Resenha: O Primeiro Último Beijo (Ali Harris)

Em 28.09.2017   Arquivado em LITERATURA

Sinopse:

Um livro sobre a luta para manter o amor da sua vida, mesmo quando o futuro é incerto

O primeiro último beijo conta a história de amor de Ryan e Molly, de como eles se encontraram e se perderam diversas vezes ao longo do caminho.  Seis anos e muitos beijos depois, ela está casada com o homem que ama. Mas hoje Molly percebe quantos beijos desperdiçou, porque o futuro lhes reserva algo que nenhum dos dois poderia prever… Esta história comovente, bem-humorada e profundamente tocante mostra que o amor pode ser enlouquecedor e frustrante, mas também sublime. Na mesma tradição de P.S. Eu te amo e Um dia, O primeiro último beijo vai fazer você suspirar e derramar lágrimas com a mesma intensidade.

O Primeiro último Beijo conta a história de Molly e Ryan e como eles desenvolveram um relacionamento ao longo dos anos. Molly é uma mulher prática e que sonha em se realizar profissionalmente. Fotógrafa, ela ama capturar sonhos e sentimentos. Ryan, por sua vez, é um homem romântico e simples. Ama esportes, a família e a sua cidade natal, a pequena Leigh On Sea.

Molly e Ryan se conheceram ainda adolescentes. Ryan, o astro do futebol. Molly, a gótica rebelde. Enquanto Ryan sempre quis envelhecer em Leigh On Sea, Molly desejava o oposto. Ela sempre se considerou uma mulher de cidade grande.

Como se pode perceber, Molly e Ryan, muito diferentes entre si, nunca foram almas gêmeas. Ainda assim,  por um descuido do destino e contra todas as probabilidades, os dois acabaram por se apaixonar. Construíram um relacionamento longo e duradouro, mas que, como todo relacionamento, tem suas rachaduras e imperfeições.

O amor dura para sempre? Ou ele um dia acaba? As pessoas se distanciam? As realizações profissionais devem prevalecer ao amor? O desejo esfria? O que é a morte se comparada ao amor? O Primeiro último Beijo é um romance que se constrói em cima dessas questões. Ele, tendo como pano de fundo o relacionamento de Molly e Ryan, as desenvolve e as responde – e as responde, é claro, consonante a lógica da autora, Ali Harris.

Essa é a premissa básica da história.

O que eu achei do livro:

 Em um primeiro momento, eu estava muito animada com a leitura de O Primeiro Último Beijo, visto que me identifiquei muito com Molly –  a personagem principal e narradora deste livro. Conseguia entender suas dúvidas e incertezas.  Sabia o que era estar em um relacionamento longo e que começou cedo demais.

No entanto, no decorrer do livro, eu fui me distanciando da personagem. E, confesso, não gostei muito do rumo que Ali Harris deu para a história. Ela ficou muito parecida com com as típicas histórias de Nicholas Sparks, um escritor muito comercial cujas obras eu, no geral, detesto.

Acho também que o livro não precisava ser TÃO grande. Poderíamos subtrair, facilmente, umas cem páginas e a história continuaria a ter começo, meio e fim.

Apesar disso tudo, O Primeiro Último Beijo é envolvente, tocante e doce. É o tipo de leitura fofa, gostosa e triste – tudo ao mesmo tempo.  Vale a pena se você se interessa e gosta de romances nesse estilo. Eu, pessoalmente, não gosto tanto. Por isso, acho que senti um pouco de desconforto.

A nota que dou para este livro é 4/6 – BOM.

 

 

Nome do livro:  O Primeiro Último Beijo;

Autora: Ali Harris;

Editora: Verus;

Páginas: 448.

