Resenha: O Orfanato da Srta. Peregrine Para Crianças Peculiares (Ransom Riggs)

Em 15.05.2017   Arquivado em LITERATURA

 

Sinopse:

Jacob Portman cresceu ouvindo as histórias fantásticas que o avô, Abe, contava. Na época da Segunda Guerra Mundial, Abe havia morado numa ilha remota, num casarão que funcionava como abrigo para crianças. Lá, ele convivera com uma menina que levitava, uma garota que produzia fogo com as mãos, um menino invisível… Entretanto, todas essas histórias foram perdendo o encanto à medida que Jacob crescia. Até que, aos dezesseis anos, tudo volta à tona para se provar real.

Abalado com a morte misteriosa do avô, Jacob decide ir à tal ilha para tentar entender as últimas palavras de Abe: “Encontre a ave. Na fenda. Do outro lado do túmulo do velho.” Ele encontra o casarão em ruínas, mas, ao passar por um túnel subterrâneo, Jacob se vê em outra época, décadas atrás: em 3 setembro de 1940. Naquele lugar protegido no tempo, ele conhece crianças com habilidades peculiares e encontra as respostas para todas as suas perguntas. Mas o fascínio inicial logo se transforma em uma luta pela sobrevivência e para salvar a vida de seus novos amigos.

Viagens no tempo, mulheres que se transformam em aves, crianças com dons inusitados e monstros à espreita. Bem-vindo ao “lar da srta. Peregrine para crianças peculiares”, um fascinante mundo novo pronto para ser descoberto.

Finalmente, eu consegui ler o primeiro livro da trilogia Peculiares. Confesso que, à primeira vista, eu não estava tão animada com esta leitura. Não gostei do filme baseado na obra de Riggs. Em verdade, saí da sala de cinema muito desapontada. Eu esperava mais, sabe? Apesar disso, devido às incontáveis opiniões positivas que li a respeito dos livros, eu quis dar uma chance para esta história. E fico muito feliz que o tenha feito: gostei demais de O orfanato da Srta. Peregrine Para Crianças Peculiares“.

O narrador e protagonista do livro é Jacob Portman – um garoto que vive de forma confortável e abastada em Englewood, Flórida.  Jacob teria tudo para ser feliz, exceto por alguns detalhes: ele não possui muitos amigos (em verdade, apenas um);  a sua vida é completamente sem graça; os pais não lhe compreendem e a pessoa de quem ele mais gosta no mundo , o vovô Abe, está caduca. Ou pelo menos, é isso o que Jacob pensa.

Quando criança, Abe costumava contar à Jacob histórias do Orfanato em que viveu na adolescência. Depois de fugir da Polônia, durante a Segunda Guerra Mundial, Abe encontra refúgio em um casarão localizado em Gales. A diretora, Ave Peregrine, era quem administrava o orfanato e cuidava das crianças.

A histórias que Abe contava para o neto eram, no mínimo, mágicas. Quase como se tivessem saído de um conto de fadas. Os personagens – amigos do avô que também moravam no orfanato – não eram comuns. Eles possuíam habilidades que os diferenciavam de todas as outras pessoas. Eram especiais. Peculiares.

Além dos mocinhos (os amigos do avô), havia também os personagens ruins. O mau. Os monstros existiam e precisavam ser combatidos.

Na infância, a crença de Jacob nas histórias de Abe era fácil, natural. A pessoa de quem ele mais gostava no mundo seria capaz de mentir? Claro que não. Porém, conforme o garoto foi crescendo, acreditar ficou mais difícil.  Se Abe afirmava que as histórias eram reais, ele devia estar caduco. Ora, o trauma de perder os pais para os “verdadeiros monstros”, os nazistas, mexera com a cabeça do velho.

Foi nisso que Jacob se apegou. Até a noite da morte de Abe – quando, então, Jacob, de fato, vê um monstro que parece ter saído diretamente das histórias fantasiosas do Avô. Estaria ele, Jacob,  também louco ou o seu avó estava falando a verdade?

Com intuito de desvendar esse mistério, Jacob parte para a ilha de Gales. É hora de encontrar Ave Peregrine e ouvir o que ela tem a dizer.

O que eu achei do livro: como disse ali em cima, apesar de eu não ter gostando tanto do filme, o livro me cativou bastante.

