maldades porque nasceram maus, mas porque, em algum momento, eles passaram por alguma situação que desencadeou essa escolha.  Por alguma razão, eles se viram com o direito de obter o que queriam pelos meios que fossem necessários.

Regina, por exemplo, não teve uma história de vida lá muito fácil. Ela achou a resposta para a sua dor na crueldade com os outros. Quis fazer com que os outros sentissem a mesma infelicidade que ela sentia. E, sim, isso é egoísmo.

E é por isso mesmo que me identifico com essa personagem. Em alguns contextos, eu sou egoísta, estou de mal com a vida e desconto as minhas frustrações em outras pessoas. É um defeito que eu tenho. Afinal de contas, sou um ser humano. Erro e acerto.

Na verdade, acho que todo mundo tem uma “rainha má” dentro de si. A questão é saber até qual ponto vamos deixar ela se manifestar.

E digo mais: Regina pode ter sido cruel, mas ela foi forte o suficiente para se redimir. Forte o suficiente para aceitar as consequências dos seus atos. Portanto, sim. Eu me orgulho dessa personagem e me identifico com ela, em ambas as fases: rainha má e mulher em redenção.

 

Se eu vivesse no mundo dos livros, eu seria …

 

1) Hermione Granger.

(a atriz Emma Watson como Hermione no Filme “HP e o enigma do príncipe”)

Para explicar  porque eu me identifico com essa personagem, vou contar duas características minhas:

  • Um defeito que eu tenho: eu banco a dona da verdade em muitos momentos. E isso tem tudo a ver com a Hermione. É claro que ela está certa na maior parte das vezes, mas, em algumas, ela está muito errada.
  • Uma qualidade que eu tenho: eu sou persistente. Quando desejo alguma coisa, eu tento. Se não conseguir, me esforço um pouco mais. E, assim, as coisas vão fluindo. Ninguém disse que tudo na vida seria fácil e, verdade seja dita, quase nada é. Por isso, ter uma dose extra de esforço é necessário. E a Hermione é a personagem mais esforçada que eu conheço.

Eu admiro demais a lealdade da Hermione para com seus amigos. E admiro, também, o fato de ela ser uma mulher forte, uma bruxa extremamente competente e dona de um coração imenso. Além disso, ninguém pode dizer que Hermione não é uma personagem feminista porque ela o é. Ela está naquele livro para quebrar tudo quanto é tipo de preconceito e desigualdade. Por isso, eu a amo muito e tento, ao máximo, me aproximar da sua forma de ser.

Quer mais um motivo para ser Hermione? Eu dou um: viver no universo de Harry Potter. Sonho com isso desde os meus 10 anos de idade, quando mergulhei nessa história pela primeira vez.

Já li algumas coisas nessa caminhada – e pretendo ler muitas outras – mas  tenho certeza de que Harry Potter é um amor para a vida toda. Os sete livros são os meus livros preferidos.  Harry Potter e  Buffy The Vampire Slayer ocupam, de fato, um lugar muito especial no meu coração.

2) Scarlett O’Hara.

 (a atriz Vivien Leigh como  Scarlett no filme “E o vento levou”)

Personagem do livro E o vento levou, Scarlett é , antes de qualquer coisa, uma sobrevivente.

Complexa, realista e palpável … muito se engana quem pensa que Scarlett é uma heroína, porque ela não é. Chega quase a ser um anti – herói. Porém, com ela, aprendi a sobreviver. Aprendi que, às vezes, é melhor ser prático do que idealista. Aprendi que o mundo é um lugar cheio de frivolidades, etiquetas e convenções sociais que não fazem qualquer sentido, especialmente quando questões de vida e morte estão sendo discutidas.

Com ela, aprendi a ser uma mulher determinada. Pouco importa se vamos ou não chocar uma sociedade conservadora, desde que possamos ser quem somos.

