Resenha: Fangirl (Rainbow Rowell)

Em 15.06.2017   Arquivado em LITERATURA

Sinopse:

“Cath é fã da série de livros Simon Snow. Ok. Todo mundo é fã de Simon Snow, mas Cath, ser fã é sua vida – e ela é realmente boa nisso. Vive lendo e relendo a série; está sempre antenada aos fóruns; escreve uma fanfic de sucesso; e até se veste igual aos personagens na estréia de cada filme.
Diferente de sua irmã gêmea, Wren, que ao crescer deixou o fandom de lado, Cath simplesmente não consegue se desapegar. “

 

Completei mais uma leitura da Rainbow Rowell! É o terceiro livro que eu leio  e, por isso, confesso: sou completamente apaixonada pelo estilo de escrita da autora!

A protagonista de Fangirl é Cath. Ela é  geek, tímida e fã de carterinha do mago Simon Snow (uma série literária de muito sucesso no “universo” de Fangirl).

A melhor amiga de Cath é sua irmã gemêa, Wren.  As duas foram, desde sempre, inseparáveis.  Dormiam no mesmo quarto, assistiam aos mesmos filmes, liam os mesmos livros e eram coautoras de uma fanfic de sucesso.  Cath, portanto, não consegue se lembrar de nenhum momento importante em que ela e a irmã não estivessem juntas.

Porém, tudo muda  quando as gêmeas decidem ir para a faculdade.  Wren acredita que é a época ideal para ambas começarem a ter mais individualidade. Elas precisam viver outras aventuras. Conhecer pessoas novas. E se reinventarem. Afinal de contas, não é para isso mesmo que serve a universidade?!

Cath, no entanto, está muito receosa. Ela não gosta e nem sabe lidar muito bem com mudanças. Ora, ela nunca ficou sem a irmã. Como é que Wren espera que ela divida o quarto com uma completa estranha? O que custava Wren ficar no mesmo dormitório que ela? Para piorar, a companheira de quarto de Cath, Reagan, é mais velha, festeira e cheia de mau humor – ou seja, ela tem um jeito completamente diferente do jeito de Cath. O amigo de Reagan, Levi, também aparenta não compreender o significado da palavra “espaço” – afinal de contas, ele nunca sai do quarto das duas, mesmo Cath demonstrando não estar muito feliz com a sua presença lá.

A única coisa boa na faculdade parece ser a aula de “escrita criativa”. Ou, ao menos, era o que Cath achava.  Quando a professora faz  críticas à fanfic de Cath, esta fica arrasada. Ela se sente, mais do que nunca, deslocada. Por que é tão imperioso que ela escreva as próprias histórias? Ela não pode continuar a escrever sobre o universo e os personagens que conhece e venera? Talvez a faculdade não fosse uma boa ideia. Não quando Cath é obrigada a ficar longe do pai (que tanto precisa dela), a se distanciar da irmã (uma pessoa que ela já nem consegue mais reconhecer) e a escrever sobre  outra  coisa que não seja o que ela mais gosta no mundo  (as suas fanfics sobre Simon Snow).

 

 

O que eu achei do livro:

No livro, nós ficamos sabendo bastante da vida Cath e Wren: a divergente personalidade de ambas, os seus medos, manias e vontades. Descobrimos acerca da ausência da mãe e o estilo “workaholic” do pai. Tudo isso serve para dar mais profundidade e substância às personagens.

Confesso que eu adorei Cath, muito embora quisesse dar umas sacudidas nela de vez em quando. Ela é tão tímida que começa a ser boba dela mesma. Eu só queria dizer: tente Cath, por favor, por mim. Você consegue.

Ao mesmo tempo em que admiro a personagem por não querer mudar o seu jeito de ser durante a faculdade, acho-a também infantil. A faculdade é um período de novas experiências. As aulas, o ambiente, os amigos … tudo isso, invariavelmente, nos faz mudar e amadurecer. É natural, faz parte da vida.

Wren também me irritava um pouquinho. Mas eu a compreendi. As pessoas lidam com as coisas de forma diferente. Ás vezes, nem é culpa delas. Precisamos entender isso.

Adorei Reagan e amei Levi. Ele, definitivamente, seria o namorado perfeito (se é que isso existe!). Ele é doce, compreensivo, animado e verdadeiro. Não tem medo de falar o que pensa quando é necessário, mas também se coloca de prontidão para ajudar as pessoas que ama.