É certo que O orfanato da Srta. Peregrine Para Crianças Peculiares possui um tom mais introdutório. Em mais da metade do livro, a história é parada – pouca coisa acontece. No restante das páginas, há bastante aventura. Creio que isso seja algo normal, visto que a intenção desse primeiro livro é, justamente, apresentar cada personagem e  explicar um pouco sobre a “mitologia” dos peculiares. Acho que os próximos dois livros terão um ritmo mais rápido.

Há diferença entre o livro e o filme! A versão cinematográfica distorceu e modificou muita coisa, especialmente no que diz respeito à cronologia da história  e às características dos personagens. Algumas cenas que aparecem no filme não acontecem, em momento algum, no livro.

Existe muita diferença, sim. E isso é uma coisa boa! O livro é infinitas vezes melhor do que o filme. Não há comparação, de verdade.

Duas coisas me chamaram muita a atenção no livro: a riqueza de descrição e narração em algumas passagens. Existem figuras de linguagem muito interessantes.  Além disso, ler a história a partir da perspectiva de Jacob deixa tudo mais intimista e envolvente. Outra coisa de que gostei muito foi o espaço que a narrativa deu para os personagens secundários. Conhecemos um pouco da personalidade e trajetória deles nesse primeiro livro. Com certeza, no decorrer dos seguintes, isso será ainda mais aprofundado.

A mitologia que Riggs construiu ao redor da história é, de fato, crível. É necessário dizer também que a diagramação deste livro ficou muitíssimo caprichosa!

Gostei bastante das fotos que aparecem no livro. São estranhas, sombrias e, por isso mesmo, peculiares. Não podiam ter combinado mais com o livro e a sua história.

Em suma, O orfanato da Srta. Peregrine Para Crianças Peculiares” é excelente (5/6). Vale à pena ler.  Em breve, farei a leitura dos outros dois volumes da trilogia e conto tudo o que achei por aqui.

Nome: O orfanato da Srta. Peregrine Para Crianças Peculiares;

Autor:Ransom Riggs;

Editora: LeYa;

Páginas: 335 pág.

 

Resenha: A Garota Que Perseguiu a Lua (Sarah Addison Allen)

Em 07.02.2017   Arquivado em LITERATURA

 

Sinopse:

Emily Benedict foi para Mullaby após a morte de sua mãe. Ao chegar à cidade e conhecer seu avô, ela percebe que os mistérios do lugar nunca são resolvidos: eles são uma forma de vida. Existem quartos cujo papel de parede muda de acordo com o seu humor, luzes estranhas aparecem no quintal à noite e Julia Winterson, a vizinha, consegue cozinhar a esperança em forma de bolos. Emily percebe que sua mãe esteve envolvida no maior mistério da cidade, e conta com a ajuda de Julia para desvendá-lo.Em Mullaby nada é o que parece.

 Enredo e personagens principais:

Identifiquei três personagens principais nesse livro.

A primeira é Emily, uma adolescente tímida de 17 anos.  Depois de perder a mãe, a garota vai morar com o avô (Vance Benedict) na cidadezinha de Mullaby.

A vida pregressa de Dulce Benedict, a mãe de Emily, sempre foi um grande mistério. Até a prematura morte desta, a garota nem mesmo sabia da existência do avô.  Dulce jamais mencionou Vance ou a cidade de Mullaby.

Quando Emily chega à pequena cidade, ela pensa que encontrará um ambiente acolhedor. Mas, curiosamente,  ela se depara com o oposto disso: toda a cidade parece ter aversão à figura de Dulce. Ao que parece, a sua mãe – a mulher justa e solidária que ela amava – tem um passado mais sombrio do que se poderia imaginar.

Obviamente, toda essa aversão também passa a ser direcionada à Emily – a única filha de Dulce.

A segunda personagem principal é Julia, uma confeiteira de mão cheia. Os bolos feitos por ela são os melhores da cidade.

Quando mais nova, Julia era colega de classe de Dulce. Sabendo do desprezo que a cidade nutria por esta última, ela presume que a menina Emily também não será bem – vinda.

Julia, aos 16 anos, era tímida e solitária. Ela já sentiu na pele a rejeição dos habitantes de Mullaby. Por isso mesmo, ela decide ser amiga de Emily.

