Look do dia: Camiseta “Alice” da Chico Rei.

Em 26.02.2017   Arquivado em LITERATURA, MODA

O look de hoje é super basiquinho. Fotografei ele com a intenção de mostrar para vocês a camiseta fofa que eu comprei na  Chico Rei.

Fazendo referência à “Alice in Wonderland” – um dos meus clássicos favoritos – a camiseta traz a icônica frase “We are all mad here” (e não é que somos mesmo?!).

E aí? Curtiram a camiseta?

Conta tudo <3

Sobre o filme “Alice através do Espelho” , a loucura e o feminismo.

Em 27.05.2016   Arquivado em CINEMA, LITERATURA

Eu sou uma entusiasta em tudo aquilo que se refira à  “Alice no país das Maravilhas”. Desde criança, eu amo esse livro nonsense. Embora, é claro, aos 10 anos de idade eu pouco ou nada entendia sobre ele e  as suas entrelinhas.

Porém, após reler o livro muitas vezes, já na adolescência, eu passei a entender um pouco daquele incrível – e louco- mundo de Lewis Carroll. E o livro sempre me passou uma mensagem: desafie as regras sociais. Desafie os rótulos! Seja você mesma, ainda que isso seja considerado rebeldia ou loucura. Afinal,  como já dizia o gato de Cheshire: somos todos loucos por aqui. E essa é uma mensagem que devemos ouvir, especialmente na adolescência – fase em que está a personagem “Alice”,  de Carroll.

E eu pergunto  a você: o que é a loucura? Como separar os loucos dos não loucos? A verdade é que, já há muito tempo, várias obras foram feitas sobre a loucura: Foucault e a “História da loucura na idade clássica”; Machado de Assis e “O alienista” ;  Ken Kesey e “Um estranho no ninho”.

A grande conclusão que eu tiro de todas essas obras – em uma leitura não muito profunda, verdade seja dita–  é esta: por muito tempo (talvez, até mesmo, ainda hoje), a loucura foi uma ideia para se amarrar e amordaçar aqueles que se desviavam dos caminhos já construídos para o trilhamento da sociedade. A loucura foi um discurso que permitiu a exclusão dos rebeldes, ou seja, a exclusão daqueles que destoam dos padrões sociais.

Porém, eu acredito que, em muitos contextos (não em todos, mas em alguns contextos específicos), é importante você se desvincular dos padrões sociais. E isso não quer dizer que você seja louco. Muito pelo contrário, isso quer dizer que você é um ser humano pensante.

Mas, enfim, vamos conciliar toda essa digressão com o filme “Alice através do espelho”: eu, como entusiasta a tudo que se refere à obra de Carroll,  gosto muito de estar por dentro de todas as adaptações sobre essa história riquíssima. E foi por isso que resolvi ir ao cinema ontem, assistir à continuação do filme lançado em 2010 por Tim Burton. A continuação  leva o mesmo nome do segundo livro publicado por Carroll sobre a personagem “Alice”, que é “Alice através do espelho”

Para quem não sabe, Carroll escreveu dois livros sobre Alice: Alice no país das maravilhas e Alice através do espelho .

O filme  “Alice através do espelho”, dirigido por James Bobin,  não foi – nem de longe- fiel ao segundo livro escrito por Carroll. Mas nem por isso, ele deixou de ser uma adaptação maravilhosa.

Na história do filme, Alice é a capitã de um navio. Depois de alguns anos viajando ao mundo, ela retorna a sua casa, onde encontra sua mãe em uma situação bastante difícil: ela está quebrada financeiramente e  casa da família está hipotecada. O credor é Hamish (para quem não se lembra do primeiro filme, Hamish é o pretendente a quem Alice recusou). A única forma de a mãe de Alice ficar com a casa é justamente dar, como pagamento à dívida,  uma das coisas de que Alice mais gosta no mundo: seu navio.

Para Alice, perder seu navio significa perder toda a forma de vida que ela construiu para si mesma. Perder o navio é perder, completamente, sua independência. É perder a si própria.

A sociedade de Londres, especialmente Hamish, desaprova a forma de viver  de Alice.Consideram-na rebelde, desobediente e maluca. Afinal, Alice é uma mulher. O lugar de uma mulher não é viajando ao mundo; o papel de uma mulher não é ser capitã de um navio.  O lugar de uma mulher é em casa, cuidando da família e dos filhos. O papel social da mulher é ser a esposa submissa ao marido.  E o tempo, dizem todos, está contra Alice, que já tem quase 30 anos e ainda não se casou. É necessário que ela desista do navio e passe a ter uma vida decente na sociedade londrina (não podemos nos esquecer que a história do filme se passa lá para 1830).

Alice se vê em um grande dilema: ora, ela, uma mulher que sempre acreditou que poderia fazer aos menos 6 coisas impossíveis antes do café da manhã, deve realmente desistir da sua forma de viver  e se submeter aos costumes sociais machistas da época?  Mas, e sua mãe? Será viável destruir também, em prol de si mesma, toda a maneira de viver de sua mãe, que ficará  sem casa para morar?

