Resenha: A Lista de Brett (Lori Nelson Spielman)

Em 02.03.2017   Arquivado em LITERATURA

 

Sinopse:

“Brett Bohlinger parece ter tudo na vida – um ótimo emprego como executiva de publicidade, um namorado lindo e um loft moderno e espaçoso. Até que sua adorada mãe morre e deixa no testamento uma ordem: para receber sua parte na gorda herança, Brett precisa completar a lista de sonhos que escreveu quando era uma ingênua adolescente.
Deprimida e de luto, Brett não consegue entender a decisão de sua mãe. Seus desejos adolescentes não têm nada a ver com suas ambições de agora, aos trinta e quatro anos. Alguns itens da lista exigiriam que ela reinventasse sua vida inteira. Outros parecem mesmo impossíveis. Com relutância, Brett embarca numa jornada emocionante em busca de seus sonhos de adolescência.”

 

A personagem principal é Brett Bohlinger. Uma mulher altruísta e sonhadora, mas que se esqueceu da impetuosidade da vida.

Brett vive comodamente. Ela tem medo de correr riscos e, consequentemente, tem medo de perseguir seus sonhos. Em prol de uma vida previsível e confortável, ela deixou de ser quem é, simplesmente.

A família de Brett sempre teve bastante dinheiro. A mãe, Elizabeth Bohlinger, iniciou uma lucrativa empresa de cosméticos femininos. Portanto, nunca faltou nada para Brett e para seus irmãos.

Quando Elizabeth falece em razão de um câncer com o qual vinha lutando há alguns meses, a filha fica perdida – como era de se esperar. Brett e a mãe sempre foram muito unidas – uma era o esteio da outra. Entretanto, Brett sabe que precisa se recompor rapidamente – ainda que a sua vontade seja se esconder em casa por dias e chorar horrores. Ela acredita que a mãe lhe confiou a presidência da empresa. Para assumir esta, Brett precisa estar segura de si.

No dia da leitura do testamento, Brett leva um choque. Ela não será a nova presidente da Bohlinger Cosméticos – muito embora, tivesse sido treinada para ser. Não, a presidente será a sua cunhada Catherine. Elizabeth tem outros planos para a filha, pois acredita que a vida desta está tomando um rumo que não deveria tomar. Ora, Brett é verdadeiramente feliz? Ela é uma pessoa realizada? Ou ela está se contentando com pouco e se esquecendo dos seus verdadeiros sonhos?

Apostando na última hipótese, a mãe resgata uma lista de sonhos que Brett escreveu quando ainda era adolescente. A herança da filha ficará condicionada à concretização desses sonhos. Se ela não concretizar todos eles, não receberá nada.

Brett fica indignada com a atitude da mãe, mas se compromete a cumprir a lista.

Pouco a pouco, uma parte do mundo – até então desconhecida – começa a se descortinar para a personagem. Ela é forçada a amadurecer. E, com isso, começa a questionar se a mãe não estava mesmo certa. Será que ela, Brett, era uma pessoa infeliz e não sabia?!

O que eu achei do livro:

A Lista de Brett é um livro super gostoso de ler. A leitura é fluída e tem conteúdo.

Brett é uma personagem adorável.  Além disso, a mudança dela é crível e não acontece da noite para o dia.

O livro mostra as coisas como elas são – de forma realista. Nos deparamos com diversas questões e todas elas são bem explanadas.

Apesar de ser um Chick lit, a história não é tão previsível quanto eu supus ser. Eu esperava menos do livro.  Ele,  com certeza, superou as minhas expectativas e me surpreendeu  muito positivamente.

A Lista de Brett fala sobre sonhos e sobre como persegui-los. Mas, acima de tudo, fala daquele momento da vida em que nos olhamos no espelho e não nos reconhecemos mais. Ás vezes, precisamos nos lembrar de quem costumávamos ser. Ás vezes, precisamos nos reinventar. De uma forma ou de outra, ser feliz é um imperativo.

Levando em consideração o gênero literário – um Chick lit que, supostamente, deveria ser despretensioso –  A Lista de Brett é excelente.

A nota do livro, portanto, é 5/6 – Excelente.

