Resenha: Anna e o beijo francês (Stephanie Perkins)

Em 21.02.2017   Arquivado em LITERATURA

Sinopse:

“Anna Oliphant não está nada entusiasmada com a ideia de se mudar para Paris. Porém, seu pai, um famoso escritor norte-americano, decidiu enviá-la para um colégio interno na Cidade Luz. Anna prefere ficar em Atlanta, onde tem um bom emprego, sua fiel melhor amiga e um namoro prestes a acontecer. Mas, ao chegar a Paris, ela conhece Étienne St. Clair, um rapaz inteligente, charmoso e bonito, que além de muitas qualidades, tem uma namorada… Anna e Étienne se aproximam e as coisas ficam mais complicadas. Será que um ano inteiro de desencontros em Paris terminará com o esperado beijo francês? Ou certas coisas simplesmente não estão destinadas a acontecer?”

Anna Oliphant é uma garota de 17 anos. Apaixonada pelo universo dos filmes, ela sonha em trabalhar com críticas de cinema.

No último ano do ensino médio, o seu pai – um famoso escritor de livros populares – decide mandá-la para França. Ela deve terminar os estudos em um colégio americano que se localiza em Paris.

Paris … a cidade luz, a cidade do romance e da boa comida. Estudar em Paris. É, essa ideia poderia ser fantástica … se Anna realmente quisesse ir. Mas ela não quer.  Para Anna, largar o seu país, a sua família e os seus amigos é muito difícil. Ela, simplesmente, detesta a possibilidade de ficar longe de sua casa, em Atlanta.

Quando Anna chega a Paris, ela se surpreende. O começo é difícil. Mas, ela logo conhece Meredith, Josh, Rashimi e Étienne. Com os novos amigos, a mudança se torna menos amedrontadora.

E, ah, Étienne St. Clair! Metade americano e metade francês (e com um quê de britânico), ele é um dos garotos mais interessantes e bonitos que Anna já conheceu.  O único problema é que ele tem uma namorada de longa data. Em razão disso, Anna tenta, ao máximo, manter uma distância segura do seu novo amigo – muito embora, ela não consiga parar de pensar nele e no seu “beijo francês”.

 

O que eu achei do livro:

Li resenhas maravilhosas sobre esse livro. E criei expectativas imensas. Estava com muita vontade de ler! Afinal, como não se interessar por um livro que possui Paris como cenário?

Infelizmente, confesso que me decepcionei com a história. O livro ficou aquém do que eu esperava.

A ideia central, ainda que já batida, é interessante: um romance na cidade mais romântica do mundo. No entanto, acho que essa ideia podia ter sido melhor explorada.

Eu não consegui gostar de Étienne. Não vi nada de muito especial nele, sabe? E não percebi uma química forte entre ele e Anna.

Os personagens secundários não foram bem construídos. Não me identifiquei com Meredith, Rashimi ou Josh.

O próprio cenário, elemento – chave do livro, não chamou tanta atenção. Paris é cheia de possibilidades. O livro poderia ter sido mais descritivo nesse sentido. Exceto alguns pontos turísticos, como o Marco Zero, a cidade luz fica sem – graça. Além disso, nós temos poucos vislumbres do povo parisiense – e quando o temos, esses vislumbres são um tantinho preconceituosos. Os franceses são expostos como pessoas pouco tolerantes e muito nacionalistas. Não achei legal essa generalização 🙁

Acho que a história ganharia um novo tom se o colégio de Anna também abrigasse alunos franceses – ao invés de só alunos americanos. Haveria um verdadeiro compartilhamento de cultura (coisa que não aconteceu no livro).

O ponto forte de “Anna e o Beijo Francês“, na minha opinião, é a própria Anna. Dona de uma personalidade forte, a personagem sabe como conduzir a narrativa. Através dos seus olhos, nós entramos na história.  E conseguimos nos encantar com ela.

Em suma, na minha avaliação, esse livro foi apenas razoável. É uma pena que ele não tenha funcionado para mim. De qualquer forma, eu sei que ele coleciona diversos fãs por aqui. E fico imensamente feliz por isso!