A terceira personagem principal é a própria cidade de Mullaby. Localizada no Sul dos Estados Unidos, Mullaby é uma cidadezinha estranha que coleciona vários acontecimentos mágicos e inexplicáveis. Como explicar o fato de o papel de parede do quarto de Emily (quarto que, outrora, pertencia à Dulce) se alterar de acordo com o humor da garota? Como explicar uma estranha luz que se locomove com destreza pela cidade e parece ter vida própria? Como explicar Vance Benedict, um homem amável de quase três metros de altura? Sim, existem gigantes em Mullaby.

Em suma, Mullaby é palco e personagem dessa trama. Com certeza, a história não seria a mesma sem a peculiaridade dessa rústica cidadezinha americana.

Além desses três personagens principais, existem outros importantes, como: Win Coffey (um bonito garoto de 17 anos que parece saber tudo sobre o mistério da mãe de Emily); Sawyer (um antigo amor de Julia); e Vance (o pai de Dulce e avô de Emily).

O que eu achei do livro:

Antes de mais nada, eu preciso parabenizar a Editora Planeta pelo trabalho maravilhoso. Eu fiquei completamente apaixonada pela capa desta edição. E achei a diagramação muitíssimo caprichosa!

O meu primeiro contato com a escritora Sarah Addison Allen ocorreu neste livro.  Sarah nasceu na Carolina do Norte. Por isso mesmo, as suas narrativas costumam retratar o clima quente e mágico do Sul dos Estados Unidos.  Ela mistura folclore e romance  – e isso funciona!

Gostei muito desta leitura. Ainda que o enredo nos dê alguns choques de realidade (principalmente, quando o foco está em Julia), ele – no geral –  é doce e cheio de encantos. A história inteira, linha por linha, é contada de uma forma muito sutil e delicada.

A trama possui originalidade. Por outro lado,  o mistério do livro foi previsível – ao menos, para os mais atentos.

Além da previsibilidade, achei que a autora pecou ao apressar imensamente o final da história. Esta se resolve quase que nas últimas páginas, contrastando com a maior parte do livro – que é morosa.

Apesar dos dois defeitinhos, eu adorei esta leitura. Ela estava em perfeita sintonia com as minhas férias de verão (período em que li o livro).

Pretendo ler outras obras da escritora Sarah Addison Allen. Na verdade, até já estou com mais um livro dela na estante: O Pessegueiro.  Em breve, irei lê-lo (e resenhá-lo, é claro).

A nota para este livro é: 4/6 – Bom.

Nome do Livro: A Garota Que Perseguiu a Lua

Autora: Sarah Addison Allen

Editora: Planeta

Páginas: 239 páginas

 

 

 

Resenha: Quando cai o raio – Série Desaparecidos (Meg Cabot)

Em 18.01.2017   Arquivado em LITERATURA

Sinopse:

“Quando cai o raio, isso só pode significar problemas –  como Jessica Mastriani descobre ao ser pega de surpresa com sua melhor amiga Ruth em uma tempestade. Não que Jess tentasse evitar confusões, pelo contrário. Afinal, ela sempre acaba envolvida em brigas com o time de futebol e presa na detenção por meses sem fim. Pelo menos isso tinha seus pontos positivos, como se sentar perto de Rob, o motoqueiro mais gato da escola!

Mas dessa vez, o problema é sério. Porque, de alguma maneira, ao voltar para a casa sob aquela tempestade, Jessica se vê com um talento inédito:  ela agora sabe exatamente onde se encontram as crianças cujas fotos estampam o Disque-Desaparecidos. Porém, ao pensar que estava fazendo uma boa ação ligando para o telefone da instituição, ela acaba levantando suspeitas das autoridades… Agora só precisa convencer o FBI a acreditar nela.”

 

Semana passada,  resolvi me aventurar  em mais uma série da escritora Meg Cabot: Desaparecidos. Não é nenhum segredo que eu adoro os livros da Meg. Divertidos, irreverentes e com uma linguagem bastante atual e inovadora, eles sempre nos proporcionam boas risadas.

Quando Cai o Raio, primeiro livro da série Desaparecidos, traz como personagem principal a adolescente Jessica Mastriani.  Jess mora em Indiana, Califórnia. Tem uma melhor amiga chamada Ruth e uma família um tantinho complicada. O irmão mais velho, Douglas, é doente.  No último verão, quando tentou se matar e alegou que vozes mandaram que fizesse isso, ele foi diagnosticado com esquizofrenia. E, agora, a família tenta a todo custo se assegurar que o filho mais velho tome os remédios e, assim,  não tenha novos “episódios” (momentos em que as vozes se manifestam).