Scarlett foi uma mulher que casou sem amor, que traiu a melhor amiga em prol do homem que achava amar e que atirou primeiro, antes que uma arma lhe fosse apontada. Mas foi também a mulher que plantou e colheu quando a situação da fome, em meio ao pós – guerra e suas consequências, apertou. Foi a mulher que fez de tudo para ajudar a amiga  a dar à luz,  em um parto complicado. Foi a mulher que fortaleceu e deu esperança a sua família e a seus amigos quando tudo parecia estar perdido.

Em suma, Scarlett é uma mulher cheia de determinação e esperança. Ela não sucumbe, mas trabalha duro.

Ela teve erros e acertos. Quanto àqueles, tentou ao máximo se redimir. Mas tudo o que fez foi em prol da sobrevivência. Sem dúvida, é uma personagem memorável e feminista. Marcou muito a mim e trouxe ensinamentos que pretendo levar para o resto da vida.

E o vento levou é um dos melhores livros do mundo. Pode até ser uma leitura trabalhosa, mas vale a pena. Clássico para ser lido e relido, várias e várias vezes.

3)  Suze Simon

(livro 1 de A Mediadora, na edição Australiana)

 

O meu eu adolescente não podia deixar de fora uma personagem da Meg Cabot.  Suzannah, a protagonista da série A Mediadora, foi a responsável pela minha rebeldia na adolescência. De batom vermelho, coturno e jaqueta de couro, ela era tudo o que eu queria ser no auge dos meus 14 anos.

Acredito que a Meg  – grande fã da série Buffy, assim como eu – se inspirou na caçadora de vampiros para criar essa mediadora. Suze é durona e não leva desaforos para a casa. O seu trabalho é guiar os mortos para o pós – vida e, assim, evitar que eles fiquem vagando pela terra na forma de fantasmas.

Eu adoraria viver as aventuras vividas por ela. E adoraria ter um Jesse para chamar de meu.

Em suma, Suze é uma personagem marcante, além de muito querida, para mim. Para variar, ela também tem um quê Girl Power e feminista. Portanto, sim, ela precisava estar nessa lista!

Se eu vivesse no mundo dos filmes, eu seria …

 

1) Vivian Ward.

 

(a atriz Julia Roberts como Vivian no filme “Pretty Woman”)

Vivian é a protagonista do filme Uma linda Mulher. Quando digo que seria ela, não quero dizer que gostaria de trabalhar como uma prostituta. Não, obviamente que não gostaria.

Mas me identifico bastante com o jeito da personagem. Ela é honesta e vê a vida com simplicidade. Ainda que trabalhe como garota de programa, ela sonha com mais. Quer ser, de fato, alguém de quem possa se orgulhar. E admiro muito essa atitude dela.

Assim como Scarlett, vejo Vivian como uma lutadora e uma sobrevivente. É uma mulher forte que fez o que teve que fazer para sobreviver à selva da vida.

Uma linda mulher é um dos meus filmes preferidos. Não me canso de ver, simplesmente.

E o mais legal é que este filme é um conto de fadas às avessas, com um adicional bastante feminista. É Vivian, a pobre e simples garota de programa, que salva Edward, um rico empresário, de uma vida cheia de mesquinhez e infelicidade.

Uma linda mulher é um clássico para ser visto e revisto, muitas e muitas vezes!  Para saber mais sobre o filme, leia a resenha que fiz aqui sobre ele.

2) Kat Stratford

(a atriz Julia Stiles como Kat no filme “10 Things I Hate About You”)

Personagem do filme 10 Coisas Que Eu Odeio Em Você, Kat é uma feminista antissocial e leitora voraz. Cheia de valores niilistas, ela adora discutir com professores  e questionar o patriarcalismo.

O que eu mais gosto em Kat é o fato de ela não mudar o seu jeito de ser por nenhum garoto. Ela é inteligente e militante e não tem qualquer vergonha disso. Ela está confortável na própria pele e é isso o que importa. Quem quiser gostar dela, ótimo. Quem não quiser, sem problemas!

