Resenha: Scarlet (Marissa Meyer)

Em 04.11.2017   Arquivado em LITERATURA

Sinopse:

Depois de Cinder, estreia de sucesso de Marissa Meyer e primeiro volume da série As Crônicas Lunares, que chegou ao concorrido ranking dos mais vendidos do The New York Times, a autora está de volta com mais um conto de fadas futurista. Scarlet, segundo livro da saga, é inspirado em Chapeuzinho Vermelho e mostra o encontro da heroína ciborgue que dá nome ao romance anterior com uma jovem ruiva que está em busca da avó desaparecida. Em uma trama recheada de ação e aventura, com um toque de sensualidade e ficção científica, Marissa Meyer prende a atenção dos leitores e os deixa ansiosos pelos próximos volumes da série.

Scarlet – o segundo volume da série Crônicas Lunares – dá continuidade à história de Cinder e, ao mesmo tempo, introduz uma nova personagem à trama: Scarlet.

Scarlet é uma garota durona que vive na pequena cidade de Rieux, França. Ela e a avó moram em uma fazenda e trabalham com o plantio  e a venda de vegetais.

A rotina das duas é pacata e sem muitos rodeios. Certo dia, no entanto, a avó de Scarlet –  Michelle Benoit – desaparece misteriosamente. Scarlet tem certeza de que ela foi sequestrada, embora não saiba dizer o porquê. A avó –  uma ex-piloto da Federação Militar Européia – após a aposentadoria, dedicou-se exclusivamente à fazenda. Logo, que motivo alguém teria para sequestrar uma fazendeira?!  É o que Scarlet se questiona.

Após duas semanas de uma investigação infrutífera, a polícia francesa dá o caso de Michelle Benoit como encerrado. Não existem provas conclusivas que atestem um sequestro. Nesse sentido, é muito mais provável que a velha senhora tenha desaparecido voluntariamente. É o que a polícia diz. Mas Scarlet, obviamente, não acredita. A avó não iria embora sem mais nem menos. E, com certeza, não deixaria a sua nave pessoal para trás. Não, a avó foi sequestrada. E cabe a Scarlet descobrir o paradeiro dela para, então, resgatá-la.

Quando inicia a busca pela avó, Scarlet se depara com Lobo – um feroz e perigoso lutador. Apesar de, à primeira vista, julgar que o homem está metido no sequestro da avó, ela resolve dar um voto de confiança. Lobo diz ter informações valiosas sobre o desparecimento de Michelle. Portanto, ele pode ser muito útil.

Lobo e Scarlet, então, viajam juntos para Paris. Lá, eles pretendem resgatar Michelle e descobrir o motivo de ela ter sido sequestrada.

Enquanto isso, Cinder continua presa no palácio de Kai. Sabendo das intenções homicidas de Levana, Cinder decide fugir. E, para isso, conta com a ajuda do Capitão Thorne – o prisioneiro da cela ao lado.  Os dois tornam-se os fugitivos mais noticiados e procurados de Nova Pequim.

Cinder deseja descobrir mais sobre o seu passado. Logo, ela se dirige à Europa, local onde foi adotada.

Em algum momento, os caminhos de Cinder e Scarlet vão se cruzar. Scarlet é uma peça importante para o passado de Cinder, enquanto Cinder é uma peça importante para o passado de Scarlet. As histórias de ambas se complementam. Elas só ainda não sabem disso.

Kai,  nesse ínterim,  tenta aplacar a ira de Levana.  A fuga de Cinder só despertou ainda mais a sede de sangue da Rainha.  Um ataque à Terra parece cada vez mais iminente.

O que eu achei do livro: 

Scarlet é mais eletrizante do que Cinder. Apesar dos problemas de ritmo (a história é lenta no início e tarda a ficar boa), eu gostei bastante desse segundo volume da série.

Neste livro, algumas perguntas quanto ao passado de Cinder foram respondidas, enquanto outras foram suscitadas.

A nova personagem, Scarlet, não perde em nada para Cinder. Ela também é adorável, engraçada e durona. Uma forte personagem feminina.

Lobo também é um bom personagem. Ele me irritou em alguns momentos do livro, mas ainda assim conseguiu manter o seu charme. O romance que surge entre ele e Scarlet (como já esperado) é bonito e deixa a história ainda mais leve e gostosa de ler.

É preciso dar crédito à Meyer por, mais uma vez,  conseguir recontar de forma inédita um conto de fadas. Scarlet é uma ótima releitura de Chapeuzinho Vermelho. Eu gostei bastante. E me encantei com o jeito que a autora encontrou para interligar, de uma só vez, a história de Cinder e Scarlet. Ficou inteligente e bastante verossímil.

Estou ansiosa para o terceiro livro!

Fora os problemas de ritmo, a única crítica que preciso fazer é quanto à encadernação da editora Rocco no Brasil: péssima. Poderia haver mais capricho. As páginas do meu livro, após pouco manuseio, já começaram a descolar. Fiquei bastante chateada.

