Resenha: A Irmandade das Calças Viajantes (Ann Brashares)

Em 30.01.2017   Arquivado em LITERATURA

 

Sinopse:

Era uma vez um par de calças. Um simples par de calças jeans. Mas essas, as Calças Viajantes, têm o poder de fazer coisas grandiosas. E aqui está justamente a história de quatro amigas que colocam em prática esse poder. Lena se faz acompanhar pelas Calças em sua viagem à Grécia. Mas no momento em que se despe das calças, para mergulhar, nua, num lago deserto, detona tantas confusões que, de repente, a pessoa em que menos confia passa a ser ela mesma. Tibby convida as Calças para um papel especial no “sacomentário”, espécie de documentário que pretende dirigir para mostrar tudo que é capaz de incomodá-la bastante. Bridget, em um ato de coragem, veste as Calças na colônia de férias em que está na Califórnia, esperando receber aquela “forcinha” para uma conquista amorosa. Carmen sente vergonha ao perceber que as Calças testemunharam sua transformação em enteada malvada quando as férias de verão não correm como o previsto. Quatro grandes amigas, o melhor verão de suas vidas e as calças mágicas que realizam todos os sonhos. Uma deliciosa celebração da vida, do riso, das raízes e da autodescoberta.

Foi este o livro que inspirou o filme chamado “Quatro Amigas e Um Jeans Viajante.

Assisti ao filme, pela primeira vez, quando tinha 13 anos.  E ele me marcou imensamente. Dessa forma, passei grande parte da minha adolescência ansiando para ler as obras escritas por Ann Brashares. Mas foi só agora, em 2017, que eu tive essa oportunidade.

A escritora Ann Brashares escreveu cinco livros sobre as quatro amigas (Lena, Carmen, Tibby e Bridget) e os seus jeans viajantes. Apenas quatro foram traduzidos para o Brasil. Segue o nome de cada um deles:

Livro 1 – A Irmandade Das Calças Viajantes 

Livro 2 – O Segundo Verão da Irmandade

Livro 3 – Meninas de Calças

Livro 4 – Para Sempre Azul

O quinto livro, chamado Sisterhood Everlasting, foi escrito alguns anos depois e narra os dilemas das quatro protagonistas já adultas. Ele, diferente dos quatro livros anteriores, não é um Young Adult.

Portanto, é possível presumir que exista certo fechamento da história em “Para sempre Azul”. Ainda assim, eu espero que a Rocco, eventualmente, publique a quinta obra aqui, no Brasil. Os leitores brasileiros merecem isso.

Adorei fazer a leitura do primeiro livro da série. É claro que, como já tinha visto o filme anteriormente, não encontrei muitas surpresas. Mas isso não atrapalhou em nada.

Preciso falar sobre a narrativa da autora: num primeiro momento, tive dificuldades em acompanhá-la. Como são quatro personagens principais, o foco narrativo muda a cada capítulo – o que acaba gerando confusão. Você precisa se lembrar,  a todo momento, sobre qual personagem a narrativa está se debruçando. Mas, assim que você se acostuma com essas mudanças bruscas, a leitura se torna bastante tranquila.

Ainda sobre a narrativa, compete dizer que Brashares conta a história de uma forma emocionante.   As descrições e os diálogos são cheios de sensibilidade. E isso é muito importante quando se está trabalhando com o gênero “Drama”.

Na história, quatro melhores amigas – que se conhecem desde o nascimento – vão passar, pela primeira vez, o verão separadas.

Um dia antes do verão começar, as meninas descobrem uma calça velha que serve, com perfeição, em todas elas. Mesmo que elas vistam números diferentes e possuam corpos diferentes. Ora, Carmen, a porto – riquenha, é definitivamente mais cheinha, enquanto Bridget, a atleta, é vários centímetros mais alta.

Convencidas de que a calça deve ser mágica, as quatro amigas  criam uma Irmandade. A calça funcionará como um elo entre elas enquanto estiverem separadas. Durante o verão, elas devem revezar a calça, enviando -a pelo correio.

Sobre as quatro protagonistas:

Lena viaja para a Grécia e passa o verão na casa dos avós. Ela é uma garota lindíssima e muito tímida. E não sabe lidar com as pessoas que possuem uma opinião a priori sobre ela (opinião que costuma ser baseada em sua aparência). Somos estereotipados rotineiramente, isso é um fato.

Durante o verão, a personagem passa por experiências que a obrigam a trabalhar com a sua timidez – por vezes, exagerada.

Tibby é uma garota rebelde  e de personalidade forte. Acostumada a julgar tudo e todos, antes mesmo de conhecê-los, ela coloca diversos muros ao seu redor.  Sendo a única das quatro amigas a ficar em casa durante o verão, a personagem se sente solitária e mal humorada. Porém, certo dia, ela conhece Bailey: uma garotinha de doze anos que possui leucemia e parece conhecer muito do mundo para a sua tenra idade.

Durante o verão, a visão engessada de Tibby sofre algumas mudanças, principalmente por causa de sua nova amiga.

Carmen é a mais sensata da turma. Vista por todas as outras como uma “mãezona”.  A personagem está radiante porque, pela primeira vez após o divórcio, terá a oportunidade de passar o verão inteiro com o seu pai. Porém, as coisas não correm como o esperado quando ela descobre que o pai está prestes a ser casar novamente.

Durante o verão, Carmen é obrigada a superar o divórcio dos pais – chorar as dores passadas para poder moldar o seu futuro.

Bridget é a mais ousada e impetuosa das amigas – e isso, muitas vezes, é um problema. A mãe da personagem se suicidou há alguns anos. E desde então, Bridget vêm tentando lidar com a dor da perda.

Durante o verão, algumas coisas não correm como esperado e Briget é obrigada a amadurecer mais cedo do que devia.

O que eu achei do livro: ele superou as minhas expectativas. Como disse acima, eu o achei muito bem escrito. Alguns trechos da história trazem mensagens lindíssimas. A partir dessa leitura, eu comecei a refletir bastante sobre a vida, em geral.

Por outro lado, a sensibilidade da narrativa chega a ser sufocante. O que não é, necessariamente, um problema.  Você só tem que estar preparado para lidar com a tristeza das personagens.

O mais interessante é que a calça funciona como uma metáfora. Ela é um esteio em que as garotas se apoiam para lidarem com os dilemas da vida e da adolescência.

Analisando o livro pelo gênero a que ele pertence – um drama adolescente – eu o avaliaria como “excelente”.

Por isso mesmo, a nota é 5/6 – Excelente.

 

No mais, só cabe ressaltar que esta é uma leitura que vale à pena. Só deixe alguns lencinhos ao lado. Pode ser que eles sejam necessários.

Gostaram da resenha? Conta tudo 💋

 

Nome do Livro: A Irmandade Das Calças Viajantes

Autora:  Ann Brashares

Editora: Rocco

Páginas: 311 páginas