E é por isso que identifico com Kat . Sem contar que eu adoraria ter um Patrick Verona para chamar de meu.

Para quem não sabe, o filme foi baseado no  livro “A Megera Domada”, de Shakespeare. Nunca o li, mas tenho vontade.

“Eu não faço o que as pessoas esperam. Para quê viver do modo que as pessoas esperam, se eu posso viver do meu?”

3) Louise Sawyer.

(a atriz Susan Sarandon como Louise no filme “Thelma and Louise”)

Personagem do filme Thelma & Louise.

Louise é uma mulher corajosa o suficiente para atirar em um cara que estava estuprando a sua melhor amiga. E forte o suficiente para  pensar com clareza quando o mundo está caindo aos pedaços.

Louise me ensinou o que é lealdade, parceria e aventura. E, muito mais do que isso, ela me ensinou o quanto o mundo pode ser cruel com as mulheres – mesmo quando elas são as vítimas –  e o quanto a liberdade é uma sensação ilusória, se você é mulher em um mundo de homens.

Para mim, Thelma & Louise é um filme que todos deveriam assistir. Além de ser um filme muito bem feito, mesclando momentos de reflexão com momentos leves e engraçados, ele tem uma mensagem muito importante. É um dos meus cinco filmes preferidos. Vale muito a pena ver e rever.

Bônus:

Se eu vivesse no mundo dos contos de fadas, eu seria…

1) Belle.

(o clássico The Beauty And The Beast da Disney)

É claro que o meu conto de fadas seria “A Bela e Fera”. Belle é  sonhadora, louca por livros e  ama explorar. E ainda digo mais: ela não é nenhuma donzela em perigo. É ela quem salva a Fera e não o contrário. Portanto, seria impossível eu não me identificar com a personagem.

E, aí meu povo? Deu para me conhecer um pouquinho melhor? hahaha Gostei muito de fazer esse post. Sério. Foi divertido refletir e escrever sobre as personagens com quem me identifico.

E vocês? Com quem se identificam? Pensem aí em casa. É um exercício super interessante, eu garanto. Se quiserem compartilhar suas conclusões, é  só comentar aí abaixo! Vou adorar. 💋 💋 💋

 

Resenha: Lembrança (série A mediadora – Meg Cabot)

Em 18.07.2016   Arquivado em LITERATURA

E eu, finalmente, pude ler o novo e sétimo livro da série A mediadora, chamado “Lembrança”. Já vou antecipar que eu, fora um detalhe aqui e outro ali, gostei  bastante do livro. Além disso, eu espero que a Meg Cabot escreva mais histórias para a série!

Neste livro, a personagem principal, Suzannah Simon,  tem 24 anos e é uma recém-formada. Ela está fazendo estágio na academia da Missão, porque deseja trabalhar como conselheira estudantil (isso é muito comum nos EUA; no Brasil, nem tanto). Para ela, a função de  conselheira é a que  mais combina com a de Mediadora. Em ambos os casos, ela estará ajudando pessoas a resolverem seus problemas e seguirem em frente.

Suze também está noiva de Jesse. Este conseguiu se formar em medicina e está fazendo residência. Os dois planejam se casar assim que Jesse conseguir uma bolsa-auxílio para que possa abrir seu próprio consultório de pediatria.

A vida de Suze, portanto, vai bem. E o seu relacionamento com o ex-fantasma também está ótimo, a não ser por um único detalhe: a relação entre ambos é mais casta do que Suze gostaria. Jesse se recusa a fazer sexo com ela até que ambos se casem.  E é claro que Suze, feminista e não muito religiosa, não está aceitando isso muito bem.

O primeiro dilema de Suze, no livro, começa quando Paul Slater (um “mais inimigo do que amigo” do passado) manda um e-mail para ela, chantageando-a.  Paul está mais rico do que nunca, pois agora é chefe das empresas Slater. No e-mail, ele comunica a Suze que comprou o antigo casarão dela (aquele em que ela conheceu Jesse!) e que pretende demolir o prédio para construir várias casas familiares de tamanho moderado.