Em suma, a história de Fangirl fala sobre amadurecimento. Ás vezes, mudar é necessário para se autoconhecer.  Precisamos estar abertos à mudança se ela nos fizer feliz. Não devemos mudar pelos outros, é claro. Mas, sim, por nós mesmos e apenas se isso nos tornar pessoas melhores e mais realizadas.

Gosto muito do estilo de escrita da Rainbow. É tudo tão simples, mas de uma sensibilidade imensa. Amava os trechos em que ela se referia à paixão de Cath pela escrita. Era tão inspirador. Parecia até que ela estava falando sobre si mesma!

As partes de que menos gostei foram aquelas em que a autora transcreveu os capítulos da fanfic de Cath. “Carry on, Simon” (fanfic de Cath) é, sinceramente, meloso e muito chato! Achei que Simon Snow era um “Harry Potter” às avessas e isso me incomodou um pouquinho também. Mas, fora isso, tudo perfeito! Amei, amei e amei até dizer chega.

Sem dúvida, a nota desse livro é 5/6 – Excelente!

Para ver resenhas de outras obras de Rainbow Rowell, clique aqui e aqui.

Nome: Fangirl;

Autora: Rainbow Rowell;

Editora: Novo século;

Páginas: 424 pág.

 

 

 

 

 

 

 

Resenha: A Garota do Penhasco (Lucinda Riley)

Em 01.05.2017   Arquivado em LITERATURA

 

Sinopse: 

“A Garota do Penhasco’ é um romance que enreda o leitor através de vários fios. A história de Grania Ryan e sua querida Aurora Devonshire, a garota do penhasco, nos fala sobre mudança de vida.
A história das famílias Ryan e Lisle é um lindo conto sobre um século de mal-entendidos e rancor entre inimigos que se acreditam enganados por falcatruas financeiras.
O caso de amor entre Grania Ryan e Lawrence Lisle comove por sua delicadeza e força vertiginosa que culmina em imensa tristeza (FRASE COM ERRO! – OLHE O FINAL DA RESENHA)
Mas, sobretudo, ‘A Garota do Penhasco’ é um livro que mostra como é possível encontrar uma finalidade, um propósito, quando todas as esperanças parecem perdidas.”

Sobre o enredo:

No livro,  a irlandesa Grania Ryan – uma famosa artista plástica que vive em NY – acaba de sofrer um aborto espontâneo. Triste com a perda do filho e com a situação de seu relacionamento com Matt (o seu namorado), ela resolve voltar para a casa dos pais, em Dunworley, Irlanda.

Certo dia, passeando pela baía de Dunworley, Grania avista uma menina sonâmbula prestes a cair do penhasco – a pequena Aurora Devonshire.

De rebeldes e longos cabelos ruivos, Aurora também não teve uma vida plenamente feliz. Aos 4 anos, viu a mãe, Lily Lisle, se suicidar – quando esta se jogou do alto do penhasco. Desde então, a menina vai  frequentemente a esse mesmo penhasco, durante à noite, em episódios de sonambulismo.

Logo, as vidas de Grania e Aurora acabam por se interligar. De uma maneira fácil e muito espontânea. O que ambas não sabem é que, talvez, essa ligação não seja ao acaso. Ela é antiga e quase proposital. As famílias das duas possuem, juntas, uma história que já remonta a séculos. Essa história é cheia de enganos, embustes e desencontros. Mas, o mais importante, é uma história permeada de amor. Amor de uma mãe por uma filha. Amor de uma esposa pelo seu marido. Amor de uma família pelos seus entes queridos.

Em suma, A Garota do Penhasco vai tratar sobre este mesmo assunto (sobre o qual muitos poetas, contistas, escritores e musicistas já se debruçaram): o amor. Mas vai fazê-lo de uma forma ora diáfana (bem como acontece nos contos de fadas), ora real.

A autora deixa bem claro, em alguns momentos da narrativa, a sua crença religiosa (que me pareceu ser o espiritismo). Mas isso, na minha opinião, não atrapalha em nada a leitura – nem mesmo para aqueles que seguem outra religião. De certa forma, achei que o livro teve mais sentido e ficou ainda mais interessante a partir dessa perspectiva.

No livro, somos apresentados aos antepassados da família Ryan e Lisle. A narrativa desloca-se para a Irlanda e  a Inglaterra  da Primeira Guerra Mundial – onde conhecemos a empregada Mary (bisavó de Grania) e a pequena Anna (que, em muito, lembra Aurora).  Nesse sentido, podemos dizer que o livro é um romance histórico. E não é para menos: Lucinda Riley é apaixonada por história e essa paixão lhe deu a inspiração necessária para escrever a maioria dos seus romances.