Portanto, não é a toa que a vida de Jess anda um grande caos. Ela está cheia de detenções porque bate em todos aqueles que fazem brincadeiras de mau gosto com seu irmão ou com sua melhor amiga meio gordinha. Durante a detenção, ela conhece Rob Wilkins – um motoqueiro bonitão que frequenta sua escola. É ele quem assume o papel de “crush” na trama.

Um dia, depois da aula, Jess está esperando que sua melhor amiga (e vizinha) venha buscá-la. Como não possui licença para dirigir (foi reprovada no exame por “excesso de velocidade”), Jess pega rotineiramente carona com Ruth para ir e voltar do colégio. Porém, no dia em questão, Ruth vai buscá-la … mas sem carro.  É claro que Jess detesta a ideia de ir para casa a pé – especialmente porque uma grande tempestade se aproxima. Quando a chuva começa (com granizo, para piorar), as garotas se abrigam debaixo da arquibancada do colégio. O problema é que a arquibancada é feita de metal.  E vocês já sabem o que dizem: durante uma tempestade elétrica, você NÃO deve se esconder sob nada que seja metálico. E isso, é claro, tem um fundo de verdade porque quando os raios começam a cair, um deles acerta o pedaço da arquibancada em que Jessica está encostada e o metal acaba conduzindo a descarga elétrica até ela. Assim, Jess é atingida por um raio. E fica com uma cicatriz imensa na forma de “estrela” no abdômen.

Apesar de ter sido eletrocutada, Jess diz à amiga que se sente bem. E, achando que está tudo normal, nem mesmo vai a um médico. Coitada. Porque é óbvio que nada, nada mesmo, está normal. No dia seguinte, Jess tem sonhos esquisitos e  acorda com uma informação em mente: ela sabe onde está Sean Patrick O’Hanahan e Olivia Maria D’Amato. As crianças da caixa de leite. As crianças cujas fotos estão na seção de “Desaparecidos”.  A partir daí, a vida da personagem muda completamente, em especial porque as suas constantes ligações para o Disque – Desaparecidos atraem a atenção indesejada do FBI. Afinal, como é que uma adolescente consegue saber tanto sobre crianças desaparecidas?!

O que eu achei do livro:

A ideia de Meg é criativa. É interessante termos uma protagonista com um “poder” tão distinto assim.

O livro, obviamente, diverte. Você vai rir das palhaçadas adolescentes da Jessica. Mas, ao mesmo tempo, vai se irritar um pouco com a lerdeza da personagem.

A única coisa que me incomodou bastante foi a similaridade da personalidade de Jessica com a personalidade de Suze, protagonista da série A mediadora (também escrita pela Meg). Ás vezes, no meio da narrativa, eu me perguntava: “pera, de quem estamos falando? Suzannah ou Jessica?”

Acho que, apesar da Meg ter inovado bastante em alguns pontos, ela usou a mesma fórmula de Suze para criar Jessica. E, comparando as duas, para mim Suze ganha em todos os sentidos.

Por outro lado, sabe quando você não se sente muito próxima da personagem? Pois é. Foi assim que me senti com Jessica. E também não vi nada de muito especial em Rob. Achei ele sem sal.

Apesar desses problemas, o livro é divertido e cumpre seu intento. Como todas as outras obras da Meg, é leitura de “uma tarde”, ou seja, rapidinho você termina.

Quando cai o raio é o primeiro livro da série Desaparecidos. Esta, até agora, possui cinco volumes  e gerou um seriado canadense chamado  1-800 MISSING. No Brasil, a série foi publicada até o quarto volume. Ainda não existe previsão para o quinto (em inglês, “Missing you”).

Ainda que não tenha achado este livro excelente, pretendo ler os próximos. Pode ser que consiga me identificar um pouco com Jess e goste mais de Rob. Ou não. Vamos ver.

Em suma, se você busca uma leitura leve e que entretenha, Desaparecidos funciona.

Nota – 4/6 – Bom.

 

Nome do Livro: Quando Cai O Raio  (When Lightning Strikes)

Série: Desaparecidos

Outros volumes: Codinome Cassandra; Esconderijo Perfeito; Santuário e Missing you (ainda não publicado no Brasil)

Autora:  Meg Cabot

Editora: Galera Record

Páginas: 270 páginas

 

 

 

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