O único problema é que existe uma antiga maldição que pode transformar Jesse em um demônio, caso a casa, seu antigo local de descanso, seja demolida. A maldição determina que se um morto reviver, ele se transformará em demônio e matará todos os seus entes queridos, quando o  antigo local de descanso de sua alma for destruído.

Por isso, em razão dessa maldição, Paul faz uma proposta bastante indecente a Suze: se ela for para cama com ele, a casa não será demolida. Paul pede a Suze a chance de fazer com que ela goste dele.

Suzannah não deseja atender ao pedido de Paul, mas também não sabe como conversar com Jesse sobre a existência de tal maldição. Afinal, para isso ela teria que contar a ele sobre a proposta de Paul (e também sobre algo que este fez no baile de formatura do ensino médio). Com medo de que Jesse tenha atitudes extremamente ciumentas / violentas contra Paul, ela se omite (típico da Suzannah).

Como se não bastasse isso, Suzannah tem que lidar com o fantasma, extremamente forte, de uma garota de 6 anos que pode ter sido, possivelmente, assassinada (o segundo dilema da história). Nesse livro, nós percebemos que Meg tenta dar um “tom” mais adulto à série de livros, haja vista que os motivos para a morte da menina são “pesados”.

Em “Lembranças”,  nós também reencontramos  todos os personagens dos livros anteriores. Ficamos sabendo “a quantas” anda a vida de cada um. Essas partes, para mim, foram as mais divertidas e interessantes.

Sem dúvida, a Suzannah está mais madura nesse livro, como era de se esperar, já que ela, agora, tem 24 anos. Porém, a essência da personagem continua a mesma… ela ainda é uma garota durona que não leva “desaforos” para casa.

Por mais incrível que pareça, eu passei a gostar um pouco mais do Paul nesse livro. Se vocês já leram a resenha que eu fiz aqui sobre os seis livros anteriores da série, sabem que o meu relacionamento com o Paul nunca foi estável (tinha momentos em que eu gostava dele e momentos em que o detestava). Mas, nesse livro, não sei o porquê, passei a gostar mais dele. Talvez seja porque eu conheci mais sobre ele e as suas fraquezas ou porque o “brilho” do Jesse se apagou um pouquinho.

Bem, houve alguns detalhes que eu não gostei muito na história. Achei algumas atitudes do Jesse bastante despropositadas e machistas. Por outro lado, acho que a parte da “mitologia” acerca da mediação poderia  ter sido melhor explorada para ter mais credibilidade.

Mas, no geral, eu gostei do livro. É bem perceptível que a Meg, ao final da história, deixou um gancho para outros possíveis livros. Até agora, não ouvi nada a respeito de ela planejar escrever mais livros. Mas, eu espero que ela escreva. Adoraria que ela escrevesse algo focando um pouco mais em Paul, seu irmão Jack e seu falecido avó (todos os três mediadores). Seria muito interessante.

De qualquer forma, como não há nada confirmado quanto a outros livros, eu me despedi de “Lembranças” com um pouco de tristeza. Foi bom rever Suzannah, seus meio – irmãos, Jesse, o padre Dominic, Gina, Cece, Adam…  e, até mesmo, Paul. E foi bom, também, conhecer os novos personagens, como as sobrinhas trigêmeas da Suze.  Espero poder rever a todos, ao menos, mais uma vez!

Gostaria de lembrá-los de que a série “A mediadora” é uma série direcionada ao entretenimento. Não existem questões muito profundas. Mas, por outro lado, as histórias são, sem dúvida, interessantes e divertidas. A narrativa de Meg Cabot é inovadora e viciante !!!!

Nota: 4/6 – Bom

 E, aí? Gostaram da resenha? Conta tudo 📖 💋

Resenhando: série de livros “A mediadora”

Em 18.05.2016   Arquivado em LITERATURA

 

A série  “A mediadora”, da escritora Meg Cabot, é composta por 7 livros.