Nota: 3/6 – Mediano; razoável.

 

Nome do livro: Anna e o beijo francês

Autora: Stephanie Perkins

Editora: Novo Conceito

Páginas: 288

 

Resenha: A Garota Que Perseguiu a Lua (Sarah Addison Allen)

Em 07.02.2017   Arquivado em LITERATURA

 

Sinopse:

Emily Benedict foi para Mullaby após a morte de sua mãe. Ao chegar à cidade e conhecer seu avô, ela percebe que os mistérios do lugar nunca são resolvidos: eles são uma forma de vida. Existem quartos cujo papel de parede muda de acordo com o seu humor, luzes estranhas aparecem no quintal à noite e Julia Winterson, a vizinha, consegue cozinhar a esperança em forma de bolos. Emily percebe que sua mãe esteve envolvida no maior mistério da cidade, e conta com a ajuda de Julia para desvendá-lo.Em Mullaby nada é o que parece.

 Enredo e personagens principais:

Identifiquei três personagens principais nesse livro.

A primeira é Emily, uma adolescente tímida de 17 anos.  Depois de perder a mãe, a garota vai morar com o avô (Vance Benedict) na cidadezinha de Mullaby.

A vida pregressa de Dulce Benedict, a mãe de Emily, sempre foi um grande mistério. Até a prematura morte desta, a garota nem mesmo sabia da existência do avô.  Dulce jamais mencionou Vance ou a cidade de Mullaby.

Quando Emily chega à pequena cidade, ela pensa que encontrará um ambiente acolhedor. Mas, curiosamente,  ela se depara com o oposto disso: toda a cidade parece ter aversão à figura de Dulce. Ao que parece, a sua mãe – a mulher justa e solidária que ela amava – tem um passado mais sombrio do que se poderia imaginar.

Obviamente, toda essa aversão também passa a ser direcionada à Emily – a única filha de Dulce.

A segunda personagem principal é Julia, uma confeiteira de mão cheia. Os bolos feitos por ela são os melhores da cidade.

Quando mais nova, Julia era colega de classe de Dulce. Sabendo do desprezo que a cidade nutria por esta última, ela presume que a menina Emily também não será bem – vinda.

Julia, aos 16 anos, era tímida e solitária. Ela já sentiu na pele a rejeição dos habitantes de Mullaby. Por isso mesmo, ela decide ser amiga de Emily.

A terceira personagem principal é a própria cidade de Mullaby. Localizada no Sul dos Estados Unidos, Mullaby é uma cidadezinha estranha que coleciona vários acontecimentos mágicos e inexplicáveis. Como explicar o fato de o papel de parede do quarto de Emily (quarto que, outrora, pertencia à Dulce) se alterar de acordo com o humor da garota? Como explicar uma estranha luz que se locomove com destreza pela cidade e parece ter vida própria? Como explicar Vance Benedict, um homem amável de quase três metros de altura? Sim, existem gigantes em Mullaby.

Em suma, Mullaby é palco e personagem dessa trama. Com certeza, a história não seria a mesma sem a peculiaridade dessa rústica cidadezinha americana.

Além desses três personagens principais, existem outros importantes, como: Win Coffey (um bonito garoto de 17 anos que parece saber tudo sobre o mistério da mãe de Emily); Sawyer (um antigo amor de Julia); e Vance (o pai de Dulce e avô de Emily).

O que eu achei do livro:

Antes de mais nada, eu preciso parabenizar a Editora Planeta pelo trabalho maravilhoso. Eu fiquei completamente apaixonada pela capa desta edição. E achei a diagramação muitíssimo caprichosa!

O meu primeiro contato com a escritora Sarah Addison Allen ocorreu neste livro.  Sarah nasceu na Carolina do Norte. Por isso mesmo, as suas narrativas costumam retratar o clima quente e mágico do Sul dos Estados Unidos.  Ela mistura folclore e romance  – e isso funciona!