 

Resenha: A Casa Das Lembranças Perdidas (Kate Morton)

Em 10.09.2017   Arquivado em LITERATURA

Sinopse:

“Em 1924, o belo, rebelde e misterioso poeta Robbie Hunter se mata com um tiro durante uma das festas que decretam os últimos suspiros da poderosa aristocracia inglesa. As irmãs Hannah e Emmeline Hartford vêem tudo mas nada podem fazer para evitar o suicídio, que coloca um ponto final num doloroso triângulo amoroso formado por elas e Hunter. A tragédia vai separá-las para sempre e o tempo encobrirá tudo com o véu do esquecimento. Mas um filme sobre os Hartford vem resgatar todos os detalhes de um passado cheio de segredos que permanecem guardados na memória de Grace Bradley, aos 98 anos, única testemunha ainda viva do drama vivido por uma família e das profundas transformações vividas pela sociedade da época.”

A Casa Das Lembranças Perdidas é o romance de estréia de uma das minhas autoras preferidas: Kate Morton. Eu o li há algum tempo, mas, por um descuido, ainda não o resenhei por aqui.

Kate Morton – como de costume –  tece, nesta obra,  duas tramas paralelas: uma se passa nos loucos 20,  e tem como ponto central a aristocrática família Hartford – em especial, as irmãs Hannah e Emmeline Hartford. A outra trama se passa nos dias atuais e tem como ponto central a nonagenária Grace Bradley.

Grace, além de personagem, é também a narradora dessa história. Quando era apenas uma menina, ela trabalhou como criada para a notória família na mansão de Riverton. Cresceu ao lado de Hannah  e foi, por muitos anos, a sua camareira pessoal. Portanto, ela  vivenciou todos os dramas  dos Hartford e soube, também, de todos os seus sórdidos segredos. Grace estava presente, inclusive, na fatídica noite de 1924:  quando, durante uma festa na mansão de Riverton, o famoso e rebelde poeta Robbie Hunter se suicidou.

Nos dias atuais, Grace- a nossa narradora e personagem –  é apenas uma sombra da menina que costumava ser. Aos 90 anos, ela é uma mulher que já viveu muito e teve muito tempo. Farta da velhice, ela está pronta para as despedidas. Uma nova fase a espera. E  ela sabe que esta não demorará a vir.

 Grace, no entanto, apenas se ressente de uma coisa: ela não quer levar para o túmulo o mais sombrio segredo que permeou a sua convivência com a família Hartford, anos atrás.

De fato, com a proximidade da estréia de um novo filme sobre a vida do poeta Robbie Hunter e a noite de seu suicídio, lembranças se intensificam na memória da personagem. Não é à toa que os produtores do filme andam dando muito atenção a ela (cartas chegam pelo correio: convites para dar entrevistas e assistir às filmagens). Grace Bradley é a única pessoa ainda viva que pode contar o que realmente aconteceu naquela noite. Seria, agora,  o momento de dizer a verdade?

O que eu achei do livro:  

Acho que já falei isto no blog muitas vezes – e não, eu não me canso de repetir: Kate Morton é uma escritora genial.

Nenhuma obra dela sequer – nenhuma mesmo – fica abaixo da média. Todas são excelentes.

A Casa Das Lembranças Perdidas foi o terceiro livro escrito por Morton que eu li (e o quarto a ser resenhado no blog).  Ele, no entanto, foi o romance de estréia da autora, o primeiro livro dela a ser publicado – e, rapidamente, seguido por O Jardim Secreto da Eliza, As Horas Distantes, A Guardiã dos Segredos do Amor (ainda sem resenha por aqui) e A Casa do Lago.

Kate Morton começou muito bem. Esta obra é, simplesmente, de tirar o fôlego . Os personagens, como sempre, são perfeitamente bem desenvolvidos e profundos. São como pessoas reais – complexos; cada um com sua particularidade.

Kate escreve sobre mulheres e sobre a influência que as convenções sociais exercem sobre elas. Os segredos são os efetivos protagonistas da história. Eles fazem com que o enrendo se movimente, página por página.

A marca da narrativa da escritora é o paralelismo histórico de tramas. Em todas as suas obras – sem exceção – parte da história acontece no passado para, então, se complementar com a outra parte, que acontece no presente.

Apesar de isto estar presente em TODAS as obras – e estas serem semelhantes entre si – nenhuma história é repetitiva. Toda história é única. Toda história é completa. Toda história é incrível.