Eu li essa série pela primeira vez quando tinha 14 anos e, na época, amei. No mês passado, resolvi lê-la novamente. Quando relemos uma série de livros após um grande período de tempo, duas hipóteses são possíveis: você passa a amar a série ainda mais ou descobre que não se identifica mais com ela.

Felizmente, posso dizer que comigo aconteceu a primeira hipótese: o meu amor só aumentou.

Antes de falar sobre o enredo, quero comentar um detalhe: os livros da série possuem três versões diferentes de capa.

A primeira versão possui um fundo preto fosco e é ilustrada com desenhos. É a versão que eu mais gosto.

Atualmente, só se encontra a série nas capas antigas em sebos (estante virtual) ou em sites de usados, como o  enjoei.

A segunda versão de capas começou a aparecer lá para 2007-2008.Acredito que a Editora da Galera Record, responsável pela publicação da série aqui no Brasil, resolveu mudar as capas justamente porque, na época, os livros infanto-juvenis sobrenaturais (que passaram a fazer um tremendo sucesso) eram publicados em capas adultas, com fotografias, em um estilo gótico-sexy (como os livros de Twilight, por ex.).

 

 

Houve também uma terceira versão chamada “vira vira”.  Esta edição é econômica e contém dois volumes da série em apenas um livro.

 

As capas dos meus livros, infelizmente,  são meio mescladas, como vocês puderam observar nas fotos acima. Eu queria que todos os volumes  fossem da primeira versão, a mais antiga. Mas, na época em que comprei, não teve jeito!

Comentários gerais sobre os livros:

 

A série  A mediadora é centrada em Suzannah,  uma garota de 16 anos que poderia ser como qualquer outra, se não fosse por um pequeno detalhe: a capacidade de se comunicar com os mortos.

Os mediadores possuem um “dom”: são capazes de ver e conversar com fantasmas. Para eles, estes seres não são imateriais, mas sim sólidos e palpáveis … como se fossem de carne e osso.

A função de um mediador é ajudar os mortos a fazer a travessia da vida para o pós – morte. Segundo a mitologia do livro, um ser humano só fica preso na terra, na forma de fantasma, se deixou algo inacabado por aqui. Suzannah, como mediadora, deve resolver esses assuntos mal resolvidos. Só assim as almas conseguirão descansar em paz e encontrar o seu caminho.

Em alguns casos, esses “assuntos” podem ser vingança. E é aí que a nossa mediadora tem se durona e chutar “alguns traseiros fantasmagóricos” por aí.

A história do primeiro livro, A Terra das Sombras, começa com Suzannah se mudando de Nova York para a Califórnia, em razão do novo casamento da mãe.  Em Carmel, Califórnia, moram Andy (o padrasto) e os três filhos dele.

Dessa forma,  a vida de Suze está passando por muitas mudanças. Ela está morando do outro lado do país e convivendo com três novos meio – irmãos.

Embora Suze tente manter distância de prédios velhos (alô, são os locais mais propícios à fantasmas), o seu novo lar é um casarão de 150 anos e a sua nova escola é mais antiga a ainda, com cerca de quase 300 anos.  Quando Suze descobre a idade da sua casa, ela fica pirada porque tem certeza de que vai encontrar companheiros nada hospitaleiros por lá. E não dá outra: assim que pisa em seu quarto, lá está o fantasma de um cara morto … só que extramente gato. hahah

O fantasma – Suze descobre mais tarde – se chama Jesse e morreu ali mesmo, naquele quarto, há 150 anos atrás,  quando o casarão da família ainda era um hotel para viajantes.

É claro que Suze, no início, tenta fazer de tudo para poder se livrar da presença do fantasma. Tenta mediá-lo de todas as formas possíveis. Mas nada funcionada. Jesse se recusa a contar o motivo que o prende à terra e, também, se nega a ir embora da casa. Afinal, antes mesmo de Suze existir, aquele quarto já era dele. Foi ali que ele morreu e viveu por 150 anos como fantasma.  Aquele quarto é o seu lar.