Nome do livro: A Lista de Brett

Autora: Lori Nelson Spielman

Editora: Verus (grupo editorial Record)

Páginas: 364

 

 

 

 

 

 

Resenha: Ligações (Rainbow Rowell)

Em 12.01.2017   Arquivado em LITERATURA

Sinopse:

Georgie Mccool sabe que seu casamento está estagnado. Tem sido assim por um bom tempo. Ela ainda ama seu marido, Neal, e ele também a ama, profundamente – mas o relacionamento entre eles parece estar em segundo plano a essa altura.
Talvez sempre esteve em segundo plano.
Dois dias antes da tão planejada viagem para passar o Natal com a família do marido em Omaha, Georgie diz a ele que não poderá ir, por conta de uma proposta de trabalho irrecusável. Ela sabia que ele ficaria chateado – Neal está sempre um pouco chateado com Georgie –, mas não a ponto de fazer as malas e viajar sozinho com as crianças.
Então, quando Neal e as filhas partem para o aeroporto, ela começa a se perguntar se finalmente conseguiu. Se finalmente arruinou tudo.
Mas Georgie estava prestes a descobrir algo inacreditável: uma maneira de se comunicar com Neal no passado. Não se trata de uma viagem no tempo, não exatamente, mas ela sente como se isso fosse uma oportunidade única para consertar o seu casamento – antes mesmo de acontecer…
Será que é isso mesmo o que ela deve fazer?
Ou ambos estariam melhor se o seu casamento jamais tivesse acontecido?

E, enfim, terminei mais uma leitura da Rainbow Rowell. Depois de ler Eleanor & Park, eu confesso que as expectativas para o livro Ligações eram altas.

Primeiramente, tenho que dizer que eu gostei bastante do livro. Houve algum probleminha aqui e ali, mas, no geral,   foi uma leitura bastante satisfatória e envolvente.

A personagem principal deste livro é Georgie McCool. Ela vive em Los Angeles e escreve roteiros para programas de TV.  Fascinada pelo mundo das comédias, Georgie sempre foi boa em fazer as pessoas rirem. Piadas sempre funcionavam quando Georgie queria se enturmar ou esconder o seu desconforto com alguma situação. Ela conseguia ser engraçada. Isso era um fato. Portanto, não foi nenhuma surpresa quando ela e Seth – seu melhor amigo da época de faculdade – começaram a trabalhar juntos nesse ramo da televisão. Menos surpreendente ainda que ambos tenham conseguido transformar uma comédia medíocre, o Jeff’d UP, em um grande sucesso da TV.

Georgie ama trabalhar. E, o mais importante, ela é boa no que faz. O programa Jeff’d Up é uma prova disso. Um fracasso … até Georgie começar a escrever o roteiro.

Georgie é mãe de duas filhas e também é esposa de Neal. Porém, Georgie não tem mais tempo para ser mãe e nem mesmo esposa. Os filhos, o casamento … tudo foi ficando em segundo plano porque o trabalho começou a ocupar 80% do tempo dela. Sabe quando você traça um plano na sua vida? Um plano mais ou menos assim: “vou trabalhar bastante e de forma exemplar para que, algum dia, eu tenha reconhecimento a ponto de poder iniciar o meu próprio negócio. A felicidade começa dali para frente“. Bem, esse foi o plano de Georgie. Trabalhar em programas de TV de outras pessoas até que, em algum momento, ela e Seth pudessem ter seu próprio show. O tempo para viver e ser feliz começaria dali para frente.

Uma semana antes da véspera de Natal, Georgie recebe uma proposta de trabalho irrecusável. Um canal quer financiar o seu programa de Tv – o  programa que ela e Seth sonharam e se dedicaram desde a época da faculdade. Com uma reunião marcada para o dia 27 de dezembro, Georgie precisa terminar o quanto antes o roteiro dos quatro primeiros episódios. Ela sabe que não conseguirá escrevê-los a tempo se for para Omaha – onde tinha combinado com o marido de passar o natal. E ela sabe também que Neal ficará muito chateado com a mudança de planos.

Quando Georgie chega em casa e conta a novidade a Neal,  este não se mostra tão compreensivo como era o esperado. Não briga e nem esbraveja, mas viaja com as duas filhas para Omaha. Sem Georgie.  E é neste ponto que ela começa a se questionar se fez a escolha certa.