Gostei muito desta leitura. Ainda que o enredo nos dê alguns choques de realidade (principalmente, quando o foco está em Julia), ele – no geral –  é doce e cheio de encantos. A história inteira, linha por linha, é contada de uma forma muito sutil e delicada.

A trama possui originalidade. Por outro lado,  o mistério do livro foi previsível – ao menos, para os mais atentos.

Além da previsibilidade, achei que a autora pecou ao apressar imensamente o final da história. Esta se resolve quase que nas últimas páginas, contrastando com a maior parte do livro – que é morosa.

Apesar dos dois defeitinhos, eu adorei esta leitura. Ela estava em perfeita sintonia com as minhas férias de verão (período em que li o livro).

Pretendo ler outras obras da escritora Sarah Addison Allen. Na verdade, até já estou com mais um livro dela na estante: O Pessegueiro.  Em breve, irei lê-lo (e resenhá-lo, é claro).

A nota para este livro é: 4/6 – Bom.

Nome do Livro: A Garota Que Perseguiu a Lua

Autora: Sarah Addison Allen

Editora: Planeta

Páginas: 239 páginas

 

 

 

Resenha: A Irmandade das Calças Viajantes (Ann Brashares)

Em 30.01.2017   Arquivado em LITERATURA

 

Sinopse:

Era uma vez um par de calças. Um simples par de calças jeans. Mas essas, as Calças Viajantes, têm o poder de fazer coisas grandiosas. E aqui está justamente a história de quatro amigas que colocam em prática esse poder. Lena se faz acompanhar pelas Calças em sua viagem à Grécia. Mas no momento em que se despe das calças, para mergulhar, nua, num lago deserto, detona tantas confusões que, de repente, a pessoa em que menos confia passa a ser ela mesma. Tibby convida as Calças para um papel especial no “sacomentário”, espécie de documentário que pretende dirigir para mostrar tudo que é capaz de incomodá-la bastante. Bridget, em um ato de coragem, veste as Calças na colônia de férias em que está na Califórnia, esperando receber aquela “forcinha” para uma conquista amorosa. Carmen sente vergonha ao perceber que as Calças testemunharam sua transformação em enteada malvada quando as férias de verão não correm como o previsto. Quatro grandes amigas, o melhor verão de suas vidas e as calças mágicas que realizam todos os sonhos. Uma deliciosa celebração da vida, do riso, das raízes e da autodescoberta.

Foi este o livro que inspirou o filme chamado “Quatro Amigas e Um Jeans Viajante.

Assisti ao filme, pela primeira vez, quando tinha 13 anos.  E ele me marcou imensamente. Dessa forma, passei grande parte da minha adolescência ansiando para ler as obras escritas por Ann Brashares. Mas foi só agora, em 2017, que eu tive essa oportunidade.

A escritora Ann Brashares escreveu cinco livros sobre as quatro amigas (Lena, Carmen, Tibby e Bridget) e os seus jeans viajantes. Apenas quatro foram traduzidos para o Brasil. Segue o nome de cada um deles:

Livro 1 – A Irmandade Das Calças Viajantes 

Livro 2 – O Segundo Verão da Irmandade

Livro 3 – Meninas de Calças

Livro 4 – Para Sempre Azul

O quinto livro, chamado Sisterhood Everlasting, foi escrito alguns anos depois e narra os dilemas das quatro protagonistas já adultas. Ele, diferente dos quatro livros anteriores, não é um Young Adult.

Portanto, é possível presumir que exista certo fechamento da história em “Para sempre Azul”. Ainda assim, eu espero que a Rocco, eventualmente, publique a quinta obra aqui, no Brasil. Os leitores brasileiros merecem isso.

Adorei fazer a leitura do primeiro livro da série. É claro que, como já tinha visto o filme anteriormente, não encontrei muitas surpresas. Mas isso não atrapalhou em nada.

Preciso falar sobre a narrativa da autora: num primeiro momento, tive dificuldades em acompanhá-la. Como são quatro personagens principais, o foco narrativo muda a cada capítulo – o que acaba gerando confusão. Você precisa se lembrar,  a todo momento, sobre qual personagem a narrativa está se debruçando. Mas, assim que você se acostuma com essas mudanças bruscas, a leitura se torna bastante tranquila.