Obviamente Suze odeia a insistência do cara. Não tem como  ela, uma garota de 16 anos, dividir o quarto com um homem. E o pior, um homem morto. Quer dizer, e para trocar de roupa, como faz?

Para piorar tudo,  Suze se sente atraída por Jess.  Porque ele não é apenas um fantasma: ele é um fantasma muito bonito.

“Ele piscou aqueles enormes olhos negros. Suas pestanas eram mais longas que as minhas. Não é sempre que eu dou de cara com um fantasma que também é uma graça, mas aquele cara… caramba, ele devia ter sido uma coisa quando vivo, pois ali estava ele morto e eu já queria adivinhar como eram as coisas por baixo da camisa branca que usava, bem aberta, mostrando um bocado do peito e até um pouco do abdômen. Será que fantasma também faz abdominal? Era o tipo de coisa que eu nunca tivera oportunidade- ou vontade- de explorar até então. Não que eu fosse me deixar perturbar por esse tipo de coisa àquela altura dos acontecimentos. Afinal de contas, sou uma profissional.” 

Aos poucos, no decorrer dos livros, vamos acompanhando a evolução dos sentimentos de Suze em relação a Jesse.

No primeiro dia de aula, no  novo colégio, Suze conhece Cece (uma albina muito inteligente) e Adam. Os dois se tornam seus melhores amigos. E Suze fica muito feliz com o fato de ter algum amigo, para variar. O dom da mediação foi algo que sempre a distanciou das pessoas. Amigos não gostam de mentiras e desculpas e Suze tem que inventar muitas para explicar suas ausências. Em todos os anos que morou em NY, Suze teve uma única amiga, a Gina. Fora ela, mais ninguém.

Outro personagem importante para a série é o Padre D., diretor do novo colégio de Suze  (o colégio Junipero Sierra é católico). Ele também é um mediador e está sempre ajudando Suzannah quando o assunto é  fantasma.

 

Comentários sobre cada livro especificamente (NÃO possui Spoiler):

1) Terra Das Sombras: Suzannah lida com o fantasma de uma adolescente que cometeu suicídio.  A menina se arrepende do que fez e quer viver novamente. Quando Suze mostra que seu desejo é impossível, Heather, a fantasma, procura uma forma de se vingar. A primeira vítima é o ex – namorado. Afinal, se ele nunca tivesse terminado o relacionamento, ela provavelmente ainda estaria viva.

Com o intuito de parar Heather em seu ânimo vingativo, Suze vai usar todas as medidas necessárias, até mesmo aquelas mais drásticas que envolvem uma certa TERRA DAS SOMBRAS.

2) O Arcano Nove: uma fantasma acorda Suze no meio da noite e pede para ela mandar uma mensagem a um homem chamado Red. Sem muitas informações acerca da identidade de Red, Suze inicia uma busca maluca e acaba se metendo em confusões que envolvem, inclusive, as quadrilhas criminosas de Carmel.

 

3) Reunião: Tudo começa quando Suze vê quatro jovens muito bonitos  na praia, em um dia de verão. À primeira vista, tudo parece normal. Mas em uma segunda olhada, ela percebe algo de muito errado com eles: vestidos com roupas de gala, os jovens emanam um brilho assustador.  Fantasmas, na praia, em plena luz do dia.

Por meio do jornal da cidade, Suze descobre que os jovens são os quatro alunos – modelo do colégio RLS. Os mesmos que sofreram um acidente de carro na noite anterior, quando voltavam de um baile do colegial..

O outro automóvel envolvido no acidente pertencia a Michael, um colega de classe de Suze.

Os fantasmas estão convencidos de que Michael é responsável pelo acidente. E desejam vigança.

Por isso, cabe à Suze, Jesse e ao Padre D. enfrentar a fúria assassina de cada um deles.

4) A hora mais sombria: É período de férias em Carmel e, para a família Ackerman, férias é sinônimo de emprego de verão. Por isso, Suze está trabalhando como babá em um hotel cinco estrelas.