A nota que dou para este livro, é 4/6 – Bom.

Scarlet é – assim como o livro anterior – uma fantasia futurista despretensiosa e gostosa de ler. Vale a pena como entretenimento.

Nome do livro: Scarlet;

Autora: Marissa Meyer;

Editora: Rocco;

Páginas: 480 páginas.

Resenha: Cidade Dos Etéreos (Ransom Riggs)

Em 22.10.2017   Arquivado em LITERATURA

Sinopse:

Cidade dos etéreos dá sequência ao celebrado O orfanato da srta. Peregrine para crianças peculiares, em que o jovem Jacob Portman, para descobrir a verdade sobre a morte do avô, segue pistas que o levam a um antigo lar para crianças em uma ilha galesa. O orfanato abriga crianças com dons sobrenaturais, protegidas graças à poderosa magia da diretora, a srta. Peregrine.

Neste segundo livro, o grupo de peculiares precisa deter um exército de monstros terríveis, e a srta. Peregrine, única pessoa que pode ajudá-los, está presa no corpo de uma ave. Jacob e seus novos amigos partem rumo a Londres, cidade onde os peculiares se concentram. Eles têm a esperança de, lá, encontrar uma cura para a amada srta. Peregrine, mas, na cidade devastada pela guerra, surpresas ameaçadoras estão à espreita em cada esquina. E, além de levar as crianças a um lugar seguro, Jacob terá que tomar uma decisão importante quanto a seu amor por Emma, uma das peculiares.

Telecinesia e viagens no tempo, ciganos e atrações de circo, malignos seres invisíveis e um desfile de animais inusitados, além de uma inédita coleção de fotografias de época — tudo isso se combina para fazer de Cidade dos etéreos uma história de fantasia comovente, uma experiência de leitura única e impactante.

O livro Cidade Dos Etéreos se inicia no exato momento em que o livro anterior terminou. As crianças estão em um mini barco, tentando escapar de seus perseguidores, os acólitos.

Quando a fenda temporal da Srta. Peregrine foi destruída (e ela aprisionada na forma de ave),  não restaram muitas opções às crianças – a não ser fugir.

Amedrontados pelo destino de sua amada diretora – que, a cada hora que passa como ave, corre maior risco de nunca mais retornar a sua forma humana –  as crianças decidem buscar ajuda. Apesar dos ataques de acólitos e etéreos ter aumentado, ainda devem existir fendas temporais intactas. Ainda devem existir Ymbrines não capturadas e, portanto, capazes de transformar a Srta. Peregrine na mulher arrebatadora que ela sempre foi. Não, não apenas devem existir … elas precisam existir.

Não podendo permanecer muito tempo no presente  (pois, se permanecessem, envelheceriam muito rápido), as crianças viajam por diferentes fendas temporais e, logo, por diferentes momentos do passado.

É por meio dessas viagens no tempo que aprofundaremos nosso conhecimento sobre o mundo dos peculiares e, mais especificamente, sobre o mundo criado por Ransom Riggs. Cidade dos Etéreos é um livro que, em suma, fala sobre descobertas, sendo estas regadas a um ritmo eletrizante e  bastante animador.

O que eu achei do livro: 

A maior diferença entre o primeiro livro da trilogia, resenhado aqui, e este livro é o ritmo. Conforme explicitado acima, Cidade Dos Etéreos é uma leitura que flui muito bem e de forma rápida. Não vemos o passar de páginas.  No livro anterior, o ritmo era mais moroso e descritivo. Neste livro, pelo contrário, a narrativa se dá de forma mais veloz e tem mais acontecimentos. Gostei bastante disso.

Adorei conhecer outros detalhes sobre o mundo peculiar. Adorei viajar pelas diversas fendas temporais. E gostei muito, inclusive, de ler outras facetas sobre a Londres da Segunda Guerra Mundial.

Enfim, preferi este segundo livro ao primeiro. Foi uma ótima leitura. Eu me diverti em vários momentos, haja vista que Riggs tem um humor negro adorável e que combina (e muito) com o clima do mundo peculiar.

Desnecessário, talvez, dizer … mas, ainda assim, direi: que edição incrível! Capa dura, fonte e diagramação caprichada e fotos maravilhosamente assustadoras (que, é claro, combinam perfeitamente com a narrativa).

Valeu a pena a leitura. Excelente. E vamos, então, ao terceiro livro!

Nome: Cidade Dos Etéreos;

Autor: Ransom Riggs;

Editora: Intrínseca;

Páginas: 384 pág.

Resenha: As Horas Distantes (Kate Morton)

Em 07.07.2017   Arquivado em LITERATURA

 

Sinopse:

Uma carta entregue com 50 anos de atraso é o ponto de partida de As horas distantes, novo romance da australiana Kate Morton, autora de A casa das lembranças perdidas e O jardim secreto de Eliza. Intrigada com a reação da mãe ao receber a carta, assinada por uma certa Juniper Blythe, Edie Burchill passa a procurar respostas para os enigmas que envolveram a juventude de Meredith Baker. Intercalando as incursões de Edie ao passado da mãe, uma jornada que a leva à Segunda Guerra, e relatos sobre as excêntricas irmãs Blythe, a autora engendra uma trama repleta de segredos que conduz a um final surpreendente.