O que eu achei do livro: 

A Garota do penhasco foi um livro que me surpreendeu muito positivamente. Eu esperava muito menos. E ganhei muito mais.

A verdade é que achei esta leitura tremendamente envolvente.  Eu me conectei aos personagens. Achei – os verossímeis e com profundidade. A mensagem que o livro traz é também muito bonita: esperança e amor. O amor não resolve todos os problemas, mas ele os torna mais suportáveis.

Ás vezes, tudo o que precisamos na vida é nos encontrar. Buscar a nossa própria identidade. Decifrar a nossa própria confusão interna. E é exatamente isso que Grania faz, quando decide sair de NY e buscar aconchego na casa dos pais, na Irlanda.

O livro também questiona bastante essa coisa chamada “acaso”, “destino” e “carma”. E, repito, o livro se torna muito mais claro quando o analisamos por meio de uma perspectiva religiosa (o espiritismo).

Em suma, achei esta uma leitura maravilhosa. No início, podem surgir algumas estranhezas com a narrativa. Eu confesso que fiquei muito incomodada, à princípio, com a quantidade de vezes que a palavra “querido(a)” foi utilizada. Era “querida” pra lá,  e “querido” para cá.  Chegou a me incomodar, sinceramente. Não sei se este foi um problema de tradução ou se a autora realmente usou esta palavra de forma exaustiva. Porém, conforme a história ia se desenvolvendo, eu parei de me preocupar com este detalhe.

Não posso dizer que Lucinda Riley foi completamente original ao escrever esta história. Existe originalidade, mas eu percebi alguns clichês.

A Editora Novo Conceito também foi muito desatenciosa com a sinopse impressa na parte de trás do livro. Houve um erro nesta frase  “O caso de amor entre Grania Ryan e Lawrence Lisle comove por sua delicadeza (…)”. Não existe nenhum caso de amor entre Grania e Lawrence, até mesmo porque este já havia morrido há mais de 50 anos quando a personagem nasceu.  Compreendo, portanto, que a Editora cometeu uma gafe nesse sentido.

Apesar destas falhas, a história me foi muito satisfatória. Eu me senti envolvida e tive aquele gostinho de “quero mais” assim que terminei a leitura.

Por isso mesmo, a nota que dou ao livro é 5/6 – excelente.

Para aqueles que gostam desse tipo de literatura, com certeza vale à pena ler.

Nome: A Garota do Penhasco;

Autora: Lucinda Riley;

Editora: Novo Conceito;

Páginas:  528 pág.

 

 

Resenha: O Jardim Secreto de Eliza (Kate Morton)

Em 13.04.2017   Arquivado em LITERATURA

Sinopse:

“Em 1913, um navio chega à Austrália direto de Londres, trazendo com ele uma menina de quatro anos, absolutamente sozinha, sem um acompanhante adulto sequer. Com ela, apenas uma pequena mala com um livro de contos de fadas. O mistério de quem era a bela garota, que dizia não lembrar seu nome, e de como chegou ao porto, jamais foi desvendado. Em suas memórias ela trazia apenas a imagem de uma mulher que ela chamava de a dama ou a Autora e que dizia que viria buscá-la.
Muitos anos depois, em 2005, na cidade australiana de Brisbane, a doce e reservada Cassandra herda de sua avó Nell uma casa na Inglaterra. Surpresa, ela descobre que a casa esconde as origens de sua avó –  que foi uma vez a bela menina sem nome perdida no porto.
A autora, Eliza Makepeace, uma travessa menina contadora de histórias que tinha sua própria cota de tragédias para viver na Inglaterra da virada do século XIX para o XX. Seria Eliza mãe de Nell? E por que ela a abandonou? Agora, é a vez de Cassandra revirar a pequena mala de segredos da avó e saber o que Nell conseguiu descobrir, se é que ela obteve sucesso em sua busca.”

O Jardim Secreto de Eliza foi  a primeira obra que eu li de Kate Morton.  Até então, nunca tinha ouvido falar da escritora. E mal eu sabia o quanto estava perdendo com isso!