Durante um dia de serviço, Suze descobre que Jack Slater, um dos menino para quem ela serve de babá, também é um mediador – embora ele mesmo ainda não saiba disso. Logo, Suze é encarregada, pelo padre D., de servir como mentora para menino. Como se não bastasse já ter que lidar com um Slater, Suze tem que lidar com dois. É que Paul, o irmão mais velho de Jack, não cansa de chamar Suze para sair.  O problema é que, embora Paul seja um gato e tudo mais, o coração da nossa mediadora parece bater mais forte por outro homem.

Sem entrar em muitos detalhes para não spolier, apenas posso dizer que Suze – neste livro – vai enfrentar a hora mais sombria de sua vida. E isso é um fato.

Para mim, este é o melhor livro da série.

5) Assombrado:  Meg Cabot se aprofunda na mitologia dos mediadores.  Neste livro, descobrimos mais sobre as origens e as habilidades deles.  Suze percebe que é muito mais poderosa do que imaginava.

6) Crepúsculo: Neste volume, temos o tão esperado final da história (ou seria um novo começo?!). E confesso que o desfecho foi …  INSUPERÁVEL. Eu não imaginava um final assim, não mesmo. Meg Cabot conseguiu ser surpreendente de uma forma incrivelmente positiva. Eu amei, amei e amei esse livro.

Nota e comentário final sobre a série:

A série A mediadora é infanto – juvenil e se volta para o entretenimento. Ela nos diverte e nos faz mergulhar no mundo da fantasia.  A Meg Cabot, na minha opinião,  sabe escrever livros adolescentes como ninguém. Ela compreende perfeitamente o mundo jovem. A sua linguagem é fácil, leve e inovadora. Se você quer rir e se apaixonar, leia uma história da Meg. Porém, se você estiver procurando por algo que trate de assuntos densos, eu o aconselho a  ler outra coisa.

A Mediadora é uma das minhas séries favoritas. E isso não é por acaso. Em primeiro lugar, acho a história criativa. Por mais que fantasmas sejam um tema batido, nessa série eles conseguem ser reinventados de uma forma cômica e interessante. Também acho legal legal essa dinâmica “mediadora se apaixona por fantasma”. Típico amor impossível, é verdade. Mas, ainda assim, um pouco inusitado.

Em segundo lugar, eu adoro a personalidade da Suzannah. Sim, ela é durona. Sim, ela é mal – humorada. E, sim, ela não tem papas na língua. Mas e daí? É exatamente isso que a torna diferente de tantas outras personagens “bocós” que vemos por aí nos outros livros Young – Adult.

E em terceiro lugar,  porque gostei muito do final do livro. Eu me surpreendi.Totalmente.

Além de Suze, temos outros personagens interessantes na série. Gosto bastante do Jess, embora ache as crises machistas dele chatas. Mas relevo porque, né, o cara nasceu no século passado. Dá para entender.

Adoro os meio – irmãos da Suze e o Padre Dominic. Eles contribuem muito para a diversão do livro. Não dá para deixá-los de fora. Por outro lado, no que se refere ao personagem Paul (que se torna relevante na história a partir do quarto livro), eu  tenho uma relação de amor e ódio. Mais ódio do que amor, na verdade. É assim: em alguns momentos, até gosto dele. Em outros: poxa, que personagem insuportável! Varia.

Em suma, A Mediadora é uma série que marcou minha adolescência. O meu eu adolescente sempre vai se identificar muito com a Suze. Eu tenho um carinho imenso por todos os seis livros. Levando tudo isso em consideração e considerando também que a finalidade desta história é unicamente divertir e entreter (e não abarcar assuntos densos), a minha nota é: 5/6 – Excelente.

Espero que tenham gostado dessa resenha imensa (tá tão grande que dá preguiça de ler tudo, eu sei). De qualquer forma, conta tudo aí nos comentários. 💋