Quinzena de Reminiscências – 3° texto

Em 31.01.2017   Arquivado em PESSOAL

Esse post faz parte do mini projeto “A Bruna que foi um dia e os seus amores“.

O texto de hoje foi escrito quando eu tinha 14 anos. Ele fala sobre a rotina e sobre o oposto desta, o imprevisível.

Espero que vocês gostem.

A Hipérbole e a Metáfora do Dia a Dia

”Se o sonho acabou, vá em outra padaria”

Romper a rotina de cada dia.  Rir setecentas mil vezes, gritar feito um louco e fazer tudo diferente, minuto por minuto. O céu é o limite.
Quero a surpresa no meu “diariamente” – surpresa que talvez não queira mais na semana que vem.

Quero o constante e o inconstante. Tudo aquilo que deixa sabor de “quero mais”.

É importante saber a hora de aumentar ou de diminuir; só não se pode permanecer inerte. Ninguém gosta do corriqueiro. Porque tudo que é corriqueiro é ordinário. E tudo que é o ordinário é monótono. E o monótono cansa.  E o que cansa é a rotina.

Quando a surpresa é de sobra, o  habitual faz falta. É engraçado, mas tendemos a  achar que tudo o que teve fim foi muito melhor do que deveras foi.  Assim ocorre a desvalorização do presente e a super romantização do passado,   como já  diria o sábio Carlos Drummond De Andrade.

Não sou feita de rotinas. Afinal, o que é a vida senão uma aventura da qual faz parte o mistério de não saber o que vai acontecer pela manhã?

Quinzena das Reminiscências – A Bruna que foi um dia e seus amores (2° Texto)

Em 30.01.2017   Arquivado em PESSOAL

Esse post faz parte do mini projeto “A Bruna que foi um dia e os seus amores“.

O texto de hoje se chama “Sem título Titubeado”. Eu o escrevi quando tinha 15 anos e ele foi publicado, inclusive, no livro da Academia de Letras de minha cidade.

Os meus 15 anos foram um período de descobertas e de amadurecimentos. Era a fase de transição entre a minha infância e a minha adolescência/juventude.

Nesse conto, eu quis falar justamente dessa transição. Por isso mesmo, fiz referências a alguns livros que marcaram essa época – como Alice no país das maravilhas e Sherlock Holmes.

É um conto bastante introspectivo. Á primeira vista, ele pode não fazer muito sentido – embora o sentido exista e esteja lá, meio escondido. De qualquer forma, eu espero que vocês gostem.

Sem Título Titubeado

Acordei. O bom humor veio me receber, trazendo – me rosquinhas emplastadas com geleia e um suco amarelo e cheio de pedaços de laranja. Apurei os ouvidos: o som dos pássaros, uma elegância que só vendo! Não sei ao certo em que rua parei, só sei que a viagem me levou a sonhos de contramão e a imagens de chuva límpida de erva e orvalho. Lembrei – me da Baker Street, onde o silêncio dava lugar a aventuras e a descobertas incríveis! Passei pelos tempos pueris, tempos de Alice No País Das Maravilhas; sei bem ser irônica: “Alice In Wonderland For Children”? Li uma, duas, três vezes o mesmo livro … a minha falta de entendimento deixava-o maçante. Mais tarde, leria – o novamente e nunca encontraria outra personagem tão semelhante à minha própria busca de identidade.

O mundo já sólito e solúvel tem um formato inferior e insosso se comparado com o mundo raso e fugaz, onde o regozijo se dá em forma de dia – a – dia, e não só serve se subsistência, como também é exportado gratuitamente a quem é indigente de paz de espírito.

Acusam-me de indiferença, mas, às vezes, só às vezes, encontro-me em um cubículo insignificante para uns, mas grandioso para aqueles que sabem que a vida resume-se, simplesmente, a estar com pessoas que, num momento podem proporcionar-lhe tudo aquilo que seu intelecto e fome desejam ardentemente. Ideias paradoxas… que…

Acordei. Rosquinhas emplastadas de geleia. Respirei. Vi-me num momento de rápida escolha: ser ou não ser, eis a questão?! Indecisões consumiram-se e o céu acinzentou-se. Hogwarts passou a ser o lar do meu irmão, infância bandida. E bem ali, no meio de inúmeras calorias de geleia: mudei; consertar-me-ia.

– Volte às origens! Volte às origens!