Triste e muito solitária em uma casa vazia, Georgie resolve ir jantar com a mãe, a irmã e o padrasto. No meio da janta, Georgie percebe que o marido e as meninas já devem ter desembarcado do avião. Como o seu celular está descarregado, ela liga do seu antigo quarto, por meio de um telefone que usava na época de faculdade. Ao ver o telefoninho velho e amarelo, Georgie se lembra das várias noites que passou falando com Neal ali, naquele mesmo aparelho e procura na memória o número do telefone fixo da sogra (ora, com a inovação dos celulares, faz anos que ela não pensa no número). Disca para lá. Mary, a sogra, atende e passa para Neal. Mas esse Neal – Georgie logo percebe – não é o seu marido, mas sim o seu namorado. Na linha, encontra -se – nada mais e nada menos  – do que um Neal com a mesma voz, mas quase 10 anos mais jovem.

Perguntando  a si mesma se perdeu a cabeça ou se está mesmo diante de um telefone mágico, Georgie não sabe se cede à tentação de conversar mais vezes com aquele jovem e apaixonado Neal ou se deixa toda essa loucura para lá.

Cogitando a possibilidade de o telefone ser mesmo mágico, George reflete se ela está apenas se comunicando com o passado ou se está “interferindo” nele (no melhor estilo do filme “De Volta Para O Futuro”). Quer dizer, o que garante que Georgie –  ao fazer todas essas ligações para seu antigo Neal – não está alterando o que já aconteceu?  E se ela estiver, será que não devia tirar uma vantagem disso? Será que essa não é chance de fazer o seu casamento (cheio de amor, mas infeliz) dar certo? Será que essa não é a chance de resolver todas as questões que, até então, foram mal resolvidas? Georgie deveria consertar o seu casamento? Ou seria melhor que ele jamais tivesse acontecido?

O que eu achei do livro: 

Antes de Ligações, eu apenas tinha lido uma obra da escritora Rainbow Rowell: Eleanor & Park.  E como amei muito este último livro, foi impossível não fazer comparações. Enquanto em Eleanor & Park lidamos com personagens adolescentes, à beira de conhecer os prazeres e as agruras do primeiro amor, em Ligações lidamos com  um casal adulto que está problemas no casamento. Ainda que o foco (e o enredo) de ambos os livros seja muito diferente, existe algo que os conecta: a maneira que Rowell narra a história. A narrativa, na minha opinião, é o forte da escritora. Ela consegue desnudar, aos pouquinhos, os seus personagens. De início, não sentimentos muita afeição por eles, mas, quando menos se percebe, estamos no mesmo compasso. Se eles sofrem, nós sofremos. Se eles estão felizes, nós também estamos. Rowell consegue nos envolver de uma forma exemplar.

Dizem que romances, normalmente, são clichês (os tradicionais chick-lit). Em relação aos romances de Rowell, eu diria que é o oposto. Tudo parece novo em folha com ela. As suas histórias são singelas, mas muito cativantes.

Em Ligações, nas primeiras páginas, eu tomei as dores de Georgie. Achava completamente despropositado Neal viajar sem a esposa. Ora, ele deveria entender que ela tinha sonhos e estava a um passo de realizá-los. Mas, com o passar dos capítulos, fui me aproximando mais deste personagem. Comecei a compreender seu lado e até me perguntei: e os sonhos de Neal?

Achei incrível a maneira como Rowell mesclou o presente e o passado. Por meio das ligações com o Neal namorado, Georgie começa a se lembrar das fases de seu relacionamento. E, assim, vamos conhecendo a história do casal e compreendendo melhor porque a situação chegou ao ponto de partida da história: Neal indo passar o natal com as filhas, deixando Georgie em Los Angeles.

Devo dizer também que, em alguns momentos, eu torci muito pelo casal. Em outros, me tornei a Georgie da história e me perguntei como seria se eles não tivessem se casado. Será que estariam melhor separados? Ou não?

Apesar de ter me envolvido com Ligações, houve alguns problemas de ritmo na história. Achei alguns capítulos demasiadamente chatos. Era difícil passar por eles.

Mas, no geral, amei o livro. E a terminei com um gostinho de “quero mais”. Mais uma vez, chamo atenção para o estilo de narrativa de Rainbow: é delicado, mas nem tanto. É um estilo que possui personalidade. E isso faz toda a diferença.

Nota: 5/6- Excelente

Nome do Livro: Ligações (Landline)

Autora: Rainbow Rowell

Editora: Novo Século

Páginas: 303 páginas