Ainda sobre a narrativa, compete dizer que Brashares conta a história de uma forma emocionante.   As descrições e os diálogos são cheios de sensibilidade. E isso é muito importante quando se está trabalhando com o gênero “Drama”.

Na história, quatro melhores amigas – que se conhecem desde o nascimento – vão passar, pela primeira vez, o verão separadas.

Um dia antes do verão começar, as meninas descobrem uma calça velha que serve, com perfeição, em todas elas. Mesmo que elas vistam números diferentes e possuam corpos diferentes. Ora, Carmen, a porto – riquenha, é definitivamente mais cheinha, enquanto Bridget, a atleta, é vários centímetros mais alta.

Convencidas de que a calça deve ser mágica, as quatro amigas  criam uma Irmandade. A calça funcionará como um elo entre elas enquanto estiverem separadas. Durante o verão, elas devem revezar a calça, enviando -a pelo correio.

Sobre as quatro protagonistas:

Lena viaja para a Grécia e passa o verão na casa dos avós. Ela é uma garota lindíssima e muito tímida. E não sabe lidar com as pessoas que possuem uma opinião a priori sobre ela (opinião que costuma ser baseada em sua aparência). Somos estereotipados rotineiramente, isso é um fato.

Durante o verão, a personagem passa por experiências que a obrigam a trabalhar com a sua timidez – por vezes, exagerada.

Tibby é uma garota rebelde  e de personalidade forte. Acostumada a julgar tudo e todos, antes mesmo de conhecê-los, ela coloca diversos muros ao seu redor.  Sendo a única das quatro amigas a ficar em casa durante o verão, a personagem se sente solitária e mal humorada. Porém, certo dia, ela conhece Bailey: uma garotinha de doze anos que possui leucemia e parece conhecer muito do mundo para a sua tenra idade.

Durante o verão, a visão engessada de Tibby sofre algumas mudanças, principalmente por causa de sua nova amiga.

Carmen é a mais sensata da turma. Vista por todas as outras como uma “mãezona”.  A personagem está radiante porque, pela primeira vez após o divórcio, terá a oportunidade de passar o verão inteiro com o seu pai. Porém, as coisas não correm como o esperado quando ela descobre que o pai está prestes a ser casar novamente.

Durante o verão, Carmen é obrigada a superar o divórcio dos pais – chorar as dores passadas para poder moldar o seu futuro.

Bridget é a mais ousada e impetuosa das amigas – e isso, muitas vezes, é um problema. A mãe da personagem se suicidou há alguns anos. E desde então, Bridget vêm tentando lidar com a dor da perda.

Durante o verão, algumas coisas não correm como esperado e Briget é obrigada a amadurecer mais cedo do que devia.

O que eu achei do livro: ele superou as minhas expectativas. Como disse acima, eu o achei muito bem escrito. Alguns trechos da história trazem mensagens lindíssimas. A partir dessa leitura, eu comecei a refletir bastante sobre a vida, em geral.

Por outro lado, a sensibilidade da narrativa chega a ser sufocante. O que não é, necessariamente, um problema.  Você só tem que estar preparado para lidar com a tristeza das personagens.

O mais interessante é que a calça funciona como uma metáfora. Ela é um esteio em que as garotas se apoiam para lidarem com os dilemas da vida e da adolescência.

Analisando o livro pelo gênero a que ele pertence – um drama adolescente – eu o avaliaria como “excelente”.

Por isso mesmo, a nota é 5/6 – Excelente.

 

No mais, só cabe ressaltar que esta é uma leitura que vale à pena. Só deixe alguns lencinhos ao lado. Pode ser que eles sejam necessários.

Gostaram da resenha? Conta tudo 💋

 

Nome do Livro: A Irmandade Das Calças Viajantes

Autora:  Ann Brashares

Editora: Rocco

Páginas: 311 páginas

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