Gritos ensandecidos gritaram para mim. Pleonasmo.

E eu, o que eu fiz?

Digo-lhe: Palavras têm poder.

Quinzena das Reminiscências – A Bruna que foi um dia e os seus amores.

Em 29.01.2017   Arquivado em PESSOAL

(A foto no celular representa a Bruna aos 13 anos)

Hoje, depois do ouvir muita música e refletir sobre a minha semana, eu pensei em iniciar um mini projeto aqui, no blog.

Quem vem acompanhando as postagens, sabe o quanto eu ando sentindo falta da Bruna “adolescente” e dos textos que ela escrevia. Quando eu era mais nova, eu adorava analisar a minha “confusão interna” por meio da escrita. Se alguma coisa estava acontecendo na minha vida, eu tinha uma necessidade quase que claustrofóbica de escrever. Dessa necessidade, surgiram alguns textos curtinhos e muito pessoais. Até hoje, eu tenho um carinho especial por eles. Não porque eu os ache bem escritos ou criativos (só eu sei quantas falhas encontrei nesses textos!), mas porque eles falam com bastante clareza sobre a minha vida naquele momento. Eles são um retrato daquilo que eu fui um dia e daqueles que deixaram uma marca na minha história.

Sempre gostei de escrever sobre assuntos íntimos: eu mesma, minhas opiniões e paixões. Romântica incorrigível, eu garanto que, para todo amor que tive, existiu (pelo menos) um texto.

Tenho apenas 20 anos, mas já tive uma quantidade seleta de paixões (nunca secretas). Foram 4. Quatro rapazes que passaram pela minha vida. É verdade que amar mesmo, eu só amei um. Pelos outros três, eu nutri um “gostar” forte e profundo. E só isso já foi suficiente para aquebrantar meu coração em vários sutis pedacinhos quando chegava o momento de  dizer “let’s move on”.

O mini projeto “A Bruna que foi um dia e seus amores” funcionará assim: durante uma quinzena, eu vou postar um textinho retirado diretamente do meu baú. Como esses textos foram escritos por mim entre os 13 e os 15 anos,  existem errinhos. Não se assustem, ok. Naquela época, eu tinha licença poética, mas não tinha grande conhecimento de gramática e concordância.

Os textos não serão postados, necessariamente, na ordem em que foram escritos. Pode ser que poste primeiro um texto que escrevi aos 15 e, em seguida, um que escrevi aos 13. Não tem ordem predeterminada.

Nesse post, eu já vou soltar o primeiro texto.

Ele se chama Distração e fala sobre o primeiro dos quatro rapazes. O primeiro rapaz, nascido sob o signo de câncer,  tinha 15 anos e era um dos meus melhores amigos.

 Escrevi este texto aos 13 anos, quando ainda morava em uma cidade mineira do tamanho de uma noz: Jacutinga – MG.

No texto, digo que eu o “amei”. Hoje, tendo um tiquinho mais de experiência nessa coisa louca e imprevisível que se chama “amor”,  eu sei que o que eu sentia por esse cara não chegava a ser tão forte. Na verdade, era um afeto grande e um gostar imenso. Coisa de primeiro amor.

Lá vai o texto:

Distração

E na minha mente confusa, eu relembro todos os momentos, todos os planos e todas as promessas que eu jurei.

Recordo-me daquela semana em que eu chorei dia após dia, tentando entender aonde foi que eu havia errado.
Quando voltava dos afazeres da rotina, eu andava por aí, tentando me distrair. Implorando para que tudo voltasse a ser como antes. Ouvindo a mesma música de sempre. Nossa música.

Um mês depois, eu achei que era melhor não esperar por alguém que não voltaria.
O mundo girou e, nesse meio tempo, tanta coisa aconteceu!

Eu precisava ficar bem comigo mesma, arrancar de qualquer forma as esperanças e a falta que você me fazia.
Hoje você vai embora e volta, como um sentimento não muito claro …   para mim, eu quero dizer.
E a única certeza que um dia eu tive, é que eu te amei.
Minha única certeza e meu único fechamento.
E esse é o meu final feliz.

“Era o início da minha adolescência; num misto de timidez, medo e inocência; ensaiávamos os primeiros passos do amor. ”

(citação de Tarcísio Ribeiro Costa)

 

 

 

 

 

 

 

Página 4 de 512345