Admito que, em épocas de livros comerciais e de pouca originalidade, conhecer escritoras como Morton é um bálsamo para a alma. Ao fim da leitura de O Jardim Secreto de Eliza, eu estava  de queixo caído. Há muito eu não lia uma obra tão capaz de, verdadeiramente, me surpreender.

A partir deste livro, eu me apaixonei pela literatura de Morton. E confesso: já fiz um estoque das obras dela aqui em casa. Acabou de chegar, pela Saraiva, mais três volumes publicados pela escritora.

Em O Jardim Secreto de Eliza, nós acompanhamos a trajetória de três personagens femininas: Eliza, Nell e Cassandra.  Todas elas são mulheres fortes e com demônios a lidar.

Eliza, também chamada de “A autora”, teve uma infância difícil. Perdeu a mãe muito nova e teve que trabalhar desde cedo para sustentar a si e ao irmão gêmeo. Sobrevivendo em um cenário pouco amistoso – a fria Inglaterra do séc. XIX – Eliza tecia, em sua imaginação, um mundo (no mínimo) mais interessante e mais mágico do que o real.  Não é à toa que, quando cresceu, ela foi denominada de “A Autora”. Se tinha algo que Eliza sabia fazer era inventar e contar histórias. E ela era muito boa nisso.

 Nell vê o mundo cair quando seu pai revela que ela não é sua filha verdadeira. Há muito tempo, a menina foi deixada num porto australiano com apenas uma mala de couro que, por sua vez, continha um único livro de conto da fadas.  Quando perguntaram quem ela era, a garota disse não saber. Na verdade, a única lembrança que possuía era de uma bonita mulher, a quem chamava de “Autora”.

Cassandra, a neta de Nell, é uma mulher angustiada. No passado, ela passou por uma triste experiência que deixou algumas cicatrizes. Quando a sua avó morre, Cassandra recebe de herança um chalé campestre na Inglaterra. Perplexa ao saber que a avó tinha um imóvel tão longe de casa (elas moravam juntas em Brisbane, Austrália), a jovem  decide partir para Londres e, assim,  refazer os passos da avó e descobrir as origens desta.

Morton, dessa forma, vai tecendo três histórias paralelas: a história de Eliza, na Inglaterra Vitoriana e Edwardiana, a história de Nell, em 1913,  e a de Cassandra, nos anos 2000.   E é claro que essas histórias, ainda que diversas e distantes, irão se encontrar em algum momento na linha do tempo.

 ” O jardim secreto de Eliza, conta Kate Morton, foi inspirado em uma história de família: quando tinha 21 anos, sua avó soube que não era filha biológica de seu suposto pai. Ela foi tão profundamente afetada por essa notícia que jamais contou isso a ninguém até chegar à velhice, quando revelou tudo para as três filhas. A escritora prometeu criar uma história inspirada no caso da avó.”

O que eu achei do livro:

Sem a menor dúvida, O Jardim Secreto de Eliza foi um dos melhores livros que li  nos últimos tempos. A narrativa de Morton é fluída, rica em detalhes e  cheia de simbolismos.

 

O livro trata de assuntos densos.  Entre eles, está a busca da identidade. 

É preciso dar o crédito à Kate. Ela conseguiu, de fato,  interligar  três histórias que se passam em linhas temporais muito distintas. E o fez espantosamente bem! Nas palavras de qualquer outro escritor,  essa façanha poderia dar lugar ao desastre – a narrativa poderia ficar confusa e embaçada. Mas, felizmente, não foi isso o que aconteceu. A história manteve a clareza necessária e se tornou ainda mais interessante.

Podemos dizer que esta obra de Morton mistura romance, magia e mistério. Sem a menor dúvida, nas entrelinhas  do livro, existe uma intensa análise da natureza humana.  A magia, por outro lado, está presente especialmente em dois momentos: quando a narrativa se volta para os contos de fada de Eliza ou quando ela se volta para o maravilhoso jardim secreto da personagem.   Há passagens sombrias e há passagens mágicas. Simples assim. 

 

A personagem que mais me chamou a atenção foi Eliza. Ela é complexa, independente e vanguardista. Tem uma personalidade muito forte. Consegui me identificar.

 

Por todas as razões apontadas, Kate Morton passou a ocupar um lugar de destaque nos meus interesses literários. Já existem mais três livros dela na prateleira. E eu não vejo a hora de lê-los.

Nota:  5/6 – excelente. 

Nome do livro: O Jardim Secreto de Eliza;

Autora: Kate Morton;

Editora: Rocco;

Páginas: 560.

Página 1 de 212