 

Sobre a história:

Edie Burchill  trabalha com editorial. Ela é uma espécie de arqueóloga da literatura. Ama o universo dos livros e ama descobrir o que está por trás deles, isto é, como uma história conseguiu chegar ao seu maior receptor: quem a escreve.

Edie e sua mãe, Meredith, vivem nas superficialidades da boa convivência. Existe uma confortável distância emocional entre ambas. E Edie nunca conseguiu compreender muito bem o porquê disso.

Quando a sua mãe é surpreendida, em um almoço de domingo, por uma carta extraviada de 50 anos atrás (enviada durante o período da segunda guerra mundial por uma tal de Juniper Blythe), Edie começa a suspeitar que talvez a mãe esconda um segredo.

Meredith (a mãe de Edie) tinha apenas 13 anos quando, no estouro da segunda guerra, foi evacuada de Londres e transportada para o campo. Lá, ela é acolhida pela excêntrica família Blythe e passa a viver no castelo de Milderhurst.

A família Blythe é formada por três irmãs e pelo pai destas, o renomado escritor Raymond Blythe (autor do livro fictício  “A Verdadeira História do Homem de Lama“). Juniper é a filha mais nova, enquanto Percy e Saffy (as gêmeas) são as irmãs mais velhas.

Quando Edie, intrigada, pesquisa sobre o conteúdo da carta recebida pela mãe, ela descobre mais sobre o passado desta. O período mais misterioso da vida de  Meredith  é justamente aquele em que ela viveu entre os Blythe, em Milderhurst. E é por isso mesmo que Edie, cinquenta anos mais tarde, é atraída para o castelo e para as (agora) idosas irmãs Blythe. Estas nunca se casaram e, tampouco, deixaram Milderhurst. Continuam no castelo… juntas e envelhecendo.

Embora Edie só estivesse buscando respostas para o passado mãe, ela vai se deparar com um mistério muito mais premente. As pedras de Milderhurst têm história. Os segredos de cada habitante estão lá, entranhados no castelo … apenas aguardando para que, um dia, alguém os revele.

 

 

O que eu achei do livro:

Kate Morton constrói várias tramas paralelas. Estas, determinado momento, se encontram e, juntas, formam uma história. Um todo lógico e coeso.

Normalmente, a primeira trama se encontra no presente, enquanto que a segunda se encontra no passado.

Não dá para negar que suas obras possuem uma alta dose de dramaticidade. São riquíssimas. Muito bem escritas, com figuras de linguagem inteligentes e de uma coesão e desenvolvimento impecáveis. O tipo de discurso narrativo que a autora usa – discurso indireto livre – deixa a leitura ainda mais prazerosa e instigante.

Kate demonstra em seus livros a força do “fatalismo”. Os erros que cometemos no passado irão, uma hora ou outra, cobrar o seu preço. Nem sempre será justo. Ás vezes, um erro  irá perdurar por gerações, espalhando seus infortúnios e enganos. É como se existisse um efeito dominó: ações dos pais atingem os filhos e, então, os netos e, assim, sucessivamente.

As suas histórias não são completamente felizes ou esperançosas. Na verdade, são trágicas (no melhor estilo “O Morro Dos Ventos Uivantes”). Mas são surpreendentes. Brilhantes. Geniais.

As Horas Distantes foi um livro que me deixou embasbacada. Em algum momento próximo do final, eu já conseguia imaginar O QUE tinha acontecido. Mas, então, nas últimas páginas Kate começa a descrever COMO aconteceu. E, gente, que reviravolta incrível. Não consegui encontrar pontas soltas. De verdade. Fiquei de queixo caído.

Eu amei tudo em As Horas Distantes. O clima sombrio, o suspense e os personagens. Gostei muito de Edie e adorei conhecer de perto a personalidade das irmãs Blythe. Há de se convir que estas são personagens profundas e maravilhosamente bem construídas.

Desde o prólogo do livro, quando a escritora transcreve um trecho de A Verdadeira História do Homem de Lama (livro fictício, escrito pelo personagem Raymond Blythe –  o pai das irmãs Blythe), eu já tive a sensação de que estava diante de uma história muito boa. E, algumas páginas mais tarde, essa sensação foi confirmada: eu estava diante de uma obra estrondosa.

Não existem elogios suficientes para esse livro de Morton. Eu realmente amei! Tudo o que a autora escreve é brilhante, mas este livro conseguiu superar todas as expectativas. Portanto, a minha nota para ele é 6/6 (OBRA – PRIMA!).

VALE A PENA LER. MUITAS VEZES.

Nome do livro: As Horas Distantes;

Autora: Kate Morton;

Editora: Rocco;

Páginas: 639.

 

Página 1 de 512345