Em a A Casa Das Lembranças Perdidas, o que mais me chamou atenção foi a congruência histórica. O período entre guerras – a famosa Belle Époque dos loucos anos 20 – foi muito bem delineado. Morton soube descrever quais eram os papéis esperados do sexo feminino nessa época, bem como o processo de ruptura destes.

Os Anos 20 foram um momento de efervescência e revolução social.  Os antigos valores caíam por terra – e levavam consigo os seus respectivos rótulos e papéis sociais.  A aristocracia, acostumada com a sua posição de privilégio nesse contexto, tenta lutar contra a derrocada.  Mas é em vão. E, assim, ela dá os seus últimos suspiros.

Hannah Hartford é a  persona que demonstra essa ruptura. Ela é uma mulher com sonhos. Ela deseja trabalhar e conhecer o mundo. Ela quer aventura. Não, ela não se vê apenas no papel de esposa e mãe. Igual a um inseto em uma grande teia (a sociedade aristocrática), Hannah se debate. Deseja uma fuga. Mas, assim como o inseto, ela só se embola e se prende ainda mais.

Emmeline é uma romântica. A irmã extrovertida.  A clássica mulher dos anos 20 – que bebe, fuma e dança o Chalerston. Assim como Hannah, ela é uma sonhadora. Sonha com coisas diferentes, mas ainda é uma sonhadora. E, da mesma forma que irmã, ela não consegue suplantar o ideal esperado pela sociedade.  Ela também é um inseto em uma teia de aranha.

Robbie Hunter é um cáustico poeta. Atormentado pelos horrores da guerra, tudo que lhe resta é a poesia. E o desejo de fugir de suas lembranças. Mas, de uma forma ou de outra, a teia de aranha prende a todos

 Grace, os olhos e os ouvidos dessa história, é a criada. Mais que apenas isso, ela é a mulher que fez a si mesma. Na derrocada dos valores, foi ela quem conseguiu se reinventar. Ela é a voz da razão em meio ao caos.

Em suma, A Casa Das Lembranças Perdidas é um livro rico. Mordaz.  E um forte pretendente para as referências bibliográficas de minha monografia. Em um tom corrosivo, ele deslumbra a todos. Uma das melhores leituras já feitas por mim, com toda a certeza.

A nota que dou para ele é, portanto, excelente (5/6).

Em breve, sairá resenha sobre A Guardiã dos Segredos Do Amor, o último livro que li de Morton. Já posso adiantar que ele não perde em nada para os outros. É incrível, do mesmo jeitinho.

Nome do livro:  A Casa Das Lembranças Perdidas;

Autora: Kate Morton;

Editora: Rocco;

Páginas: 536.

 

Resenha: Enfeitiçadas (Jessica Spotswood)

Em 24.08.2017   Arquivado em LITERATURA

 

Sinopse:

Antes do alvorecer do século XX, um trio de irmãs chegará à idade adulta, todas bruxas. Uma delas terá o dom da magia mental e será a bruxa mais poderosa a nascer em muitos séculos: ela terá poder suficiente para mudar o rumo da história, para suscitar o ressurgimento do poder das bruxas ou um segundo Terror.

Quando Cate descobre esta profecia no diário de sua mãe, morta há poucos anos, entende que precisa repensar seus planos. Qual sera a melhor opção: servir a Irmandade, longe dos olhos vigilantes dos Irmãos caçadores de bruxas, aceitar uma proposta de casamento que lhe garanta proteção e segurança ou abandonar tudo e viver um grande amor proibido?

Prepare-se para se encantar com os jovens pretendentes de Cate, abominar o ódio e a repulsa que os Irmãos dedicam a meninas e mulheres, e aguardar ansiosamente pela sequência de As Crônicas das Irmãs Bruxas.

 

Enfeitiçadas é o primeiro volume de uma trilogia que conta a história de três irmãs bruxas: Cate, Maura e Tess.  As três, ainda muito jovens, perderam a mãe para um parto mal sucedido.

Todas, como era de se esperar, sofreram muito com a perda. Mas para Cate, a irmã mais velha, a morte da mãe foi ainda pior. Minutos antes de morrer, a mãe confiou a Cate uma importante e difícil tarefa: proteger a si e as irmãs mais novas.