E é neste momento, em que Alice precisa fazer uma difícil escolha, que o mundo do “País das maravilhas” se descortina, novamente, para ela. Desta vez, ela atravessa um espelho para chegar até lá. No país das maravilhas, ela descobre que o seu amigo, Chapeleiro Maluco, está muito doente. Ele teima  em dizer que sua família – dada como morta há anos- está viva.  Alice não acredita nessa possibilidade de início, porém, percebendo que seu amigo está morrendo, ela se determina  a ajudá-lo.  Em razão disso, Alice inicia uma luta contra o tempo. Ela deve roubar a cronosfera de Cronos (que é o próprio tempo) e voltar no tempo para tentar salvar a família do Chapeleiro.

No meio do filme, ainda que muito rapidamente, Alice até mesmo vai parar em um “hospício”. Como disse para vocês, por desafiar as regras sociais, ele sempre foi considerada, por quase todos, como meio maluca.

O filme, em si, é muito agradável de se ver. É criativo, engraçado, tem aventura, amizade, atores talentosos e efeitos especiais incríveis. Á primeira vista, ele pode parecer um filme leve e divertido apenas. Mas, eu acho que ele nos passa uma mensagem importante:

Nada é impossível. Você, mulher, pode ser quem você quiser. Basta que você tenha força e coragem para desafiar aqueles que não acreditam nas suas potencialidades. Basta que você acredite em você mesma.

Se você vai contra a correnteza, acredite, você não é, necessariamente, louca. Você é alguém que deseja ter a liberdade de escrever a sua própria história, da forma que quiser. 

Bem, naquela época a mulher que desafiava os costumes sociais machistas era louca.Sabe, acho que, ainda hoje, essa realidade não mudou muito. Ainda existe um grande preconceito social contra as feministas. Já ouvi chamarem-nas de muitas coisas: oportunistas, chatas, feias, encalhadas, revoltadas, histéricas, paranoicas, desvirtuadas, devassas, sexistas e – é claro- doidas. Mas eu não acho que exista algo errado com a ideia de se buscar a efetiva igualdade entre homens e mulheres. E é isso que, no íntimo, significa o feminismo.

Muitos pensam que o feminismo hoje é desnecessário. Afinal,o Direito e o Estado asseguram a equiparação entre os sexos.  Hoje, grande parte das mulheres trabalha e tem independência social e financeira. Existem mulheres que estudam, tem curso superior, são mestres e doutoras. Hoje, a mulher tem opção de não casar, se não quiser. Hoje, a mulher passou a acreditar em si mesma, em seu potencial. Hoje, não existe mais espaço para o discurso “lugar de mulher, é na cozinha”.

Mas será que isso vale para todas as mulheres? Se você parar para pensar, não só no Brasil, mas no mundo todo, ainda existem mulheres que vivem de forma adversa, em razão da sua condição de mulher. Existem mulheres que ainda tem que conviver com o discurso “lugar de mulher é na cozinha”. Existem mulheres que são violentadas, vítimas de violência doméstica e, também, sexual.

Em algumas partes do mundo, existem mulheres vendidas como escravas sexuais. Há o tráfico de mulheres.

O machismo, portanto, existe sim É ele que dá causa à violência física, ideológica e cultural contra as mulheres.

Por violência física, temos a doméstica e sexual; as mulheres que apanham e as mulheres que são estupradas e até vendidas e escravizadas, em alguns casos.  Por violência cultural e ideológica, nós temos as piadas de mal gosto; temos a publicidade machista, que sensualiza a mulher e a coloca na mesma condição de um objeto sexual; temos a cultura do estupro.

 E eu acho que uma das formas de se combater, ao menos  a violência cultural e ideológica, é usar a arte (cinema, literatura, pintura, etc.)

 As mulheres, desde pequenas, devem estar conscientes de que elas podem ser o que quiserem. Elas precisam acreditar em si mesmas. E é por isso que eu adoro filmes como “Alice através do espelho”. Ele é feminista e  GIRLPOWER. A personagem é uma HEROÍNA que luta por si mesma e pelo seu lugar no mundo.

Mas sabe o que é mais triste? As mulheres de que eu falei ali em cima- aquelas que ainda vivem de forma adversa, em pleno século XXI, em razão da sua condição de mulher- são justamente aquelas que não irão ver filmes como “Alice através do espelho”. São justamente aquelas que não terão acesso a um post, como esse.

Embora a violência sexual e doméstica atinja a mulheres de todas as classes sociais e econômicas, eu acho que  a maioria das mulheres que podem se ORGULHAR DE SEREM DONAS DE SI MESMAS são aquelas privilegiadas. Privilegiadas por poderem fazer uma faculdade, por poderem ter acesso a informação, por poderem ter nascido em uma família que sempre apoiou a emancipação feminina.

Por isso, são necessárias políticas públicas que possam efetivar as leis que garantem a igualdade entre homens e mulheres.  É necessário que as nossas leis tenham efetividade social. É necessário que elas atinjam senão todas, quase todas as mulheres.

E o mais difícil: são necessárias medidas que protejam a mulher, que a equiparem ao homem, em nível GLOBAL. Em um mundo com culturas e costumes tão discrepantes, será isso realmente possível? Bem, temos que tentar ao máximo.

Vamos lutar por isso? Vamos lutar pela igualdade? Vamos lutar pela diminuição da violência doméstica e sexual? Vamos lutar pelo feminismo?  Vamos lutar pelo direito de a mulher acreditar em si mesma e poder ser quem ela quiser? Vamos lutar pelo fim do machismo ideológico e cultural?

Fica aqui, então, uma análise, bastante amadora e até mesmo inusitada,  sobre o filme “Alice através do espelho”, sobre a loucura e sobre o feminismo.