Em uma sociedade que despreza as mulheres e abomina as bruxas, a segurança só é conseguida com muito custo.  Como se não bastasse portar a condição de mulher, Cate, Maura e Tess são também bruxas. Logo, para elas, se proteger significa o mesmo que esconder dos olhos de todos – e,  especialmente, dos olhos dos Irmãos – a magia que podem realizar.

Cabe pontuar que Os Irmãos é uma sociedade religiosa. Para eles, as mulheres já nascem más e pecadoras. Elas só conseguem se redimir por meio da submissão e da obediência. Enquanto solteiras, devem dirigir a sua lealdade ao seu pai e, se casadas, ao seu marido. O casamento é uma instituição tutelada e prestigiada, devendo as mulheres anunciar a sua intenção (de casar – se com alguém ou, ainda, de entrar para o convento) às vésperas de seu aniversário  de 16 anos. Caso não anunciem, os próprios Irmãos o fazem por elas: escolhem um pretendente e, assim, agendam a data da cerimônia religiosa.

Cate tem 15 anos e faltam poucos meses para o seu aniversário de 16. Logo, encontrar um pretendente é obrigatório. Ou será que entrar para o convento seria uma opção? Ela apenas sabe que precisa se decidir e em breve. E sua decisão deve estar em consonância com o pedido feito pela Mãe no leito de morte. Ela precisa estar próxima de suas irmãs. É necessário protegê-las da Irmandade- e isso, agora, é ainda mais imperativo, haja vista que Cate, ao explorar os velhos pertences da mãe, descobriu um diário e, dentro dele, uma profecia:

Antes do alvorecer do século XX, um trio de irmãs chegará à idade adulta, todas bruxas. Uma delas terá o dom da magia mental e será a bruxa mais poderosa a nascer em muitos séculos: ela terá poder suficiente para mudar o rumo da história, para suscitar o ressurgimento do poder das bruxas ou um segundo Terror.

Será que elas – Cate, Maura e Tess – são as garotas da profecia?

O que eu achei do livro:

Comprei Enfeitiçadas por dois motivos. Primeiro, porque eu adoro histórias sobre bruxas. E esta, em particular, me fazia lembrar de Charmed – uma série dos anos 90 de que eu gosto muito cujo tema é, justamente, três irmãs bruxas. Segundo, porque a capa me chamou bastante atenção.

Infelizmente, devo dizer que este livro me decepcionou bastante. Temos uma protagonista que, simplesmente, não sabe o que quer. Na maior parte do livro, ela está tentando se decidir se deve casar (e com quem deve se casar) ou se deve se juntar ao convento. Os personagens não tem profundidade. São monótonos.

Como de costume, em livros assim, existe um trio romântico.  Há Cate e mais dois pretendentes. De quem ela gosta mais?

A própria sociedade em que Cate vive, no século XIX, é pouca explorada. E isso é um erro. Não consegui entender se estávamos falando da sociedade vitoriana que todos conhecemos – ou se era uma sociedade oitocentista de um mundo à parte. Uma coisa é certa: se estamos falando da NOSSA sociedade vitoriana, existe uma infinidade de dissonâncias históricas.

O final do livro, pelo menos, dá um tom mais vibrante à monotonia que cerceia a história.

Enfim, acho uma pena. O livro poderia ser melhor, até porque ele denuncia algo que realmente aconteceu: a caça às bruxas ou, trocando em miúdos, a caça à independência das mulheres.

Estava tão certa de que o livro poderia ser incrível que até comprei um volume extra e dei-o de presente a uma amiga. Uma pena.

A nota do livro é, portanto, razoável/mediano. Dá para ler, mas podia ser muito melhor.

Irei ler os outros volumes. Mas sem pressa. E, com certeza,  pelo Kindle. Não acho que valha tão a pena comprar em plano físico. Quem sabe a história não melhora nos próximos volumes? Vamos torcer.

 

Nome do livro: Enfeitiçadas

Autora: Jessica Spotswood

Editora: Arqueiro

Páginas: 272 pág.

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